Vinicius e Baden terminam a gravação de Os Afro-Sambas

Há 50 anos… dia 6 de janeiro de 1966.

Vinicius e Baden terminam a gravação de Os Afro-Sambas

POR RODRIGO MELLO*

A maioria das pessoas que gosta de música brasileira chega a Vinicius de Moraes rapidamente, seja pela fase Toquinho, a final, seja pela Bossa Nova, o início. E, chegando ao Vinicius, é inevitável chegar ao Afro-Sambas.

Porém, entrar nesse terreiro é mais difícil do que mergulhar em outras fases musicais do poetinha. Não que seja um álbum hermético. É que a sonoridade e a temática nos obrigam a um transporte no tempo, e isso é sempre difícil.

O primeiro transporte é para o momento de composição e gravação da obra, os anos 1960, a década que acolheu tudo. Podia ser um “Tempo de Amor” pra quem assim o quisesse, e Vinicius e Baden assim o quiseram; se um amigo é um amor, os dois viveram a cumplicidade dos grandes amores, e dessa sintonia surgiu a antologia mágica que viemos a conhecer por Afro-Sambas, inclusive as canções que não estão no álbum, mas são fruto dessa sublimação dos dois (“Berimbau”, por exemplo).

É um disco experimental, que parece temático, com canções que se assemelham a mantras, girando circularmente em torno do violão de Baden e das letras místicas e, por que não dizer, sacras de Vinicius (mais sobre o assunto aqui). Esse é o “primeiro passado” do álbum: dá pra dizer que é o tempo da metade samba, quando a Bossa Nova já havia indicado os caminhos de sincretismo do ritmo brasileiro com outras fontes musicais e temáticas.

O segundo é mais remoto: é o tempo da África, o álbum como monumento de um pilar da brasilidade. Ouvir Afro-Sambas é fazer o mesmo trajeto que fez Pierre Verger, que fizeram Caymmi e Jorge Amado. Narrar o Brasil a partir da Bahia, do candomblé, do mar dos pescadores, da capoeira. O álbum parece evocar “Mar Morto”, quando Guma ouve ao fundo um violeiro choroso cantando que “É Doce Morrer no Mar”, ou “Tenda dos Milagres”, quando Pedro Arcanjo luta pelo direito de venerar seus deuses negros.

“Essas antenas que Baden tem ligadas para a Bahia e, em última instância, a África, permitiram-lhe realizar um nôvo sincretismo: carioquizar, dentro do espírito do samba moderno, o candomblé o afro-brasileiro, dando-lhe ao mesmo tempo uma dimensão mais universal”, escreve Vinicius, no texto de contracapa do disco, lançado em fevereiro de 1966.

Afro-Sambas é um hino não-oficial do Brasil.

* Rodrigo Mello, 39, psicólogo e professor, considera Os Afro-Sambas uma das obras-primas da Música Popular Brasileira.

P.S. do éfemello: “Ah, que não seja meu/O mundo onde o amor morreu”!

Ouça!:

“Tempo de Amor”, com Baden e a cantora Márcia, em trecho do documentário “Saravah”, de Pierre Barouh:

Fontes e +MAIS:

– Wikipédia

– Texto de Vinicius na contracapa

– luizamerico.com.br

– colunas.cbn.globoradio.globo.com

– namiradogroove.com.br

– revistamododeusar.blogspot.com.br

– brazil-on-guitar.de

– beatrix.pro.br

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4 comentários sobre “Vinicius e Baden terminam a gravação de Os Afro-Sambas

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