Neto, 50 anos

9 de setembro de 1966

Neto, 50 anos

“Olha o cruzamento na grande área… Goooooooooolaço! Golaço! Golaço! Gênio! Gênio! De bicicleta, Neto, para o Guarani! Um gol para todo mundo ir embora! Um gol para comemorar por muitos e muitos anos seguidos! Neto, esse gigante! Um monstro de jogador!”

A bola veio da direita, à meia-altura, na marca do pênalti. O camisa 10 do Guarani emendou uma bicicleta de perna direita, que não era a boa. A bola saiu forte e entrou no cantinho direito, sem chance para Ronaldo. Na comemoração, braços abertos, o garoto de 21 anos soltou frase que ficou para a história: “Eu sou foda!”. Mais marcante e emblemático seria o seu segundo pensamento depois do golaço, quase uma profecia: “Já pensou se eu marco um gol desse com a camisa do Corinthians?”.

A narração emocionante de Luciano do Valle faz jus à beleza e importância daquele gol. Era final de campeonato, o Paulistão de 1988. Corinthians e Guarani. O cronômetro marcava 45 minutos do primeiro tempo quando o melhor jogador do time de Campinas calou o Morumbi lotado. Depois, o Corinthians empataria o jogo e conquistaria o título com vitória na prorrogação do segundo confronto, gol do reserva Viola. O resto é história.

Pouco mais de um ano depois daquele gol de bicicleta, o garoto abusado de Santo Antônio de Posse, interior de São Paulo, chegaria ao Parque São Jorge para escrever uma das páginas mais bonitas de um jogador com a camisa do Sport Clube Corinthians Paulista. “Serei o sucessor de Rivellino”, disse, em uma das primeiras entrevistas no Timão.

Foi além. O Reizinho do Parque ficou marcado por não ter conquistado nenhum título em 10 anos de história no clube. Já Neto será sempre lembrado como o cara que trouxe o primeiro título brasileiro ao Corinthians. Foram mais de 200 jogos com a camisa alvinegra e 80 gols, muitos de falta, a sua grande especialidade.

Antes de se tornar o Xodó da Fiel, Neto teve passagens pelos dois grandes rivais do Timão. Em 1987, foi emprestado por seis meses ao São Paulo, mas não se firmou. No início de 1989, depois de ter sido destaque do Guarani no Paulistão de 1988 e da seleção brasileira medalha de prata na Olimpíada de Seul, no mesmo ano, Neto foi para o Palmeiras.

No time alviverde, perdeu a camisa 10 para o ídolo do momento, Edu Manga, teve problemas com o técnico Emerson Leão e acabou envolvido em troca de jogadores com o Corinthians. Neto e o lateral-esquerdo Denys foram para o Parque São Jorge, enquanto o meia Ribamar e o também lateral-esquerdo Dida desembarcaram no time de Palestra Itália. O tempo acabou provando que o Corinthians se deu muito melhor com as trocas. Principalmente, por causa de Neto.

Em pouco mais de seis meses, ele se transformou no principal jogador do time. Estreou com a camisa corintiana em partida contra o Sampaio Corrêa, do Maranhão, no Pacaembu, pela Copa do Brasil de 1989. Os primeiros gols vieram contra o Tiradentes, de Brasília, também pela Copa do Brasil e também no Pacaembu. Na goleada por 5 a 0, marcou em chute forte, da entrada da área. Adivinha como foi o outro? De falta, claro. A bola entrou no ângulo esquerdo do gol do Tiradentes.

Naquele segundo semestre de 1989, o Corinthians acabou eliminado pelo Flamengo na Copa do Brasil e ficou apenas em sexto lugar no Campeonato Brasileiro. Os resultados modestos não impediram que Neto se firmasse cada vez mais como grande jogador do time.

O ano de 1990 começava com Neto líder, camisa 10 e capitão. Apesar de derrotada pelo futuro campeão paulista, o Bragantino, treinado por Vanderlei Luxemburgo, a equipe ganhava corpo, principalmente depois da chegada do técnico Nelsinho Baptista, vice-campeão em São Paulo com o Novorizontino.

Um time formado por jogadores “operários”, como Wilson Mano, Guinei, Jacenir, Márcio, e um grande goleiro, Ronaldo. Neto era o craque. E fazia a diferença. No Brasileirão de 1990, no segundo semestre, fez chover. Marcou nove dos 23 gols anotados pelo time, cinco em cobranças de faltas.

O jogo que imortalizou Neto com a camisa do Corinthians foi o primeiro das quartas-de-final, contra Atlético-MG, no Pacaembu. O Galo abriu o placar, aos 15 minutos do primeiro tempo, o que obrigava o Timão a vencer por 2 a 0 em Belo Horizonte. A 15 minutos do final da partida, Neto ganhou de cabeça do grandalhão Cléber e empatou o duelo.

