Cassius Clay é o novo campeão dos pesos pesados

 Há 50 anos… dia 25 de fevereiro de 1964.

25fev14e

Salve Cassius Marcellus Clay

Soul brother, soul boxeur, soul man

Ele ainda era Cassius Marcellus Clay, como diz a bonita homenagem de Jorge Ben e Toquinho, presente no disco do Babulina, Negro é lindo (1971).

Soul brother de Malcom X e de Jim Brown.

Soul boxeur de singularidade e de atitude.

Soul man de ginga e de língua.

Há 50 anos, ele era coroado rei pela primeira vez.

“Sou o maior, sou o rei do mundo”, bradava, após o histórico combate contra o então campeão Sonny Liston, mais do que favorito a permanecer com o cinturão dos pesados.

Na bolsa de apostas, 7 por 1 em favor do campeão.

Aos 31 anos, Liston detinha o título desde setembro de 1962, quando aniquilou Floyd Patterson por nocaute no primeiro round. Na revanche, dez meses depois, o filme se repetiu: massacre em apenas um assalto. Tinha cartel de 35 vitórias (24 por nocaute) e apenas 1 derrota. Vinha de uma incrível sequência de 28 vitórias. Dá pra entender a proporção.

Do outro lado, um jovem de 22 anos, insinuante e arrogante. Clay apareceu em 1960, quando conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma. Em outubro, iniciou a estrada como profissional. Como um trem bala, alcançou impressionante cartel de 19 vitórias, 15 por nocaute, e nenhuma derrota. Ao final de 1963, era o desafiante mais perigoso para Liston.

Em 25 de fevereiro, um público de quase 9 mil pessoas estava presente no Miami Beach Convention Hall, em Miami. Na plateia, personalidades, como Malcolm X, amigo e guru de Clay, e o cantor Sammy Davis Jr., além de grandes nomes da nobre arte, como os campeões Joe Louis (que comentou o combate), Rocky Marciano e Sugar Ray Robinson.

Quando soou o gongo, o que se viu foi um baile. Literalmente.

Dez anos mais novo, um ágil Cassius Clay começou a saltitar em volta de Sonny Liston, lento feito um paquiderme – ou “perigosamente lento”, como prenunciou o speaker da luta, logo nos segundos iniciais.

O desafiante provocava. O campeão aceitava.

Clay gingava, socava o ar e baixava a guarda. Liston estancava, tentava golpear, mas não conseguia.

Ao fim do primeiro round, já se sabia o final do filme. Mais dois rounds e Liston estava entregue, nas cordas, após sequência avassaladora de Clay.

No quarto assalto, nem a artimanha de colocar uma substância tóxica nas luvas, para “cegar” Clay, surtiu efeito. O jovem adversário se manteve de pé e, no sexto round, já golpeava o campeão como antes. Cansado, surrado, desmoralizado e sem mais truques na cartola, Liston disse “chega” ao final do sexto gongo.

Cassius Marcellus Clay saiu correndo e gritando aos repórteres: “Sou o maior, sou o rei do mundo. Engulam suas palavras”.

O mundo do boxe tinha um novo campeão. O maior de todos os campeões.

Em maio de 1965, Clay venceria Liston novamente. Ou melhor, Muhammad Ali  bateria no antigo campeão mais uma vez.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Veja a memorável luta entre Clay e Liston:

Fontes:

– Recomendo os textos dos colegas Wilson Baldini Jr., no Estadão, e Ricardo Zanei, no espn.uol.com.br. Imperdíveis!

history.com

Wikipedia

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