Zizinho, o “Mestre Ziza”

Há 15 anos… dia 8 de fevereiro de 2002.

Zizinho, o "Mestre Ziza"

“Não há bola no mundo que seja indiferente a Zizinho.” – Nelson Rodrigues

Quinze anos atrás, a bola se calou em homenagem a Thomaz Soares da Silva, Zizinho, uma das mais gigantescas lendas do futebol brasileiro e mundial.

“Mestre Ziza”, como também ficaria conhecido. Mestre veio do igualmente lendário locutor Oduvaldo Cozzi; e Ziza, do compositor Ciro Monteiro, fanático flamenguista.

Flamengo que foi a vida de Zizinho – junto da seleção brasileira, claro!

Na Gávea, viveu o início e o auge.

Poucos notaram quando ele apareceu, em um treino vespertino no ano de 1939. Compreensível. O moleque entrara na vaga do grande ídolo da época, Leônidas da Silva, que saiu de campo mancando.

Foram necessários só alguns minutos para todos os presentes perceberem Zizinho. Pegou a bola, driblou quatro adversários, gol! Pouco depois, nova fileira e… gol!

“Era tudo ou nada. Se pegasse a bola tinha que sair driblando sem parar senão o técnico nem ia me notar”, recordava o Mestre, sobre aquele primeiro treino.

Entrou no time e não saiu mais. Quando Leônidas foi para o São Paulo, três anos mais tarde, ele se tornou o craque do Flamengo. Em 11 anos com o manto rubro-negro, títulos e muitos gols. Tricampeonato em 1942, 1943 e 1944, entre outros troféus menores, e 145 gols em 318 jogos.

A saída foi amarga e não passou pela garganta por muito tempo. Totalmente contra a sua vontade, acabou no Bangu e colocou o clube para disputar taças no Rio. Uma lambança de Dario Mello Pinto, uma malandragem de Guilherme da Silveira, patrono da agramiação de Moça Bonita.

Era 1950, ano em que Zizinho e o Brasil viveriam uma das maiores tristezas em campo.

“Vi quando Mr. Reader apitou o final do jogo. Ele tentou cumprimentar-me, mas me esquivei. Nosso time ia saindo lentamente e alguns jogadores, completamente desgovernados, perderam, inclusive, a direção do túnel. Olhei para o lado e vi Obdúlio Varela feito um louco, dando cambalhotas pelo chão. Tive vontade de chutá-lo, mas me contive. Afinal ele estava comemorando a Copa que eu havia perdido”.

O relato dá a medida exata da dor do Brasil. E da personalidade forte do Mestre! Derrota e falta de garra não faziam parte de seu dicionário.

A tragédia não impediu o camisa 8 de ser eleito o melhor da Copa. Sua única Copa. Posteriormente, ele ficaria chateado quando jornalistas telefonavam para falar somente do Maracanazo, sem mencionar suas grandes atuações naquele mundial.

“Por que não vão perguntar ao Pelé e ao Romário como ganhamos as outras Copas? Não, é só sobre 50 que querem falar”, disse certa vez, cansado do tema.

Por atritos com a CBD, não jogaria em 1954, na Suíça. Quatro anos depois, chegou a ser incluído por Feola em uma pré-lista, mas ouviu pelo rádio um menino de 17 anos arrebentar e dar a primeira taça do mundo ao País.

“Se fui bom espelho para você, pode estar certo de que isso me enche de orgulho. Mas se eu tivesse de recomeçar tudo, teria de aprender com você, pois o reflexo de seu espelho foi mais forte”, escreveu a Pelé, em retribuição a uma camisa autografada da seleção que recebeu do Rei.

Camisa que Zizinho envergou de 1942 a 1957, em 53 jogos, marcando 30 gols e conquistando alguns títulos, os mais importantes o da Copa Roca de 1945 e o do Sul-Americano de 1949 – a atual Copa América.

O último ano pela seleção foi também o de seu último troféu, o Campeonato Paulista, pelo São Paulo. Zizinho comandou o time que tinha Gino, Maurinho e Canhoteiro, de quem acabou muito amigo.

Encerrou a carreira em 1962, pelo Audax Italiano, do Chile. Tentou carreira de técnico, mas desistiu. Preferiu curtir a vida, como gostava de falar. Aproveitar da sua Niterói e do samba, outras de suas paixões.

Em 8 de fevereiro de 2002, o coração de “Mestre Ziza” resolveu parar.

“Mestre, mestre mesmo. Legenda. E agora saudade”, escreveu Carlos Heitor Cony.

Viva Zizinho.

Homenagem de João Máximo na ESPN:

Fontes e +MAIS:

– Wikipédia

– Acervo Estadão

– Acervo Folha

– acervo.estadao.com.br

– literaturanaarquibancada.com

– terceirotempo.bol.uol.com.br

– imortaisdofutebol.com

– doentesporfutebol.com.br

– ocuriosodofutebol.com.br

– Revista Placar

– theguardian.com

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