Morre o produtor Guilherme Araújo

Há 10 anos… dia 21 de março de 2007.

A exibição da cantora comprovou que Nara Leão acertara ao indicá-la, tranquilizando o diretor e o grupo – foi um sucesso. Logo após o recital, enquanto Bethânia recebia pessoalmente os elogios do poeta Vinicius de Moraes, Caetano foi abordado por um sujeito bem-vestido, que estava simplesmente maravilhado com o que ouvira: 

 

“Você é o irmão de Maria Bethânia? Muito prazer. Meu nome é Guilherme Araújo. Eu sou assistente de Aloysio de Oliveira, na gravadora Elenco, e gostaria de conversar com a sua irmã. Ela é a primeira cantora internacional que eu encontro no Brasil!”.

Assim se deu o primeiro encontro entre Caetano Veloso e Guilherme Araújo, como narra Carlos Calado em Tropicália – A história de uma revolução musical.

O encontro mudaria a vida do carioca, que será sempre lembrado como figura fundamental dos bastidores do grupo que abalou a estrutura e modificou a música e a cultura no Brasil, a Tropicália. “Guilherme Araújo foi um co-idealizador do movimento [tropicalista]”, escreveria Caetano, em Verdade Tropical.

“Ele não era apenas um empresário de visão que identificou talento ali naquele grupo de jovens, era um verdadeiro criador. E foi um amigo influentíssimo, por seu humor, por sua originalidade, sua liberdade. Eu amava muito o Guilherme”, disse Caetano, uma década atrás, por ocasião da passagem do amigo.

No obituário do Estadão, Pedro Dantas relembra a importância de Araújo dentro do tropicalismo e pontua algumas das realizações do empresário.

“Ele escolheu o nome artístico de Gal Costa, idealizou e dirigiu um programa de televisão com os tropicalistas, cujo nome, Divino Maravilhoso, era um bordão usado por ele na época. Também tirou do lixo o papel que Tom Zé jogou fora com Zera a Reza que se tornou um clássico dos Mutantes”.

Nem tudo foi “divino maravilhoso”, no entanto. Desentendimentos e brigas aconteceram nos anos seguintes à explosão da Tropicália.

Araújo chegou a ficar anos sem falar com Gal, com quem se reencontraria profissionalmente em 1997, para trabalhar no disco Acústico MTV da cantora. Com Gil e Caetano, o mesmo se sucedeu, em especial com o primeiro, inclusive com batalha nos tribunais. Posteriormente, tudo se esclareceria e a paz reinaria entre ele e a dupla.

“Guilherme Araújo era um amigo, um companheiro do Tropicalismo, vou sentir saudades dele. Fizemos muitos trabalhos importantes e acabamos cultivando uma boa amizade, era uma pessoa querida para mim”, expressou Gil, à época Ministro da Cultura, por meio da assessoria pessoal.

Além da Tropicália, Guilherme Araújo trabalhou com outros artistas, como Jorge Ben, Tom Zé e Jards Macalé. Também foi um agitador na cena cultural do Rio, com a criação de vários espetáculos de sucesso, como, por exemplo, do famoso Baile do Pão de Açúcar (foto do post), festa que embalou muitos carnavais a partir de 1978. Ainda dentro da folia, criou o Gala Gay, arrastando os bailes de travestis do centro para a zona sul do Rio.

Morreu de infecção generalizada por conta da diabetes.

A Tropicália:

Fontes e +MAIS:

– Acervo Estadão

– folha.uol.com.br

– oglobo.globo.com

– Wikipédia

– tropicalia.com.br

– heloisatolipan.com.br

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