A invasão da PUC-SP

Há 40 anos… dia 22 de setembro de 1977.

POR NETA MELLO*

Quinta feira, 22 de setembro de 1977. Dia de sol, tarde quente. Depois de aulas de licenciatura dos cursos de História e Geografia no campus da Monte Alegre, saí da PUC sem nem sequer imaginar o que ocorreria algumas horas depois.

Uma reunião do Encontro Nacional de Estudantes numa das salas do “prédio novo” aconteceu no final da tarde, mesmo com a proibição que persistia na ditadura militar. A proposta de um ato público no começo da noite na frente do Tuca, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, acendeu um pavio curto.

O secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, coronel Erasmo Dias, reuniu cerca de 900 policiais, uniformizados e à paisana, para uma caça a possíveis subversivos responsáveis pelos atos de protesto. Com um megafone na entrada principal do campus, ele gritava o nome da filha mais velha de Rubens Paiva, Vera, a Veroca, estudante de Psicologia da USP.

Mais de 1500 pessoas, entre professores, funcionários e alunos foram conduzidos à força, em fila indiana para um estacionamento ao lado da universidade.

Alguns dias depois desse fato, o coronel garantiu: não houve violência na invasão da PUC. Ora, se foi uma invasão, já se pressupõe violência! A estudante de Biologia da USP, Iria Virona, que participava do ato, teve queimaduras de 1o grau em 12% da perna esquerda. Passou por uma cirurgia de reparação. Outros estudantes sofreram queimaduras.

O secretário, que também “chorou” pelo efeito do gás, havia afirmado à reitora Nadir Gouvêa Kfouri, que o Estado arcaria com as despesas do que havia sido destruído. Promessa nunca cumprida.

E não foi pouca coisa. Livros da biblioteca, onde alunos estudavam, foram rasgados, estantes jogadas no chão, mimeógrafos dos centros acadêmicos de vários cursos.

Se o coronel tinha uma lista dos estudantes “procurados”, por que destruir livros, salas de aula, quebrar janelas? Bombas de gás e efeito moral, cassetetes de choque elétrico e armas de tiro rápido foram usadas na invasão. Que não foi uma invasão.

Segundo os jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo do dia 24 de setembro, 32 estudantes foram indiciados como infratores da Lei de Segurança Nacional por Erasmo Dias, entre os 854 estudantes detidos durante o ato público. Acusados de incitar a subversão da ordem e tentar reorganizar partidos, entidades e associações de classe extintas por lei.

Para o vice-reitor, padre João Edênio Valle – a maior violência foi a própria invasão.

Depois do dia 22 de setembro de 1977 muita coisa aconteceu. A ditadura civil-militar perdurou até 1985.

Para os que não se lembram da censura e da falta de liberdade, sempre é bom reler o que a História nos ensina. Para que nunca mais se repita.

* Neta Mello, 62 anos, é historiadora e escritora. Tem cinco livros publicados (o último, Eu não sabia, de 2016, pela Chiado Editora, e escreve no Blog da Neta.

Trecho do filme “Ou Ficar a Pátria Livre ou Morrer pelo Brasil”, de Silvio Tendler:

Jornalista e professor José Arbex relembra a invasão:

Fontes e +MAIS:

– Wikipédia

– Acervo Estadão

– Acervo Folha

– memorialdademocracia.com.br

– politica.estadao.com.br

– folha.uol.com.br

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