Centro de Imigração da Ellis Island é aberto em Nova York

Há 125 anos… dia 1º de janeiro de 1892.

Centro de Imigração da Ellis Island é aberto em Nova York

POR NETA MELLO*

A cidade de Lewis, localizada nas ilhas ocidentais da Escócia, é o lugar de origem do próximo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo matéria da Folha de São Paulo, traduzida da Deutsche Welle, em 7 de junho último: “Na campanha para as primárias, o provável candidato americano republicano à Casa Branca falou muito sobre como manter os imigrantes fora dos EUA, seja com a construção de muros na fronteira com o México ou banindo a entrada de muçulmanos. Mas ele disse pouco sobre sua própria história de imigrante, particularmente de sua mãe, que, com 18 anos, deixou Lewis, a cerca de 60 km da Grã-Bretanha, para tentar nova vida nos EUA.”

O nome das famílias de Lewis que desembarcaram em Ellis Island em Nova York nos anos 1920 está inscrito no muro de honra no grande complexo do Museu da Imigração de Ellis Island.

Nova York, considerada a capital do mundo, pode ter orgulho de ter nesse museu o maior muro de nomes de famílias de imigrantes do mundo – The Immigrant Wall of Honor –, todos inscritos em painéis de aço inoxidável, do lado de fora do edifício, e com vista para a Estátua da Liberdade. Uma prova de que sistemas de governo, religiões, etnias e cor da pele podem conviver num mesmo país e de que muros erguidos pelo ódio e intolerância são cada vez mais anacrônicos no século 21.

Na visita ao memorial, após filas de revista para pegar o barco, famílias inteiras procuram nomes dos mais de 700 mil antepassados para copiar numa folha de papel com lápis grafite e conseguir um registro de sua origem. Pesquisam no museu o dia de entrada de bisavós e avós. Ellis Island é o lugar onde esses descendentes, cidadãos americanos, honram e celebram os ancestrais.

Na abertura da hospedaria de Ellis Island, em 1892, a irlandesa Annie Moore, de 15 anos, foi a primeira a ser registrada. O norueguês Ivan Pederson, o último, em 1954. Foram 62 anos de funcionamento, abrindo os braços para cerca de 12 milhões de pessoas.

O ano de 1907 foi o que mais recebeu imigrantes. A hospedaria de grandes proporções tinha um hall de recebimento e inspeção que aparece em livros e filmes como “O Poderoso Chefão” e “A Imigrante”, para ficar só em dois exemplos.

O procedimento de entrada podia durar cerca de 4 horas. Após um exame médico para checar doenças dos olhos, como tracoma e conjuntivite, e que durava 6 segundos, separavam pessoas com outras enfermidades para serem enviadas ao hospital no complexo da ilha.

Em seguida, os imigrantes tinham que responder a um questionário com 29 perguntas. Nome completo, cidade e país de origem, ocupação e quantidade de dinheiro ao entrar. Das entradas negadas, 2% eram por problemas de saúde, insanidade mental ou antecedentes criminais. Um terço (1/3) dos aprovados permaneceu em Nova York, o resto se espalhou pelo país.

A dificuldade de comunicação era enorme pois, além dos que tinham o inglês como língua materna – escoceses, irlandeses e galeses -, havia poloneses, escandinavos, belgas, húngaros, tchecos, sérvios, eslovacos, gregos, sírios, turcos e armênios. A partir de 1840, irlandeses fugiam da fome. Prussianos, de problemas políticos no território da atual Alemanha, ainda não unificada. Assim como os italianos e centenas de refugiados. Muitos nomes e sobrenomes trocados ou modificados por falta de intérpretes.

Levas da Europa Oriental, como judeus perseguidos na Rússia e gente do Leste Europeu. Chegavam em navios lotados, sem higiene e com pouca comida. Muitos adoeciam na travessia ou morriam – e seus corpos eram jogados no mar.

O grande sonho de “fazer a América” começava a se concretizar com a visão da Estátua da Liberdade estendendo a mão de esperança aos pés de Manhattan. Início da quarentena em Ellis Island, que ficou conhecida como “a ilha da esperança, a ilha das lágrimas”. Depois do procedimento de entrada, os imigrantes adentravam o recinto das bagagens, os refeitórios e as áreas de recreação.

No período da 1a Guerra Mundial (1914-1918), o número de entradas caiu muito e voltou a aumentar em 1921, quando a Lei de Cota foi votada pelo Congresso americano. A entrada de pessoas de nacionalidades que já viviam nos EUA a partir de 1910. Depois disso, houve grande queda de entrada de imigrantes. A América Latina recebeu parte dos que sonhavam fazer a América.

Em 1924, o Ato de Imigração restringiu a entrada de estrangeiros e passou a exigir qualificação dos consulados americanos nos países europeus, uma triagem inicial. O Ato mudou totalmente o sentido de Ellis Island, que deixou de ser um local de isolamento para quem chegava na América para ser um centro de detenção e deportação de estrangeiros “inadequados” (que tinham entrado ilegalmente ou violado os termos da admissão de imigrantes). Por ali, entraram Cary Grant, Bob Hope e Bela Lugosi, entre os que se tornaram personagens famosos.

Em 1965, pela Proclamação 3656, o presidente Lyndon Johnson passou o conjunto de Ellis Island para a jurisdição dos Parques Nacionais, juntamente com o monumento da Estátua da Liberdade.

Em 1984, liderado por Lee A. Iacocca com verba de fundos privados e corporativos, se inicia a restauração dos edifícios da ilha e, em 1990, o Museu da Imigração de Ellis Island é aberto ao público. Doações de famílias descendentes de milhares de imigrantes ajudam a manter viva a história dos que ali chegaram.

Mais de 40 milhões de pessoas passaram por suas galerias e se emocionaram com as histórias, cartas, fotos, filmes e objetos doados. Um estudo antropológico da formação de uma cidade – Nova York – e uma nação que sempre aceitou e respeitou os que a escolheram. Vale esperar a fila para inspeção e detecção de metais, rotina nos aeroportos atuais.

O mundo é outro. Há o medo permanente do terrorismo, mas não se pode negar que o “melting pot” ajudou no crescimento e na riqueza do país. Vemos hoje milhares de latinos, chineses, vietnamitas, tailandeses, filipinos, africanos de diferentes países.

Sim, há preconceito, intolerância e perseguição, mas o filho de uma jovem escocesa que deixou as ilhas da Escócia e passou pela Hospedaria dos Imigrantes de Ellis Island para viver uma nova vida tem uma enorme responsabilidade no que será feito nos próximos anos. Quem sabe, Mary Anne MacLeaod, que desembarcou no dia 11 de maio de 1930 e conseguiu um emprego de doméstica, apareça nos sonhos do filho para lembrá-lo de que ele é filho de uma imigrante.

Documentário premiado sobre a Ellis Island:

Fontes e +MAIS:

– Wikipedia

– libertyellisfoundation.org

– history.com

– upi.com

– americaslibrary.gov

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