Utah Jazz é campeão da Conferência Oeste

Há 20 anos… dia 29 de maio de 1997.

POR ARTHUR MELLO*

Bill Walton foi um jogador 40 anos à frente de sua era. Um pivô multidimensional, capaz de pegar um rebote defensivo, iniciar o contra-ataque armando o time, seja carregando a bola ou com passes milimétricos que cruzavam a quadra. O gigante tinha uma visão de jogo fora do comum, e carregou o inesquecível Portland Trail Blazers para um título no ano de 1977. A história do time foi contada no “The Breaks of the Game”, de David Halberstam.

Até hoje, Walton é o único jogador eleito melhor novato, MVP e melhor reserva da NBA. Um mito, capaz de antever as jogadas e executar passes magistrais.

No dia 29 de maio de 1997, ele comentava o sexto jogo das finais de Conferência Oeste.

O Utah Jazz liderava a disputa contra o Houston Rockets, 3 a 2. De um lado, os bicampeões da NBA, com Hakeem Olajuwon, Clyde Drexler e Charles Barkley. Do outro, a dupla Stockton e Malone, disputando a sua segunda final de conferência.

Até o último quarto, o Houston liderava com folga e a série caminhava para um sétimo jogo em Utah.

John Stockton, o recordista em assistências e roubadas de bola até hoje (marcas aparentemente imbatíveis), era conhecido pela habilidade em conduzir jogos tensos. O veterano armador, que jogou até quase 40 anos, não se importava muito com torcida contra e parecia sempre jogar na mesma toada. Seja o primeiro jogo da temporada, seja um jogo 7 na casa do adversário, na final de conferência.

Acostumado a ser coadjuvante, naquele dia o baixinho dominou as ações nos últimos minutos, sendo responsável por praticamente todos os pontos do Jazz nos derradeiros cinco giros do ponteiro, e eliminando a vantagem que os Rockets tinham construído.

Após um erro de Drexler, Jerry Sloan, o técnico e general manager dos Jazz, pediu tempo para armar a última jogada. Faltavam 2 segundos, tempo mais que suficiente para um arremesso.

Karl Malone, o astro e cestinha do Utah, era o homem a ser marcado. O companheiro de narração de Bill Walton fala explicitamente do homem responsável pela marcação do ala pivô do Jazz.

Mas então o juiz dá início à jogada. Bryon Russell, paciente, espera a série de corta-luzes ensaiados pelo ataque de Utah. Malone, no fim, foi o responsável não pela bola final. Ali ele trocou de papel com seu companheiro de mais de uma década e armou o corta-luz para que a bola caísse nas mãos do armador.

Nesse momento, Bill Walton já sabe exatamente o que vai acontecer. Não se deixa um futuro hall da fama, especialista em arremessos de 3 pontos, no jogo mais importante de sua carreira até então, livre, completamente livre. O que ouvimos na narração é apenas um “Oh, Oh”.

Para um torcedor fanático pelo Jazz, como eu, aqueles dois segundos foram uma eternidade. Eu não tinha a visão de Walton, que, obviamente, estava certa. A expressão atônita do astro era direcionada ao público do ginásio. O jogo estava perdido no momento em que Stockton tocou a mão na bola de basquete.

O armador calmamente bateu uma vez, arrumou o corpo e lançou a bola por cima de um desesperado Barkley, também atônito com a situação. Como todos os gênios, ele também sabia o que estava prestes a acontecer.

Não deu nem aro. Fim de jogo. Malone, Stockton e Jeff Hornacek se abraçaram. O trio acabava de escrever a maior página na História da franquia, nascida em New Orleans. Pela primeira vez, os Jazz jogariam a final da Liga Americana de basquete.

Tenho memórias especiais do Utah. É uma paixão inexplicável, pois vi apenas um jogo ao vivo, isso já em 2014.

Aquele dia foi inesquecível. Foi uma noite feliz. Muito feliz.

Tão feliz que esqueci que o adversário que nos aguardava era o Chicago Bulls. Sim, os Bulls. Time do maior de todos.

Mas, bom, depois de ler “Playing for Keeps”, também do gênio Halberstam, fica mais fácil de aceitar a derrota que viria na final da NBA, alguns dias depois.

O Utah repetiria a decisão de 1997 na temporada seguinte, contra o mesmo Chicago.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Arthur Mello é  fã de basquete e torcedor do Utah Jazz.

O lance:

“A Season to Remember”:

+MAIS:

– nba.com

– Wikipedia

– basketball-reference.com

– sltrib.com

– deseretnews.com

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