“The Wall” é exibido no Festival de Cannes

Há 35 anos… dia 23 de maio de 1982.

Para os fãs do Pink Floyd – de ontem, de hoje e de sempre -, um cult imortal.

Para a crítica – do passado, do presente e, possivelmente, do futuro -, um grande filme.

Para a banda e para os envolvidos na produção, um capítulo amargo e doloroso, digno de esquecimento.

O veredito sobre “The Wall”, o longa-metragem, varia de acordo com o interlocutor. No final das contas, no frigir dos ovos, ao fim e ao cabo, a verdade nua e crua é que a materialização do mítico álbum para as telonas talvez tenha sido a gota d’água para o Pink Floyd.

Uma banda que, a essa altura do campeonato, estava celeremente rumo ao abismo. Já não tinha mais um de seus fundadores, Richard Wright, expulso sem nenhuma cerimônia por Roger Waters justamente durante as gravações de The Wall.

As semelhanças entre álbum e filme não param no nome. Tanto no estúdio quanto no set, Waters tomou as rédeas de forma dura e até autoritária, provocando estragos irrecuperáveis e feridas incuráveis.

Se no disco as rixas foram com os companheiros de banda, no filme, além dos comparsas (David Gilmour afirmaria depois que as brigas com o baixista se intensificaram na produção do longa), os atritos se deram com os diretores, Alan Parker e Gerald Scarfe. Sobrou também para o protagonista, o músico Bob Geldof!

Ironia das ironias, Waters ergueu em torno de si um enorme muro indestrutível, blindando-se daqueles que haviam trilhado a estrada a seu lado.

As feridas estão abertas até hoje. Infelizmente…

Tretas à parte, “The Wall” é uma grande película, aclamada por boa parte da crítica desde a première, na mostra fora da competição do Festival de Cannes de 1982, há exatos 35 anos. Pré-lançamento que contou com a presença de todo mundo, menos Richard Wright. Emblemático.

O grande mérito foi transpor a temática central do álbum em um roteiro muito bem amarrado, permeado por animações incríveis e assustadoras de Scarfe.

Alan Parker se recorda do debute:

“A estreia em Cannes foi incrível – a exibição da meia-noite. Eles levaram dois caminhões de equipamento de áudio dos estúdios de gravação para que soasse melhor do que o normal. Foi um dos últimos filmes mostrados no antigo Palais, que já estava meio acabado. O som foi tal que descascou a pintura das paredes. Foi como neve – tudo começou a cair para baixo e todos tinham ‘caspa’ na cabeça, no final!

Lembro-me de ter visto Terry Semel, que na época era chefe da Warner Bros., sentado ao lado de Steven Spielberg. Eles estavam apenas a cinco fileiras à minha frente e tenho certeza que vi Steven Spielberg falando com ele no final, quando as luzes surgiram, ‘o que diabos foi isso?’ E Semel virou-se para mim e curvou-se respeitosamente: ‘Que porra foi essa?’ Era como nada que alguém jamais tivesse visto antes – uma estranha fusão de live-action, storytelling e surrealismo”.

Meses depois, “The Wall” seria grande sucesso de bilheteria nos cinemas, permanecendo por muito tempo entre os mais vistos, atrás somente de blockbusters, como “E.T. – O Extraterrestre”, que, aliás, pré-estreou quatro dias depois, em Cannes.

Mas essa história e esse filme ficam pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Em tempo: vale clicar ali embaixo para ler mais sobre “The Wall”. Tem Alan Parker contando os bastidores (e os podres!) da produção! Imperdível.

Trailer oficial:

“Empty Spaces”:

O filme, em partes:

Fontes e +MAIS:

– Wikipedia

– Wikipédia

– IMDb

– pinkfloyd.com

– alanparker.com

– rogerebert.com

– theguardian.com

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