A essência da vitória de Sabatini

Há 25 anos… dia 8 de setembro de 1990.

 

POR FERNANDO POFFO *

Hoje sinônimo de perfume nos quatro cantos do planeta, há 25 anos a argentina Gabriela Sabatini atingia o ponto máximo de sua carreira no tênis. No dia 8 de setembro de 1990 ela derrotou por 2 sets a 0 a então praticamente imbatível alemã Steffi Graf na final do US Open e conquistou o único Grand Slam de sua carreira. “Cheguei ao céu naquele dia”, costuma dizer Sabatini sempre que comenta sobre a partida, inclusive em recentes entrevistas que concede mundo afora, especialmente em um dos mais de 70 países em que as fragrâncias de sua marca são vendidas – no Brasil, onde seu perfume é sucesso, repetiu a declaração para a Revista Tênis, do UOL, e ao Estrelas, da TV Globo.

Quando Sabatini fala em sentir-se no céu não é exagero. A argentina costuma elogiar muito a amiga Steffi Graf, que a obrigava a atuar sempre com a máxima potência, como naquele 8 de setembro. Na ocasião, a oponente era número 1 do mundo, buscava o terceiro título seguido do US Open e só fazia acumular os triunfos que a fazem recordista em vários quesitos do tênis profissional até hoje, sendo apontada por muitos como a maior jogadora da história da modalidade. Mas essa é outra discussão, na qual números e preferências por estilos de jogo podem fazer um fã argumentar em favor de Graf, Martina Navratilova, Chris Evert e, claro, a norte-americana Serena Williams, que na atual edição do US Open, por exemplo, entre outras marcas, tenta igualar dois feitos da alemã: o número de títulos em Grand Slams – 22 a 21; e conquistar os quatro Grand Slam do mesmo ano. [NOTA DO EDITOR: Serena Willians entra em quadra hoje, terça-feira, à noite, pelas quartas-de-final do torneio, contra a irmã Venus]

Ajuda brasileira para bater Steffi Graf

Diante da rival com quem já havia vencido Wimbledon como parceira nas duplas dois anos antes e para quem perdera duas vezes seguidas no mesmo US Open (final de 88 e semi de 89), Gabriela sabia que precisava atuar de maneira diferente. Ela havia enfrentado a rival 21 vezes e perdido 18 até então (fechou a carreira em 11-29).

A única estratégia possível era colocar em prática um jogo mais agressivo e eficiente, que ela vinha treinando com o técnico brasileiro Carlos Alberto Kirmayr, profissional que a argentina aponta como fundamental para essa vitória, especialmente por ter trabalhado bem o aspecto emocional e a deixado confiante. Além disso, Gabriela colocou na cabeça que precisava vencer rapidamente, pois não havia dormido bem justamente por ficar pensando na vitória e seria difícil ganhar um eventual terceiro set, ainda mais contra a experiente Steffi.

Com a ideia de ser surpreendentemente agressiva e confiante para soltar sua direitaça na bola e subir várias vezes à rede, Gabriela atropelou Steffi no primeiro set do jogo que já iniciou quebrando o serviço da alemã duas vezes, abriu 4-0 e depois fechou sem sustos em 6-2. A alemã voltou para o segundo set mais no jogo e o duelo ficou equilibrado. Até Gabriela voltar a brilhar no tie-break, fechar em 7-6 (4) e conquistar o seu mais importante título de uma carreira.

O tie-break, aliás, um resumo do equilíbrio entre elas na troca de bolas, da genialidade de Graf no lance em que abriu 3-1 e da confiança em Sabatini para se recuperar, soltar a direita e subir à rede com eficiência, inclusive para a paralela final depois de seu saque voltar caprichosamente no topo da rede e a bola subir perfeita para receber o golpe do jogo.

No fim, saltos de alegria que a levaram ao céu foram contagiantes, assim como a emoção do público diante do maior momento de uma tenista exuberante.

Resumo da vitoriosa carreira

Sabatini começou e encerrou a carreira precocemente, cansada da rotina da competição e da incômoda pressão da imprensa, que a transformou em “musa” e seguia seus passos insistentemente atrás de qualquer nota. O que, hoje, até parece não ser invasivo, de tão natural que se tornou criar “musas” atrás de cliques.

A tenista que começou a jogar aos 6 anos de idade e parou aos 26, ganhou tudo e chegou a número 1 do mundo antes de se profissionalizar, foi muito mais do que um rostinho bonito entre as tops. Ela fez semi em Roland Garros aos 15 anos de idade, venceu um jogo do US Open ainda como amadora e chegou a ser a terceira do mundo no profissional. Ainda esteve a dois pontos de chegar ao topo do ranking no dia em que perdeu a final de Wimbledon de 1991. Ganhou 27 títulos em simples e uma prata olímpica em Seul, além de 14 torneios em duplas, na qual também foi terceira do mundo.

* Fernando Poffo, 36, é jornalista especializado em SEO e não se surpreendeu pelo termo “Gabriela Sabatini” apresentar apenas referências ao perfume na primeira página da busca orgânica do Google e lamentou ver que a argentina só apareceu na 18ª posição, com mais destaque para “musa dos anos 90” do que pela história como tenista.

O decisivo e emocionante tie-break:

Fontes:

Wikipedia

Wikipedia

Revista Tênis

– Estrelas

US Open

WTA

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