Primeiro filme dos irmãos Coen estreia nos EUA

Há 30 anos… dia 18 de janeiro de 1985.

Primeiro filme dos irmãos Coen estreia nos EUA

POR FELIPE TOMAZELLI*

A América dos ordinários. Simples. Seca. Assim é “Gosto de Sangue” (“Blood Simple”), o primeiro longa-metragem dos aclamados diretores Joel e Ethan Coen. Um anti-épico bem ao estilo dos irmãos.

Como em “Fargo” e “O Grande Lebowski”, consagrados filmes da dupla, a trama de “Gosto de Sangue” é uma intrincada rede de maus entendidos que desloca os personagens e os leva a reações desesperadas, muitas vezes absurdas.

Julian Marty (Dan Hedaya) é o dono de um bar em uma pacata cidade do Texas. Ele desconfia que sua mulher, Abby (Frances McDormand), está o traindo com Ray (John Getz), um de seus empregados. Marty contrata um detetive para segui-los e, ao confirmar as suspeitas, decide acabar com a vida dos dois. A tarefa fica, mais uma vez, a cargo do investigador.

É impressionante a maneira como a história é conduzida. O espectador sempre sabe algo que os personagens em cena não sabem. Eles parecem decidir de forma racional. Porém, todas as decisões são tomadas a partir de informações erradas ou insuficientes. O que nos leva a outro grande mote dos Coen: o absurdo. A loucura toma conta das situações cotidianas e o espectador é convidado a se livrar do simplismo. Nada é o que parece.

Os Coen, como o contemporâneo Tarantino, já carregavam em seu filme de estreia atores que iriam acompanhá-los durante toda a carreira. Frances McDormand, por exemplo, ganhou o Oscar de Melhor Atriz com “Fargo”, 11 anos depois de seu primeiro papel em um longa dos irmãos. As premissas, os tipos e as situações também são sempre retomados a cada novo lançamento.

Faroestes urbanos que nos colocam em situações de xeque e que mostram como é tênue a linha entre o comportamento civilizado e o completo caos. E assim, filme a filme, Joel e Ethan Coen nos convidam a olhar o que há de absurdo nas cenas do cotidiano daqueles que são invisíveis, os homens pequenos. Ao espectador cansado do casamento de Hollywood com as narrativas épicas, os filmes destes dois grandes cineastas funcionam como um poderoso colírio.

* FELIPE TOMAZELLI é diretor, roteirista e montador. Hoje, na Trilha Mídia, dedica-se à criação e produção de documentários.

Trailer:

+MAIS:

– IMDb

– history.com

– theatlantic.com

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