Nirvana lança In Utero, terceiro e último álbum

Há 20 anos… dia 13 de setembro de 1993.

Nirvana lança In Utero, terceiro e último álbum

 POR LUIZ RAATZ*

Muito já foi dito e escrito sobre In Utero, o terceiro e último disco do Nirvana.

É difícil acrescentar algo novo ao que já se sabe: as origens no Brasil, durante o Hollywood Rock, a produção controvertida de Steve Albini, a insistência de Kurt Cobain em manter a gravadora, ansiosa por uma nova mina de ouro.

Prefiro, então, compartilhar minha impressão pessoal sobre o álbum. Com o perdão do trocadilho, In Utero é um parto. Um disco difícil, duro, cru. Mas extremamente compensador.

Bleach (1989) é pesado. Muitos dos fãs do Nirvana que vieram após o estouro do Nevermind devem achar o disco coisa de outro mundo. “Blew”, “Siftings”, “School”, “Negative Creep” – com a exceção óbvia de “About a Girl” – são canções com riffs quase “ogros”, coisa pra bater cabeça doidão em um show de punk rock. Um disco eminentemente de signos masculinos.

Nevermind (1991), por outro lado, tem foco nas melodias. O próprio Kurt (lembro de ter lido em algum lugar!) teria se inspirado nos Beatles para escrevê-las. Canções como “Drain You”, “Come as You Are” e “Lithium”, apesar de toda distorção grunge, são obras primas do pop, reflexo de uma época em que Cobain estava apaixonado pela baterista do Bikini Kill, Tobi Vail. É um disco que, por vias tortas, como era a mente de Kurt, fala de amor. Com signos eminentemente femininos.

In Utero é uma espécie de fusão dos dois. Só quem soube apreciar os dois lados do Nirvana, o Ying (Bleach) e o Yang (Nevermind) está preparado para o terceiro disco, a fusão. O trabalho vai de canções mais comerciais – nos moldes de Nevermind -, como “All Apologies” e “Dumb”, às mais “ogras”, como “Scentless Apprentice” e “Milk it”.

A primeira faixa, “Serve The Servants”, começa com um acorde dissonante, como se a guitarra tivesse caindo no chão e avisasse: isso aqui não é o Nevermind. E Kurt canta:

Teenage angst has paid off well. Now I’m bored and old

(A angústia adolescente pagou muito bem/Agora estou entediado e velho)

O disco inteiro é permeado por angústias: “Rape me”, “Frances Farmer Will Have Her Revenge in Seattle”, “Heart-Shaped Box”, “Pennyroyal Tea” falam de câncer, obsessão, estupro, aborto, lobotomia, exploração, abandono. Tudo o que habitava a mente de um Kurt Cobain cada vez mais afundado nas drogas e, ao mesmo tempo, maravilhado pelo nascimento da filha, Frances Bean.

Morte e renascimento. Ying e Yang.

Depois de toda essa tempestade de riffs, ora mais calmos, ora mais agressivos, e de sentimentos conflitantes, no fim, Kurt se despede, com “All Apologies”.

All in All is All we are

No fim é isso que a gente é. Essa miscelânea de sentimentos. Esses dois lados de uma eterna moeda que gira, nos levando da depressão à euforia, da melodia à distorção, da vida à morte.

Menos de um ano depois, Kurt Cobain se matou.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Luiz Raatz, 31 anos, é repórter de Internacional do Estadão e fã do Nirvana desde 1993.

Ouça In Utero na íntegra:

Fontes e +MAIS:

– Livro Havier than heaven, de Charles Cross

– yahoo.com

– loudwire.com

– entertainment.time.com

– billboard.com

– books.google.com.br

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2 comentários sobre “Nirvana lança In Utero, terceiro e último álbum

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