Bernard Hinault vence Tour de France pela 5ª e última vez

Há 30 anos… dia 21 de julho de 1985.

Bernard Hinault vence Tour de France pela 5ª e última vez

POR ALEXANDRE AGABITI FERNANDEZ*

O Tour de 1985 foi o quinto e último vencido por Bernard Hinault. Desde então nenhum ciclista francês conseguiu ganhar a prova. Naquele ano, Hinault estava em uma situação única na carreira: favorito absoluto, dividia a liderança da equipe La Vie Claire com o jovem norte-americano Greg LeMond (terceiro no Tour de 1984 e que venceria a prova em 1986, 1989 e 1990). O acordo previa que a liderança seria compartilhada até o momento em que um deles se destacasse, quando passaria a contar com a colaboração do outro.

Fiel a seu estilo agressivo, que lhe rendeu o apelido de “blaireau” (texugo, em francês, pequeno mamífero dotado de uma mandíbula potente, cheia de dentes afiados, e de uma obstinação que não deixa a presa escapar), Hinault não esperou para atacar: começou vencendo o prólogo –um curto contrarrelógio individual – e conquistou a camisa amarela, com 21segundos de vantagem sobre LeMond, o sexto.

Hinault perdeu a camisa amarela na etapa seguinte, mas recuperou-a ao vencer a oitava etapa, um contrarrelógio de 75 km, com 2min26s de vantagem sobre o norte americano. Na classificação geral, Hinault estava 2min32s à frente de LeMond.

Nos Alpes, o francês aumentou a vantagem. Mas a vitória ainda não estava garantida. Hinault caiu perto da chegada da 14ª etapa, fraturou o nariz e perdeu quase dois dos cômodos 5min23s de vantagem que acumulava sobre LeMond. Na 17ª etapa, durante a subida do Col de Luz Ardiden, nos Pireneus, Hinault perdeu um pouco de tempo, o que animou LeMond a reivindicar o direito de atacar o francês. Mas Paul Koechli, o chefe da equipe, não permitiu. LeMond manifestou seu desagrado, mas acabou fazendo um pacto com Bernard Tapie, o dono da equipe: no Tour do ano seguinte ele seria o líder e teria o francês a seu serviço, o que só aconteceu depois de ataques de Hinault nas montanhas, que provocaram muita tensão entre ambos, pois o francês queria vencer a prova pela sexta vez, o que teria sido um recorde na época. (LeMond venceu o Tour de 1986, com Hinault em segundo).

Nas etapas de montanha seguintes, Hinault enfrentou dificuldades por conta das consequências da fratura, que o impediam de respirar pelo nariz, mas LeMond respeitou o acordo e o francês venceu a prova com 1min42s de vantagem sobre o norte-americano, segundo colocado.

Desde então, Hinault é frequentemente chamado para explicar por que nenhum francês conseguiu vencer o Tour depois dele. A resposta vem com a franqueza que o caracteriza: “Os franceses não treinam duro”.

* Alexandre Agabiti Fernandez é jornalista, tradutor e apaixonado por ciclismo há mais de quatro décadas.

A etapa de Luz Ardiden:


O jejum francês

POR LEANDRO BITTAR*

Tem sido assim por três décadas: comemora-se o último título de Bernard Hinault e reacende-se o debate sobre quando um francês voltará a vestir a camisa amarela em Paris. A resposta é totalmente imprevisível. Porém, uma coisa é certa. Não será esse ano.

Desde a aposentadoria de Hinault, a chance mais próxima de um camisa amarela francês pertence a outro ciclista da mesma geração, Laurent Fignon, derrotado por apenas 8s pelo norte-americano Greg LeMond, em 1989. Se aquela derrota foi tão sofrida, ninguém imaginava que as chances de protagonismo se tornariam cada vez mais remotas.

Nos anos 1990/2000, dominados por estrangeiros, os franceses viveram de pequenos lampejos e classificações secundárias, como o heptacampeonato da camisa de montanha de Richard Virenque ou a polivalência de Laurent Jalabert, campeão por pontos e também Rei da Montanha.

Depois de Jalabert, o cenário piorou mais um pouquinho e a França viu seu pior momento com nomes aquém de sua tradição no esporte, como Sandy Casar, Christophe Moreau, David Moncoutié. Os franceses sonhavam e os resultados sempre os traziam de volta para a realidade.

Coadjuvantes, passaram a buscar nas fugas as suas principais alegrias, que lhes permitiam alguns dias de amarelo com ciclistas de trajetória meteórica, como Cyril Dessel, em 2006, e Romain Feillu, em 2008. Sylvain Chavanel, de melhor estirpe, também foi líder por dois dias em 2010, após a segunda e depois após a sétima etapa, vencida por ele.

Curiosamente, a sorte francesa começou a mudar quando um ciclista atacante e carismático, Thomas Voeckler, liderou a camisa amarela por dez dias no TdF 2011 e, dia após dia, resistia em largar a liderança. Ao final, deu a lógica e manteve-se o tabu: o australiano Cadel Evans venceu a prova e ele ficou na honrosa quarta colocação.

Uma nova geração, então, surgiu e reacendeu as esperanças gálicas de vez. Três nomes brigaram diretamente pelo título do Tour de France do ano passado, sendo que dois deles, Jean Christophe Peraud (Ag2r) e Thibaut Pinot (FDJ), respectivamente, terminaram em segundo e terceiro na classificação geral, superados apenas pelo italiano Vincenzo Nibali (Astana). Pinot foi também o melhor sub-25, vestindo a camisa branca.

Além deles, brilharam o escalador Romain Bardet (Ag2r), sexto colocado – muito por trabalhar por Peraud –; Pierre Rolland, 11º depois de um bom papel no Giro d’Italia, e o potente Tony Gallopin (Lotto-Soudal), vencedor de uma etapa e que, como bônus, vestiu a camisa amarela no dia seguinte.

Neste ano, a disputa está mais seletiva e só os mais nacionalistas acreditavam no fim da seca francesa. Para piorar, esses jovens talentos sofreram com o nível técnico elevado e também com um pouco de azar, se envolvendo em problemas mecânicos/tombos que eliminaram suas chances de pódio. Mesmo assim, no ano que completam trinta anos de seca, os franceses parecem ter motivos para sonhar. E, parafraseando o clichê, sempre haverá Paris. Sempre haverá o Tour. E esse título será sempre francês.

* Leandro Bittar é jornalista e apaixonado pelo ciclismo.

+MAIS:

Wikipedia

bikeraceinfo.com

– fr.news.yahoo.com

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