Planet Hemp lança o segundo disco

Há 20 anos… dia 7 de junho de 1997.

Dois anos depois de se identificar como Usuário, o Planet Hemp denunciou que Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (sic, antes da reforma ortográfica!).

“O Planet Hemp é um grupo para cutucar a ferida, para criar confusão”, disse um categórico Marcelo D2 à reportagem da Folha sobre o segundo álbum.

Um disco para expor tudo o que a banda carioca estava vivendo: censura, shows cancelados e proibidos, problemas com a polícia. Ao “cutucar a ferida e criar confusão”, além, claro, de escancarar, no próprio nome e no conteúdo, o debate-tabu sobre maconha, o Planet Hemp se colocou na mira de sniper da lei. Com “seus olhos de raio-x”, como escreveu Chico.

Sob direção de Mario Caldato Jr., o homem por trás dos Beastie Boys, Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára foi um salto conceitual em palavras e sons em comparação a Usuário.

Nos versos, ainda há a maconha, claro, mas como pretexto de denúncia social sobre o Rio do final dos anos 1990, um caos profundamente violento e desigual, em especial para negros e pobres. A pergunta é: algo mudou?

Nas melodias, um requinte especial, com mistura de hardcore, hip-hop, rap, samba e rock. Engenhosas tramas bem costuradas, com samples e toques de arranjo sofisticados, como a incrível “Nega do Cabelo Duro”, que remete à “Eu Bebo Sim”, de Elizeth Cardoso. Sonzaço.

Tem ainda trechos de “Da Lata” e participação da própria Fernanda Abreu em “Zerovinteum”, a faixa de abertura, e de “Jacarandá” (Luiz Bonfá) na incrível “Se Liga”, que fecha o disco. E tem “Adoled”, o cover pesado e suingado de “The Ocean”, do Led Zeppelin.

“Biruta”, a faixa instrumental, antecipa a sonoridade do espetacular The Mix-Up, lançado pelos Beastie Boys uma década depois – sem a mão de Caldato, diga-se.

“O Planet Hemp pode ser identificado como uma banda de hardcore da favela, mas é bastante diversa dentro desse contexto – um instrumento indígena, muitas vezes, aparece nos arranjos, e a banda também é muito boa com os samples de arranjo sonoro à Public Enemy. O fluxo de troca entre os rappers é sólido, a banda entende a dinâmica e todos se somam para tornar Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára um disco fluido e energético.”

É isso aí. Com as palavras de Don Snowden em resenha do allmusic.com, fico por aqui.

Clica nos links pra ler mais sobre o álbum e aqui para saber a história da capa, em programa do Canal Brasil.

Três anos depois, o Planet Hemp lançaria o terceiro e último trabalho de estúdio, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça, para muitos o melhor deles.

Mas essa brisa fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

O disco:

Clipe de “Queimando Tudo”:

Fontes e +MAIS:

– Wikipédia

– Acervo Folha

– Acervo Estadão

– whiplash.net

– allmusic.com

– super.abril.com.br

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