Fangio conquista primeiro título na Fórmula 1

Há 65 anos… dia 28 de outubro de 1951.

Fangio conquista primeiro título na Fórmula 1

*POR FRED SABINO

O maior campeão de Fórmula 1 do século XX escreveu sua primeira grande página de glórias há exatamente 65 anos: no dia 28 de outubro de 1951, o argentino Juan Manuel Fangio conquistou o primeiro de cinco títulos mundiais na principal categoria do esporte a motor, feito que só seria igualado pelo alemão Michael Schumacher em 2002.

A conquista foi selada com uma vitória categórica no Grande Prêmio da Espanha, última prova do enxuto calendário de oito corridas. Tempos diferentes, claro. Um campeonato com 21 corridas, como na atualidade, era inconcebível numa época em que as viagens eram mais complicadas e sair da Europa era muito difícil.

Mas, por incrível que pareça, havia, sim, uma prova da Fórmula 1 fora do continente. E, pasmem, a corrida era nada mais nada menos do que as 500 Milhas de Indianápolis. Na verdade, era uma manobra da Federação Internacional de Automobilismo para justificar a Fórmula 1 como campeonato mundial. As regras das 500 Milhas eram diferentes e ninguém da Europa se aventurou por lá em 1951.

A segunda temporada da história da Fórmula 1 tinha um regulamento bem diferente. A pontuação por corrida ia apenas do vencedor ao quinto colocado (8-6-4-3-2) e o autor da volta mais rápida levava um pontinho de bonificação. O regulamento ainda permitia os pilotos a competirem em duplas, com pontuação dividida.

Desde o começo, a disputa ficou polarizada entre Alfa Romeo, campeã de 1950, e a Ferrari. Fangio venceu na abertura da temporada, na Suíça. Depois das 500 Milhas de Indianápolis, o campeão do ano anterior, Giuseppe Farina, ganhou na Bélgica e assumiu a ponta da tabela. Fangio venceu na França em dupla com Luigi Fagioli e recuperou a liderança.

Na Inglaterra, a Ferrari conquistou a primeira de suas 224 vitórias, com o argentino Froilán González, mas Fangio chegou em segundo e ampliou a vantagem no campeonato. Mas Alberto Ascari reagiu no Mundial com duas vitórias consecutivas, na Alemanha e na Itália, e ficou a apenas dois pontos de Fangio (27 a 25, já com os dois descartes previstos pelo regulamento), levando a decisão do título para a última prova, nas ruas de Barcelona, na Espanha.

Ferrari e Alfa Romeo se armaram com o que tinham de melhor para o exigente circuito de Pedralbes, de 6.316 metros. Cada equipe levou quatro carros para a disputa. A Fangio e Ascari bastava vencer a prova, e o italiano começou melhor, ao conquistar a pole position, logo à frente do argentino.

Ascari largou mais rápido, seguido por González, Farina e Fangio. Mas González logo caiu para quinto, enquanto Fangio se livrou do companheiro Farina e partiu para cima de Ascari, conseguindo a ponta na quarta volta. Rapidamente, passou a falhar a estratégia da Ferrari de usar pneus menores – sim, nessa época não havia uma uniformidade no regulamento – e, com isso, Fangio disparou na frente.

Tranquilo na ponta, ele passou a poupar o equipamento, já que a previsão era de incríveis 70 voltas, o que totalizava 442 quilômetros – bem mais do que os 310 de hoje. Com os problemas de pneus, Ascari ficou duas voltas atrasado, afinal um pitstop durava minutos e não apenas os dois segundos da atualidade.

Após mais de 2h46min de prova, Fangio cruzou a linha de chegada com 54 segundos de vantagem para o compatriota González e 1min45s à frente do terceiro colocado Farina. Com a terceira vitória na temporada, Fangio chegou a 31 pontos válidos contra 26 de Ascari, o quarto colocado na Espanha.

Aos 40 anos, Juan Manuel Fangio entrava para a História como o segundo campeão mundial da Fórmula 1. Mas História mesmo ele faria no restante da década, com mais quatro conquistas, em 1954, 1955, 1956 e 1957. Passaria a ser considerado inatingível.

Até que surgiram Michael Schumacher e seus sete títulos.

Mas essa é outra história e fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Fred Sabino, 35 anos, é jornalista esportivo. Trabalhou por dez anos no Grupo LANCE!, onde foi repórter, editor do LANCENET! e editor do núcleo Motor do Diário LANCE!. Desde 2012 está no SporTV, no qual trabalhou no programa “Linha de Chegada” e no Núcleo de Produção; agora é editor no “Tá na Área” e comentarista de automobilismo do canal.

O GP da Espanha:

A temporada de 1951:

+MAIS:

– Wikipedia

– Wikipédia

– formula1.com

– museofangio.com

– f1pulse.com

– dfwsaver.com

– veja.abril.com.br

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