Programa Jovem Guarda estreia na TV Record

Há 50 anos… dia 22 de agosto de 1965.

Programa Jovem Guarda estreia na TV Record

POR ROBERTO FIGUEIREDO MELLO*

“O futuro pertence à jovem guarda, porque a velha está ultrapassada”.

Curioso que a frase de um discurso de Lênin, sim, aquele mesmo, o “camarada”, tenha inspirado o nome da nova atração que a TV Record de São Paulo inventou para as tardes de domingo, em lugar do futebol, que não podia mais ser transmitido ao vivo.

Hoje, olhando pra trás, parecia inevitável que algum espaço para esse público seria criado pela Record, pois O Fino da Bossa, de Elis e Jair, e o Bossaudade, Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro, foram lançados, respectivamente, em maio e julho de 1965.

O inusitado e genial foi aproveitar um horário incomum para esse tipo de programa e transformá-lo numa das maiores audiências da Record.

O Programa Jovem Guarda estreou no dia 22 de agosto de 1965 e sua criação publicitária foi encomendada à agência Magaldi, Maia & Prosperi, que se encarregou da sequência do desenvolvimento dos produtos que nasceram na atração – Calhambeque, Ternurinha, Tremendão e outros.

Consultando as diversas fontes, há bastante controvérsia sobre a escolha ter recaído sobre Roberto Carlos, mas parece que, sem dúvida, o primeiro convite foi dirigido a Celly Campello, que o recusou, pois havia decidido dar um tempo na carreira.

O sucesso de Roberto vinha desde 1962, quando lançou “Malena” e, numa sequência alucinante, “Splish Splash”, “Parei na Contramão”, “Quero me Casar Contigo”, “É Proibido Fumar”, “Calhambeque”, “História de um Homem Mau”.

Foi em maio de 1964, quando veio a São Paulo para participar do programa Astros do Disco, da Record, e do Festival da Juventude, de Antônio Aguilar, na TV Excelsior, que Roberto Carlos teve consciência de que aqui as coisas estavam acontecendo na música.

Menos de um ano depois, aceitar o convite, trazendo os já amigos Erasmo e Wanderléia, não foi uma decisão difícil.

O sucesso foi imediato e estrondoso.

Como adolescente paulistano, morando muito próximo ao Teatro da Consolação, todo aquele agito ficou muito evidente para a nossa turma de amigos! Algumas vezes, íamos à paquera no fim do programa, tal a quantidade de meninas que esperavam a saída do futuro Rei e seus súditos. Em outras, íamos até a Rua Albuquerque Lins para ficar na frente do prédio onde ele morava em São Paulo e que também ficava cheio de meninas na porta.

A influência das novas expressões – bicho, mora, brasa, carango, pão, papo-firme – no palavreado da juventude da época deixa suas marcas até hoje.

O programa foi também a oportunidade para muitos artistas jovens e permitiu que todos se abrigassem num guarda-chuva só – a turma da Jovem Guarda!

Wanderlei Cardoso, Jerry Adriani, Demétrius, Martinha, Leno & Lilian, Os Vips, The Jet Blacks, Renato e seus Blue Caps, Os Incríveis, Deny e Dino, The Fevers, Meire Pavão, Bobby di Carlo, The Jordans, Trio Esperança, Os Golden Boys, Rosemary, Eduardo Araujo, Silvinha, Ed Wilson, Waldirene, Dori Edson, Marcos Roberto, Prini Lores, uma longa lista…

Foi também um suspiro para os pioneiros do rock que andavam um pouco esquecidos – Sérgio Murilo, George Freedman, Tony Campello, Ronnie Cord.

Em 1966, “Quero que Vá Tudo pro Inferno” levou Roberto à categoria de mito e Rei, posto que ele nunca mais deixou.

No embalo daquele grande sucesso, foram memoráveis os programas que recolheram doações para os desabrigados nas noites frias de inverno.

Histórias à parte:

Ronnie Von – virou inimigo e ganhou um programa exclusivo.

Jorge Ben – tocou muito no programa porque já era um inclassificável entre a Bossa Nova e a Jovem Guarda.

Sérgio Reis – grande sucesso com “Coração de Papel”, bem antes de virar o famoso sertanejo!

“Festa de Arromba” é uma leitura muito fiel do que eram aquelas jovens tardes de domingo que tanto marcaram várias gerações, entre as quais a minha.

Roberto liderou o Jovem Guarda até janeiro de 1968. Erasmo e Wanderléia até o seu final, em outubro daquele mesmo ano.

Naquele mesmo 1968, o Brasa foi a San Remo e… Bem , essa é outra história.

E fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

*Roberto Figueiredo Mello é advogado e paulistano.

Arquivo Record relembra a Jovem Guarda:

Fontes e +MAIS:

Livro No embalo da Jovem Guarda, de Ricardo Pugialli

Wikipédia

– zh.clicrbs.com.br

virgula.uol.com.br

– jovempan.uol.com.br

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