Nasce o Dream Team

Há 25 anos… dia 21 de setembro de 1991.

Nasce o Dream Team

POR ARTHUR MELLO*

A supremacia norte-americana no basquetebol tem sua raiz na própria invenção do esporte, por James Naismith, em 1891. As 13 regras básicas foram escritas pelo canadense de Ontário, que faria carreira de professor em Michigan e no Kansas, se tornaria cidadão americano e emprestaria o nome para o Hall da Fama do basquete.

As sucessivas derrotas dos times amadores americanos para a União Soviética em Jogos Olímpicos ao longo dos anos 1980 são icônicas e impulsionaram uma decisão tomada em 17 de abril de 1989. Naquele dia, a Federação Internacional de Basquete liberava os jogadores profissionais da NBA a participarem de campeonatos organizados por ela. Naquele dia, o destino do maior time da História do basquete e dos esportes coletivos foi selado.

Em 1989, a NBA era dominada por um baixinho do Detroit Pistons chamado Isiah Thomas. Depois de mais de uma década de soberania dos rivais e amigos Magic e Bird, o estado onde o jogo foi inventado – Michigan – era coroado campeão. Naquele momento, a participação das estrelas da NBA em Olimpíadas ainda era sequer cogitada. Até pouco tempo atrás, os campeões da liga americana se auto intitulavam campeões mundiais e em 1989 era esse o clima.

A aposentadoria forçada de Magic Johnson, em virtude de sua recém descoberta sobre o HIV positivo, de alguma forma, acendeu a faísca para que o inesquecível Dream Team fosse viável. Naquela altura, a liga já tinha um novo xerife e a presença de Michael Jordan em uma turnê de “despedida” de Magic do esporte era fundamental para que tudo fosse possível.

Determinado como sempre, Magic foi capaz de convencer Bird a atrasar a aposentadoria (também precoce, em virtude de seguidas contusões nas costas) por alguns meses e lá partiram os dois fazer a cabeça do maior de todos. Jordan não aceitou inicialmente. O verão era a época de descanso do corpo e da cabeça, em intermináveis partidas de golfe. A dupla, então, apelou para a ultra competitividade do armador dos Bulls, que já tinha uma medalha de ouro em 1984, mas agora fazia questão de mostrar para o mundo quem mandava.

A partir daí, participar do time que representaria os EUA em Barcelona passou a ser um privilégio disputado a tapa. Todos tinham noção da geração de jogadores e fazer parte daquele elenco era um passaporte certo para o Hall da Fama.

Rumores e boatos persistiram até o ultimo dia. Seriam 11 jogadores profissionais e 1 amador. A lista é impressionante. Com exceção do amador Christian Laettner, todos os jogadores se confirmaram no Hall da Fama.

Naquele 21 de setembro de 1991, Michael Jordan, Scottie Pippen, John Stockton, Karl Malone, Larry Bird, Chris Mullin, Magic Johnson, Patrick Ewing, Charles Barkley e David Robinson foram anunciados. A lista final contou ainda com Clyde Drexler e o próprio Laettner.

Para quem teve o prazer de ver, foi realmente inesquecível. São tantas as histórias do esquadrão que renderam um livro escrito por Jack McMullan.

A grande controvérsia foi a exclusão de Isiah Thomas. A ausência fica ainda mais polêmica porque Chuck Daily, técnico dos Pistons, foi o comandante do Dream Team. Até hoje, Jordan nega que tenha condicionado sua presença a não convocação de Thomas. Mas, segundo o próprio Isiah, ser o líder dos Bad Boys de Detroit e, teoricamente, ter liderado um boicote a Jordan quando este era apenas um rookie não ajudou muito. O maior de todos sempre foi conhecido por sua “boa memoria” com os rivais…

Duas histórias preferidas são marcantes pra mim. Primeiro, sobre a primeira cesta do Dream Team. Depois de um pulo bola, Magic pede a bola, avança para o ataque e encontra Bird. Larry ataca a defesa de Cuba e arremessa para fazer os dois primeiros pontos.

A segunda é mais antológica ainda e resume o que vimos ao longo da trajetória do time. Perguntado por repórteres o que ele conhecia sobre Angola, o primeiro adversário do Dream Team em Barcelona, o irreverente Barkley responde, sem piscar: “Eu não sei nada sobre Angola, mas Angola está em apuros”.

Tem também aquela de Jordan e seus jogos de golfe, as apostas, os treinos, a ida de um incólume Stockton às Ramblas de Barcelona entre tantas outras.

Mas isso fica para outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Arthur Mello é apaixonado por basquete há muito tempo. Do Dream Team, só viu Magic Johnson ao vivo, infelizmente.

Apresentação dos jogadores, no primeiro jogo do Dream Team:

Fontes e +MAIS:

– nba.com

– articles.latimes.com

– theundefeated.com

– marca.com

– Wikipedia

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