Bernardo Gandulla, 100 anos

1º de março de 1916

Bernardo Gandulla, 100 anos

Você, amante e curioso do futebol, conhece a saborosa lenda: em um passado nem tão distante, houve um jogador argentino contratado pelo Vasco que quase não atuava. Então, com o objetivo de mostrar serviço, ser notado e, quem sabe, ter uma chance, ele corria pra cá e pra lá em busca da bola, mesmo quando esta era de posse do adversário. Seu nome: Gandulla. E assim nasceu o termo para denominar o apanhador da redonda para agilizar o recomeço da peleja.

Neste 1º de março, Bernardo José Gandulla, o homem que teria emprestado seu sobrenome para denominar a função, completa 100 anos. Para elaborar essas mal traçadas linhas em homenagem ao hermano, fui atrás de fontes e referências no nosso amigo Google.

Já senti algo estranho ao ler o obituário do La Nación, dcom data do dia seguinte ao falecimento de Gandulla. Nada da história da época de Brasil e de Vasco da Gama. Nenhuma menção à fábula. Esquisito.

O texto do site oficial do cruzmaltino, de ontem (29/02), coloca uma pá de cal na historieta: bem antes de Gandulla, já existia, no linguajar boleiro carioca, o termo gandula como alguém que pegava a bola fora de jogo com o intuito de reinício imediato da contenda.

(Os dois links estão lá embaixo!)

Continuando… Segundo o artigo, já existiam garotos que se postavam ao redor do gramado para auxiliar na missão de catar a redonda desde as primeiras décadas do século passado.

À época, a palavra “gandula”, feminino de “gandulo”, que significava “garoto, vadio ou tratante”, era utilizada em várias situações, mas também para definir exatamente o cargo. A matéria que lembra o centenário de Gandulla até cita trecho do jornal Diário da Noite de 1933 usando a palavra para denominar o apanhador de pelota.

Portanto, quando Bernardo Gandulla chegou ao clube de São Januário, vindo do Ferro Carril Oeste, com pompa, circunstância, a peso de ouro e em companhia de vários outros jogadores argentinos e uruguaios, em um verdadeiro pacotão cisplatino, já havia o gandula, com um “L” só. E ele jogou um bocado de vezes com a camisa vascaína…

É, parece que o texto derruba tudo. Caiu o mito – ao menos segundo fontes oficiais do Club de Regatas Vasco da Gama…

O que não nos impede de saber mais sobre a vida desse “crack y maestro de promesas”, como definiu o La Nación no necrológio, em referência à habilidade e técnica do atacante que brilhou no Boca Juniors na década de 1940, depois da passagem pelo Brasil, e ainda foi exitoso como técnico da base no clube Xeneize.

Aliás, a ligação com a agremiação do bairro de La Boca é bem forte, a ponto de Gandulla estar enterrado na ala do cemitério de Chacarita dedicada ao clube. Foi ali que viveu o auge, conquistando dois títulos nacionais, em 1940 e 1943. Saiu em 1944, teve retorno ao Ferro Carril e um biênio final, em 1947-48, no Atlanta, em que formou dupla ofensiva com Adolfo Pedernera, uma lenda do futebol argentino.

“Minha vocação foi jogar futebol. Com o passar dos anos, a base foi minha grande paixão. Minha vida, sem dúvida”, disse Gandulla, pouco antes de partir.

Jogar futebol. E não simplesmente correr atrás da bola.

Essa foi a vida de Bernardo José Gandulla.

Fontes e +MAIS:

Wikipedia

Wikipedia(espanhol)

Wikipédia

– lanacion.com.ar

– vasco.com.br

– trivela.uol.com.br

– netvasco.com.br

– futebolportenho.com.br

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