Morre o cantor Mário Reis

Há 35 anos… dia 5 de outubro de 1981.

Morre o cantor Mário Reis

“A música popular brasileira fica desfalcada de um dos mais autênticos intérpretes de sua história. Como Noel e Vinicius, Mário Reis não teve preconceito contra a música popular do seu país. Misturou-se aos ‘malandros’ e cantou suas verdades como um verdadeiro repórter de uma época, apesar de não ser das camadas mais populares da população”, escreveu Walter Silva, na Folha.

“Por ter sido o primeiro intérprete brasileiro que cantava com bossa, Mário Reis é considerado o precursor da Bossa Nova, o que, a rigor, não é correto. O mais certo é dizer-se que sua maneira peculiar de cantar causou tanta repercussão na época quanto a Bossa Nova de João Gilberto, quase 30 anos mais tarde”, pontuou Zuza Homem de Mello, no Estadão.

Walter e Zuza, duas renomadíssimas figuras ligadas a música brasileira, prestando tributo a um nome fundamental da História da MPB e do samba.

Mário da Silveira Meirelles Reis. Nome de senador, sambista com fervor. “O mais cariocas dos cantores”, nas palavras do crítico Tárik de Souza.

Nascido em família abastada no último dia de 1907, no Rio Comprido, foi pra Tijuca logo menino. O pai tinha uma loja de ferragens e bastante dinheiro. Aos 15, Mário tentou a vida de jogador de futebol, no seu querido América – que enviou enorme coroa de flores na ocasião de sua morte, exatos 35 anos atrás.

Por essa época, aprendeu violão e o futebol perdeu para a música. Tempos depois, na época da Faculdade de Direito, conheceu Ary Barroso, à época completamente anônimo, e, também, J.B. Silva, o Sinhô, que se tornou seu professor de violão.

Nas aulas, Mário começou a cantar sambas compostos pelo mestre, que admirava o jeito sincopado e diferente do pupilo. Logo, o sambista sugeriu ao aluno que gravasse alguns de seus sambas.

O primeiro veio em 1928, um 78 rotações com duas canções de Sinhô – “Que Vale a Nota Sem Carinho de Mulher” e “Carinhos da Vovó”. Os violões do autor e de Donga acompanharam Mário Reis na melodia. No mesmo ano, estourou com “Jura”, também de Sinhô, e decolou de vez.

O jeito único, natural e simples de cantar era um contraponto aos intérpretes da escola lírica, como Dalva de Oliveira, Vicente Celestino e, claro, Francisco Alves, com quem Mário faria dobradinha de sucesso na década de 1930. Juntos, gravaram 12 discos. Carmen Miranda também foi parceira de turnês pelo Brasil e também pela Argentina.

Então, a partir de 1936, Mário Reis iniciou a saída de cena. Aos poucos, foi se afastando. Avesso a badalações, exposição e entrevistas (“Sou um velho, estou fora de moda”, costumava responder, nos últimos anos, aos pedidos dos jornalistas por uma conversa), preferiu simplesmente parar.

“Não fiquem pensando que há um mistério na minha retirada. Aconteceu que eu sempre quis levar uma vida simples e, se continuasse cantando, eu a perderia. Não gosto de ser entrevistado, de ser fotografado nem de exibicionismo. Além disso, parei porque não tinha mais nada a fazer em termos de música”, revelou, em raríssima entrevista de 1971.

Assim foi Mário Reis.

Simples, direto, autêntico. Como o seu jeito de cantar.

“Jura”:

“Se Você Jurar”, com Francisco Alves:

“Alô… Alô?”, com Carmen Miranda:

Fontes e +MAIS:

– Wikipédia

– Acervo Folha

– Acervo Estadão

– dicionariompb.com.br

– cliquemusic.uol.com.br

– editora34.com.br

– radios.ebc.com.br

– terra.com.br

– folha.uol.com.br

– vermutecomamendoim.blogspot.com.br

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