Wassily Kandinsky, 150 anos

16 de dezembro de 1866

Wassily Kandinsky, 150 anos

POR FRANCESCO DI TILLO*

É impossível pensar em arte contemporânea, como a concebemos hoje, sem os fundamentais passos culturais, conceituais e estilísticos dos grandes artistas do início do século XX, aqueles que determinaram, irreversivelmente, a sua concepção.

Um desses grandes artistas é Vasilij Vasil’evič Kandinskij, mais comumente conhecido como Wassily Kandinsky.

Nascido em Moscou, em 16 de dezembro de 1866 – pelo calendário gregoriano -, era filho de um rico comerciante de chá. Na tenra idade de quatro anos, a família mudou-se para Mônaco, fato que iria determinar grande parte da sua evolução cultural e artística. No principado, o jovem Kandinsky pôde entrar em contato com os grandes artistas de seu tempo e ficou mais perto das revoluções culturais.

Após o divórcio dos pais, foi viver com a tia, Elizabeth, com quem aprende a desenhar e a tocar violoncelo. Será esta comunhão de interesses artísticos que estimulará muitos conceitos de suas pinturas.

Graças ao russo, a chamada “arte abstrata” tornou-se hoje uma expressão artística reconhecida globalmente. Com uma linguagem autônoma e que difere, no entanto, da arte figurativa, que vê na representação da realidade a razão para o mesmo significado da arte (embora em diferentes estilos, formas e épocas).

É, de fato, fundamental para a formulação da arte abstrata, abandonar o real, aquela janela que distanciou a visão do ser a favor de uma parte interna, ligada aos sentimentos, e até mesmo à espiritualidade.

“Todas as artes vêm da mesma raiz. A diferença se manifesta pelos meios de comunicação de cada arte, isto é, pelos meios de comunicação social e de expressão.”

A frase, de artigo publicado em 1930, contém um dos seus princípios fundamentais: a pintura tem uma relação muito estreita com as outras artes, especialmente com música, poesia, teatro e dança.

Certa vez, ele considerou as afinidades expressivas de cor e música. Para Kandinsky, ambas podiam transmitir sentimentos, expressar nossos sentimentos, porque a arte, qualquer tipo de arte, se verdadeira, se comunica com o nosso mundo secreto, o que o artista chama de “necessidade interior”.

Já na produção dos anos 1909-11, suas pinturas começam a ter títulos distintivos da linguagem musical. “Improvisações”, “Composições” e “Impressões” são alguns exemplos de definições muito sintéticas, sempre seguidas por um número de série e, por vezes, uma expressão que combina explicitamente música a cor, como em ” Improvisação XIX”.

Os estudos Kandinsky são consistentes com as teorias de seu compositor contemporâneo, Arnold Schoenberg, que no mesmo ano (1911) desenvolve uma nova estrutura composta, não mais baseada no sistema harmônico tradicional, mas em uma organização de sequências de notas (números) dispostas sobre a pontuação, de acordo com critérios quase geométricos.

Um dos momentos-chave na vida artística de Kandinsky foi ter testemunhado, em janeiro de 1911, um concerto de Schoenberg. Foi um verdadeiro choque, de modo que o pintor imediatamente produziu “Impressão III (Concerto)”, uma evocação da experiência musical. Ele também iniciou amizade com o músico, com quem teve relação epistolar intensa.

Em seu primeiro livro, intitulado “Do espiritual na arte” (escrito em 1909), há muitas referências à música e poesia, com combinações de sensações entre as cores e o timbre de instrumentos diferentes.

Assim descobrimos que as “Improvisações” de Kandinsky resultam de emoção interior, as composições são baseadas na experiência anterior, reformulada e organizada na consciência do artista, enquanto as impressões sobre a impressão de natureza externa.

Nos escritos de Kandinsky muitas vezes encontramos definições musicais das cores.

O amarelo “emite um som comparável ao de uma trombeta aguda, sempre que desempenha mais alto ou ao som de uma fanfarra cada vez mais alto.”

“De um ponto de vista musical, o azul parece com uma flauta ou um violoncelo, ou, quando se torna muito escuro, ao som maravilhoso do contrabaixo, em sua face mais escura.”

Vermelho “lembra o som de bandas de música com a tuba: forte, teimoso, ensurdecedor.”

“O laranja recorda os sinos da igreja ou o som de uma viola, o verde, a cor da paz, tem o som do violino no registro médio. Branco é o silêncio, mas não o silêncio final da morte preta, mas o intervalo musical, um momento de suspensão antes de um novo desenvolvimento da melodia.”

E assim vai… Uma verdadeira revolução cultural que tem, inevitavelmente, influenciado todas as artes após a grande experiência artística causada pelo moscovita.

Se hoje consideramos desempenho comum, performances sintéticas, conjuntos de multimídia, vídeos e muito mais, é precisamente pelo trabalho que grandes gênios como Vassily Kandinsky puderam desenvolver durante suas vidas.

* Francesco Di Tillo é artista plástico italiano residente em São Paulo e um dos fundadores do espaço de arte autônomo Ponto Aurora (pontoaurora.com).

Documentário sobre Kandinsky:

Música de Schoenberg e obras de Kandinsky:

Fontes e +MAIS:

– Wikipedia

– wassilykandinsky.net

– theartstory.org

– tate.org.uk

– guggenheim.org

– moma.org

– kandinskyexperts.com

Anúncios

Fala!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s