Bob Dylan grava “Just Like a Woman”

Há 50 anos… dia 8 de março de 1966.

Bob Dylan grava "Just Like a Woman"

She takes just like a woman, yes

She makes love just like a woman, yes, she does

And she aches just like a woman

But she breaks just like a little girl.

Quando pesquisei as efemérides para mais um Dia Internacional da Mulher e encontrei o cinquentenário de gravação da linda “Just Like a Woman”, pronto: seria mais uma homenagem para elas, como em 2014 e 2015.

Então, me deparei com o tópico da “suposta misoginia” na Wikipédia e tudo virou espanto e momentânea dúvida. Confesso que não fazia a mínima ideia da existência de polêmica sobre possível “agressão verbal à mulher” nos versos do gênio Dylan.

A música sempre me encantou. Pelo arranjo e melodia, que a transformam na faixa mais pop de Blonde on Blonde – o órgão de Al Kooper, a bateria de Kenny Buttrey, a harmônica de Dylan (!) -, e pela letra, mais uma bela aquarela do comportamento humano de Mr. Zimmerman.

Mas o que mais chama a atenção toda vez que ouço é o modo como o grande trovador do folk rock a canta.

É tanta sensibilidade, tanta dor, tanta sinceridade, tanta compaixão – tudo carregado em sua voz nasalada – que se torna impossível rotular “Just Like a Woman” de misógina.

Bem, eu não estou sozinho nessa…

“Não há um momento na música, apesar das pequenas ironias e confissões de dor, em que você não possa ouvir o amor em sua voz”, escreveu o crítico musical Paul Williams, no livro Bob Dylan: Performing Artist, Book One 1960 – 1973.

“Certamente não é misógino olhar para um relacionamento pessoal do ponto de vista de um dos envolvidos, seja homem ou mulher. Não há nada na letra que sugira um desrespeito ou muito menos um ódio irracional de Dylan pelas mulheres em geral”, reforçou Bill Janovitz, na resenha do allmusic.com.

É isso. “Just Like a Woman” está longe de ser uma canção de desprezo ou ódio pelas mulheres. Muito ao contrário. É uma crônica de época precisa sobre o sexo feminino. É, também, uma confissão masculina de incapacidade em lidar com um relacionamento amoroso.

Duvida?

Bem, você acha que a diva feminina Nina Simone teria emprestado sua poderosa voz para regravar uma música misógina? Acho que não, né?

Viva Bob Dylan. Viva Nina Simone. Viva todas as mulheres deste planeta!

Take de gravação de “Just Like a Woman”:

Primeira execução ao vivo:

Fontes e +MAIS:

– Wikipedia

– Wikipédia

– bobdylan.com

– songfacts.com

– alldylan.com

– allmusic.com

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2 comentários sobre “Bob Dylan grava “Just Like a Woman”

  1. Bob Dylan fala a língua da música e dos sentidos antes de falar inglês e ser literal. E a música é linda!

    Figueira, muito boa argumentação e bela homenagem! E com a Nina endossando não tem mais polêmica não.

    Mais uma excelente postagem. Valeu!

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