A Invasão Corintiana no Maracanã

Há 40 anos… dia 5 de dezembro de 1976.

A Invasão Corintiana no Maracanã

A maior de todas*

Foi em 1976, justamente na época em que Julião era presidente, que aconteceu a maior caravana por causa de um jogo de futebol em todos os tempos. Corinthians e Fluminense, pela semifinal do Campeonato Brasileiro, decidiram a vaga para a final na segunda partida, no estádio Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro. O Timão ainda na fila produziu um dos maiores e mais impressionantes espetáculos de todo o futebol.

Só a Gaviões fretou 119 ônibus. Para isso, tiveram de contratar quatro empresas diferentes, pois não existia uma empresa com tantos ônibus. Saiam comboios a cada meia hora, com dez ou quinze ônibus cada, na tentativa de evitar um mega-comboio. Mas foi inútil. Já tinha trânsito na Av. Ipiranga. Julião montou um esquema para a caravana funcionar, pois era impossível fazer tudo sozinho. Colocou gente para cuidar do papel picado, dos fogos de artifício, dos instrumentos, da venda de passagens, da contratação dos ônibus. O pagamento para esses trabalhos foi viajar no ônibus mais confortável, contratado só parra isso. Mas todos tiveram de trabalhar antes da caravana, durante e depois dela.

“Foi um negócio absurdo”, lembra. Quando chegaram na estrada, era um trânsito infernal. Não conseguiam passar de 50km/h. Eram carros e ônibus cheios de corintianos, bandeiras por todos os lados, buzinaços. “Você imagina um trânsito igual ao da Marginal, na Via Dutra, de São Paulo até o Rio de Janeiro? É brincadeira! Você não via o asfalto”. Além da Gaviões, muitas outras torcidas se organizaram para ir ao jogo, além de milhares de pessoas que foram por conta própria. O saldo parece impossível: 70 mil corintianos no Maracanã. Alguns consideram esse o maior deslocamento humano em tempos de paz. Apenas por causa de um jogo de futebol.

Tomaram a cidade do Rio de Janeiro. Para todo lado que se olhava, lá estavam eles. Nas praias, nos bares, nas ruas e nas praças. As notícias encontradas no jornal Folha de S. Paulo comprovam. O Detran do Rio, junto com a Polícia Militar, preparou uma “Operação Corinthians” para receber a enorme torcida. Estabeleceu-se um novo recorde de volume na Via Dutra, segundo o DNER. Nos arredores do estádio, era praticamente impossível encontrar comida, bebida e cigarros. Os corintianos haviam consumido tudo.

“Osvaldo, esquece o campeonato carioca. Isso aqui é Corinthians, meu!”

A ponte aérea fez mais de trinta voos extras por causa da partida. As empresas de ônibus colocaram carros saindo de meia em meia hora. Além da capital, centenas de ônibus saíram do interior de São Paulo. Vieram corintianos até de outros estados. Só da cidade de Recife, calcula-se que partiram sete mil fiéis. Aconteceu de tudo que se pode imaginar naquele fim de semana carioca, mas cheio de paulistas. Confusões, brigas, discussões, guerra de areia pelas praias, ônibus lotados de torcedores gritando pela madrugada.

Dentro do estádio, havia um corintiano para cada torcedor fluminense. O comandante do policiamento, Osvaldo, conversou com Julião, pedindo que tomasse providências para evitar confusões dentro do estádio. Logicamente isso não seria possível, já que, por mais respeitado que fosse um presidente da Gaviões da Fiel, como fazer para controlar dez mil pessoas? “Osvaldo, esquece o campeonato carioca. Isso aqui é Corinthians, meu!”, disse Julião.

O episódio tomou tamanha proporção que o ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki, depois da festejada vitória do Timão, pediu que a final do campeonato fosse na cidade de São Paulo e não em Porto Alegre, como aconteceu. O motivo? O combustível gasto. “Eu fiz um cálculo e cheguei à conclusão que eles desperdiçaram dois milhões de litros de petróleo, o que corresponde a um gasto para o País de 300 mil dólares. Ainda bem que o time ganhou, porque, se perdesse, gastar tudo isso por uma derrota seria demais. Agora, como também sou corintiano, faço um apelo para que os torcedores economizem nesta semana os dois milhões de litros que gastaram, para compensar a viagem, e mais dois milhões de litros, para comemorar a vitória”, disse o ministro, em notícia da Folha.

Na volta apoteótica à capital paulista, com desfile e grande comemoração, a grande preocupação da torcida era ir ao jogo final, em Porto Alegre, contra o Internacional. O Timão, infelizmente, perdeu o título. Mas a torcida esteve presente em grande número.

*Trecho do livro-reportagem “Corinthians, minha vida”

Alexandre Gajardoni, Fernando Figueiredo Mello e Rafael Finkensieper Pacheco

Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo – PUC-SP – 2004

Osmar Santos e a Invasão Corintiana:

Reportagem sobre a Invasão Corintiana:

Documentário:

+MAIS:

– Wikipédia

– folha.uol.com.br

– lance.com.br

– trivela.uol.com.br

– acervo.estadao.com.br

– espnfc.espn.uol.com.br

– torcedores.com

– blogmiltonneves.bol.uol.com.br

– meutimao.com.br

– esportes.yahoo.com

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