A Fiel foi à loucura. Mas faltava mais um para comemorar a vitória e ir tranquilo para Minas. Aos 40 minutos, Paulo Sérgio fez novo cruzamento da esquerda, dessa vez rasteiro. O talismã Tupãzinho abriu as pernas e Neto chegou batendo firme, de pé esquerdo, para virar o jogo e botar o Pacaembu abaixo.

Na comemoração, inventou o gesto que seria sua marca. Com o gramado molhado, Neto deslizou o corpo, de joelhos, e ergueu o braço, com o punho fechado. No confronto de volta, sem ele, suspenso por cartão amarelo, o Corinthians segurou o empate sem gols e se classificou para as semifinais, contra o Bahia.

O primeiro duelo teve o mesmo cenário do jogo contra o Atlético-MG. Chuva, Pacaembu lotado, tensão, emoção. E Neto protagonista. O time baiano abriu o placar com Wagner Basílio. Aos 12 minutos, o camisa 10 corintiano começou seu novo show. Em escanteio cheio de efeito, obrigou Paulo Rodrigues a marcar o gol contra.

No segundo tempo, aos 18 minutos, Neto aproveitou o terreno molhado e cobrou falta rasteira. A bola bateu na grama, subiu e entrou em cima do gol do Bahia. Placar de 2 a 1 e vantagem para o jogo em Salvador. Novo empate sem gols e classificação para a final, contra o rival São Paulo.

O tricolor já tinha Telê Santana no banco e um time arrumadinho. No primeiro jogo, em noite chuvosa de uma quinta-feira, Neto cobrou a falta que resultou no gol de joelho de Wilson Mano, logo aos 4 minutos. Depois, o Timão cozinhou o jogo e segurou a vitória, o que dava a vantagem do empate no confronto final. No domingo, o Morumbi tinha mais de 100 mil pessoas, a maioria corintiana, que esperava celebrar o primeiro título nacional. E ele veio.

Neto não foi brilhante, mas participou da jogada do gol de Tupãzinho, aos 11 minutos do segundo tempo. O camisa 10 foi substituído pelo volante Ezequiel já no finalzinho do jogo e comemorou muito ao apito final do árbitro. “Nós merecemos, professor!”, disse, ao técnico Nelsinho Baptista.

“Tenho que agradecer a Deus pelo título de 1990 todos os dias. Ele me reservou isso. Se eu não tivesse sido campeão brasileiro pelo Corinthians não teria sido o mesmo jogador. Ia faltar aquela marca”, afirmou Neto, posteriormente. Realmente, o título nacional, o primeiro da história do Corinthians, marcou o jogador para sempre. Neto é e sempre será o Xodó da Fiel.

No ano seguinte, o Corinthians não conseguiu manter o desempenho de 1990. Foi eliminado pelo Boca Juniors na Copa Libertadores, vice-campeão do Campeonato Paulista, desclassificado pelo Grêmio na Copa do Brasil e apenas quinto lugar no Campeonato Brasileiro. Mas Neto fez ótima temporada e ganhou a Bola de Prata da revista Placar.

Em jogo contra o Flamengo, no Maracanã, pelo Brasileirão de 1991, ele fez um gol improvável. Quase do meio de campo, bateu falta no ângulo do goleiro Gilmar. No mesmo ano, em clássico contra o Palmeiras, Neto foi expulso e cuspiu no árbitro José Aparecido de Oliveira. Recebeu suspensão de mais de dois meses e ficou de fora da final do Paulistão, em que o Corinthians foi derrotado pelo São Paulo de Raí.

Em 1992, com o fim da suspensão, voltou aos gramados, mas não conseguiu ajudar o Timão nas disputas do Paulista e Brasileiro. Ainda assim, fez obras-primas, como um gol de bicicleta justamente em cima do Guarani, no Pacaembu. No ano seguinte, o Corinthians perdeu o título paulista para o Palmeiras e Neto começou a se despedir.

Depois da chegada de Mário Sérgio, perdeu espaço para jogadores mais novos e deixou o Timão. No final de 1996, retornou ao Parque São Jorge depois de passagens inexpressivas por Santos e Atlético-MG, entre outros. Neto disputou mais 20 jogos com a camisa alvinegra e marcou um gol. De falta, é claro. Na reserva, assistiu o time ser campeão paulista em 1997.

Em 1998, vê seu nome em uma lista de dispensa do técnico Vanderlei Luxemburgo e coloca ponto final da bela história com o manto corintiano.

Hoje comentarista, Neto sempre será o Xodó da Fiel.

Fontes e +MAIS:

– Wikipédia

– craqueneto10.com.br

– Livro Os dez mais do Corinthians, de Celso Unzelte

– corinthians.com.br

– terceirotempo.bol.uol.com.br

– torcedores.com

– meutimao.com.br

– tudotimao.com.br

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