O último show dos Beatles

Há 50 anos… dia 29 de agosto de 1966.

O último show dos Beatles

POR FELIPE FIGUEIREDO MELLO*

Um exercício de imaginação que sempre gostei (e gosto) de fazer é elencar os shows das minhas bandas favoritas que gostaria de ter ido na vida. Como se fosse possível entrar num DeLorean, digitar uma data marcante, pisar a 88 mph e garantir lugar num show do Pink Floyd, aquele The Wall, em 1980. Ou qualquer um do Led nos anos 70. Ou do Queen em Wembley, 86, ou no Morumbi!

Dos Beatles, três desejos: em Washington, na primeira visita deles aos EUA, em 64. No Shea Stadium, auge do furacão beatlemaníaco, em 65. E no último concerto da banda, em 29 de agosto de 1966, no Candlestick Park, em São Francisco!

A história nos conta que o desejo de encerrar as turnês foi crescendo de maneiras distintas entre o quarteto. De uma maneira ou de outra, todos eles estavam esgotados com aquele frenesi que eles mesmos provocavam a cada passo dado, a cada estadia em hotéis mundo afora, a cada acorde e a cada “uuhh” nos microfones.

No “Anthology”, George Harrison faz brincadeira com a potência dos amplificadores que ganharam sob encomenda, para os shows: 100 watts eram uma fábula naquela época! Ringo sempre relata a dificuldade que era manter o ritmo das apresentações, em geral um grito uníssono e ininterrupto que abafava qualquer coisa. McCartney, sem dúvida o que mais gostava (gosta) do palco, reclamava da qualidade do som e da euforia com que eles tocavam. Basta ver a velocidade das músicas no Shea Stadium, que pareciam estar em rotação maior na vitrola. E John começava a se sentir ameaçado, depois de toda a ira desperta nos EUA com a famosa frase “bigger than Jesus”.

O curioso é que este ar de despedida não saiu para fora do núcleo da banda. Além dos quatro, apenas a equipe de suporte – além, claro, de George Martin e Brian Epstein – sabiam que aquele show poderia ser o último. Ao menos, não havia naquele momento qualquer intenção de agendar mais shows.

Para o público, mesmo com o frenesi, era “apenas mais um show”. Tanto que dos 42 mil assentos disponíveis, com ingressos a um preço médio abaixo dos 10 dólares, “somente” 25 mil foram comercializados. (Fico aqui imaginando o arrependimento que apaixonados por Beatles moradores de São Francisco em 1966 devem sentir por não terem presenciado o concerto!).

No dia do show, Ringo lembra que eles levaram uma câmera para o palco, para registrar o momento. Tony Barrow conta que, antes de pisarem ali, Paul lhe pediu para gravar o show em um gravador portátil que ele sempre carregava. Barrow assentiu e passou os trinta minutos da apresentação com um microfone erguido para o alto, na frente do palco. A última música foi cortada porque Barrow esqueceu de virar a fita! É essa a gravação que se pode encontrar na internet, embora nem Barrow e nem McCartney saibam como as duas únicas cópias ganharam o mundo, já que ficaram guardadas a sete chaves!

Hoje em dia, além das motivações externas que os levaram a parar com as turnês, sabemos que havia motivações internas: com toda a evolução técnica alcançada no estúdio no ano que havia passado, depois de Rubber Soul e Revolver, eles estavam superando as capacidades e condições possíveis dos palcos da época.

E a verdade é que se avizinhava uma verdadeira revolução musical e cultural capitaneada pelo quarteto! Talvez tenha sido melhor para todos nós que as energias deles estivessem canalizadas para algo grandioso como Sgt. Pepper’s! Poucos anos depois, já barbudos e cabeludos, fizeram a última aparição pública no telhado dos estúdios de Abbey Road.

E, dois anos atrás, em 2014, coube a Paul McCartney fazer o último show do Candlestick Park, que foi demolido.

Mas essa(s) história(s) fica(m) pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Felipe Figueiredo Mello também gostaria de ter batido palmas em certa noite no Royal Albert Hall!

O áudio do show:

Fontes e +MAIS:

– Wikipedia

– beatlesbible.com

– smh.com.au

– billboard.com

– abc7news.com

– openculture.com

– today.com

– oglobo.globo.com

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