Muddy Waters, 100 anos

4 de abril de 1915 

Muddy Waters, 100 anos

Servir de inspiração para a maior banda de rock de todos os tempos e uma grande revista de música, além de uma canção de Bob Dylan. São apenas notas de rodapé da gigantesca biografia de McKinley Morganfield, o extraordinário Muddy Waters.

Lenda do blues, avô do rock and roll.

Na hierarquia pétrea do estilo, se Elvis é o Rei, Muddy é um dos Cardeais, a quem um infinito e diverso séquito de adoradores jura devoção eterna. Sem Muddy, Chuck Berry não assinaria o primeiro contrato. Por causa de Muddy, Jimmy Page, Jeff Beck, Johnny Winter e Eric Clapton pegaram na guitarra e se transformaram nos maiorais. Só pra ficar em dois exemplos.

Aliás, por falar em Eric Clapton, foi em um show do ex-líder do Cream que Muddy se apresentou pela última vez, em junho de 1982. Em 30 de abril de 1983, um ataque cardíaco silenciaria a inimitável guitarra elétrica, que, dizem, ser criação dele. Outra contribuição inestimável.

Antes do rock, porém, veio o blues, a trilha sonora da vida do pequeno McKinley, apelidado Muddy Waters porque gostava de brincar na lama à beira do Rio Mississipi. Águas que passavam por Rolling Fork, cidade onde nasceu.

Não conheceu o pai, Ollie Morganfield, fazendeiro e guitarrista de blues, que se mandou tão logo o filho nasceu. Mal teve tempo de conhecer a mãe, Bertha Jones, que morreu quando ele tinha 3 anos. Acabou criado pela avô, Delia Jones, em Clarksdale, onde conheceu, entre outros, John Lee Hooker. Hoje, a cidade é considerada a “capital mundial do blues” (por quê será?).

Aos 5, o pequeno Muddy começou a soprar a harmônica. Aos 17, arranhou os dedos no primeiro violão. Nos curtos intervalos de trabalho nas plantations de algodão, entretinha os locais com sua música. Começou a viajar com músicos locais mais experientes e percebeu o próprio talento.

Em 1941, Alan Lomax e John Work, dois arquivistas e pesquisadores da Biblioteca do Congresso que buscavam novidades musicais ao redor dos EUA, se impressionaram com o estilo único de Muddy Waters e gravaram seus primeiros registros: “Can’t Be Satisfied” e “Feel Like Going Home”, entre outras canções.

Dois anos depois, com 28, Muddy ruma para Chicago, onde um caldeirão musical estava em ebulição. Local propício para um “forasteiro” conceber a sua revolução. O presente de um tio mudaria o rumo das coisas: a guitarra elétrica forjou o novo blues que o gênio criaria a partir de então. Um blues urbano, com raízes fincadas lá em Mississippi.

Nasceriam as primeiras gravações, pela RCA, Columbia e Aristocrat, mas o pulo do gato viria no início dos anos 1950, quando a Aristocrat se tornou Chess Records.  Muddy estourou com músicas como “I’m Your Hoochie Coochie Man” e “Got My Mojo Working”.

A consolidação no ambiente musical americano se daria a partir da cena de Chicago, New Orleans e arredores, mas a consagração aconteceria por caminho reverso. Uma excursão na Inglaterra, em 1958, cativou a juventude local. A guitarra negra e chorosa de Muddy hipnotizou os branquelos da Terra da Rainha, entre eles, Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones, o trio que gestou The Rolling Stones.

Apresentações no Carnegie Hall, em 1959, e no Newport Jazz Festival, em 1960, alçaram Muddy Waters ao patamar que ele merecia. Nos anos 1970, foi aclamado e reconhecido, ganhando, entre outros prêmios, 6 Grammy.

“Mas Muddy Waters foi mais do que uma grande influência no mundo da música pop. Ele foi um grande cantor de música americana de raiz, um artista vocal do poder surpreendente, com profundidade, alcance e sutileza. Entre os músicos e cantores, seu notável senso de tempo, seu comando de inflexão e tom e seu repertório de sons e efeitos vocais, do falsete mais puro para gemidos roucos, eram todos os temas frequentes de seu vocabulário. E ele era capaz de duplicar muitas de suas técnicas de canto na guitarra elétrica, utilizando o slide para fazer o instrumento ‘falar’, em um tremendo efeito.”

Com trecho do obituário de Robert Palmer, no New York Times, o blog termina a singela homenagem ao gigantesco Muddy Waters.

Em tempo: até hoje, há controvérsias sobre o ano de nascimento de Muddy Waters. Alguns ficam com 1913, outros com 1915. O efemérides prefere correr o risco de homenageá-lo. Simples assim.

Veja show em Dortmund, na Alemanha, em 1976:

Fontes:

– Wikipedia

– biography.com

– nytimes.com

– rockhall.com

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