Há 300 anos… dia 1º de setembro de 1715.
POR NETA MELLO*
No século XVII, vigorava na Europa o chamado sistema absolutista.
Monarquias como Espanha, Inglaterra e França, reorganizadas num mundo que havia mudado com a “descoberta” da América e todas as riquezas provenientes das grandes navegações, precisavam de um governo centralizado e forte.
Conhecido como Rei Sol, o rei da França, Luís XIV nasceu no dia 5 de setembro de 1638 e morreu no famoso Palácio de Versalhes, construído em seu reinado, no dia 1o de setembro de 1715.
Ao contrário do pai, que governou com o apoio de um primeiro-ministro, o cardeal Mazarin, Luís decidiu controlar o país como monarca absoluto.
Mazarin, o padrinho, foi uma espécie de tutor do menino Luís, após a morte do pai. O pupilo se mostrou um ótimo aluno. Tomou gosto pela arte, pela guerra e questões militares, pela política e diplomacia.
Sob a regência da mãe, foi declarado rei aos cinco anos. Governou a França por mais de cinquenta.
A ele é atribuída a frase: “O Estado sou eu”. Se não proferiu a frase, pelo menos levou a sério a máxima absolutista do poder divino dos reis. Ninguém podia contrariá-lo. Sua palavra era sempre uma ordem. Deus lhe havia conferido o poder.
Casou-se com a filha do rei da Espanha, Felipe IV, Maria Teresa d’Áustria. Gostava de luxo, riqueza, do palácio sempre com a entourage da corte. De preferência, lindas mulheres! Amava dançar. Para satisfazer seus caprichos, mandou construir o palácio distante 16 km de Paris.
Durante seu governo, a França teve o exército mais bem treinado da Europa. Entrou em lutas para controlar as fronteiras, invadiu parte dos Países Baixos (atuais Holanda e Bélgica), que pertenciam a Espanha e contra a Áustria.
Colocou em prática o sistema mercantilista, com a ajuda do ministro Colbert. Manufaturas se desenvolveram. As exportações foram incentivadas segundo o princípio da manutenção de uma balança de comércio favorável. Comprar menos e vender mais. A construção do palácio de Versalhes e o luxo da nobreza eram um problema para Colbert. O povo que pagasse mais impostos!
O Rei Sol colocou em prática um grandioso mecenato cultural. Criou a Academia de Ciências, a Academia de Pintura e Escultura, a Academia de Arquitetura, mandou construir o Observatório, as praças da Vitória e Vendôme, em Paris, além da colunata do Louvre. Os escritores-dramaturgos Racine e Molière foram patrocinados pelo Estado francês.
A história de Luís XIV, seus feitos, guerras, amantes e morte trágica de uma gangrena na perna ultrapassa as fronteiras da França. O Rei Sol ofuscou a luz de seus herdeiros e deixou um país endividado, um povo revoltado pelos impostos, uma nobreza vivendo às custas do Estado. Seu bisneto enfrentaria a fúria da guilhotina…
* Neta Mello, 60 anos, é historiadora e escritora. Tem quatro livros publicados e escreve no Blog da Neta.
Filme de Roberto Rossellini sobre Luís XIV:
Fontes e +MAIS:
Gostaria de saber de filmes sobre Luiz quize quatorze
No caso, quem foi guilhotinado foi o neto do rei Luis XV, que era bisneto do Rei Sol.