Morre Fausto Coppi, “Il Campionissimo”

Há 55 anos… dia 2 de janeiro de 1960.

Morre Fausto Coppi, “Il Campionissimo”

POR LEANDRO BITTAR*

O ciclista italiano Fausto Coppi morreu em 2 de janeiro de 1960, aos 40 anos, em um quarto de hospital na comunidade de Tortona,  na região do Piemonte. Ele não resistiu a malária, contraída em uma excursão pela África, em dezembro do ano anterior. Sua morte pôs fim a uma das carreiras mais vitoriosas e impressionantes do esporte mundial, mas foi incapaz de apagar a paixão italiana. Apesar das 50 mil pessoas presentes em seu funeral, Coppi nunca morreu para os italianos e entusiastas do ciclismo.

Desde então, não há um só instante que o ciclismo não celebre sua memória ou suas conquistas, que o levou a ser considerado o esportista mais importante do século XX na Itália. Coppi faz parte de uma época romântica do ciclismo, batizada de “The Golden Era”, tamanha sua importância (e uma certa nostalgia) para o esporte. Suas vitórias tiveram grande relevância na reconstrução moral da Europa pós-II Guerra. Toda e qualquer rivalidade esportiva de lá para cá é comparada com a relação de Coppi e seu principal adversário, Gino Bartali, outro ciclista de rica história, extremamente atrelada e de personalidade oposta ao de seu rival.  Tudo no ciclismo remete a Fausto Coppi e o quanto ele estava à frente de seu tempo.

Em uma época de ciclismo empírico e de força bruta, Coppi foi um revolucionário nos aspectos de treinamento, alimentação, descanso e tecnologia. Seus feitos incluem dois Tour de France (em três participações), cinco Giro d’Italia, um título mundial de resistência, dois de contrarrelógio, inúmeras clássicas, como a Milão-São Remo, a Volta da Lombardia e a Paris-Roubaix. Foi também detentor do prestigioso recorde da hora, em 1942. Feitos imponentes e que poderiam ser ainda mais contundentes não fosse o intervalo causado pela II Guerra Mundial.

A Guerra parou as competições, porém, não deixou Coppi parado. Enquanto Bartali tentou se manter alheio ao confronto e usou seus treinos para salvar judeus (isso merece outra efeméride, um fato muito bem retratado no livro Leão da Toscana), Coppi serviu ao exército de Mussolini e se juntou a frente de batalha na África, onde foi feito prisioneiro de guerra pelos britânicos. Naquele período, já era uma figura famosa e, mesmo sem grandes traumas, ficou em cárcere por dois anos. Há relatos de ciclistas britânicos que serviram ao exército e reverenciavam o “oponente” italiano, dando lhe mimos, como chocolate, enquanto Coppi cortava os cabelos.

Se a primeira experiência em continente africano já não tinha sido das melhores, em 1949 ele viveu algo ainda pior. Ao lado de outros grandes nomes do ciclismo, como Jacques Anquetil e Louison Bobet, foi convidado pelo presidente de Burkina Faso para visitar o país para uma série de eventos em comemoração ao primeiro ano da independência da nação. Entre competições e safaris, Coppi caçava durante o dia e era caçado durante a noite, pelos mosquitos. Seu companheiro de quarto na excursão, o francês Raphaël Géminiani lembra até hoje do italiano às turras com uma toalha, tentando se proteger.

Ao voltar para a Itália, os dois ciclistas acusaram o golpe e sofreram com diagnósticos imprecisos. No entanto, um dos médicos de Géminiani havia morado na África e reconheceu os sintomas a tempo. Coppi não teve a mesma sorte. A família do francês ainda tentou informar ao hospital de Tortona que o tratamento com quinino salvou o ciclista francês, mas foi rechaçada, dizem, pelos médicos italianos.

Não dá para dizer que, aos 40 anos, Coppi teve a carreira interrompida. Ele já não vencia grandes provas como antes e prometia que 1960 seria seu último ano competindo. Como todo ídolo italiano, sua história tem inúmeras especulações e, nos anos 2000, o jornal Corriere della Sera chegou a publicar uma versão de que ele teria sido assassinado. A fantástica história nunca foi levada a sério.

Inúmeros livros, filmes, estátuas, fotos e até óperas relembram a história deste grande ciclista, eleito o esportista italiano mais importante do século XX. Certamente, inúmeros temas para outras grandes efemérides.

* Leandro Bittar é jornalista e apaixonado pelo ciclismo.

Documentário sobre Fausto Coppi (em italiano):

+MAIS:

Wikipedia

procyclingstats.com

Livro Fallen Angel

Livro de fotos e depoimentos

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