Queda de alambrado cancela final da Copa JH

Há 15 anos… dia 30 de dezembro de 2000.

Queda de alambrado cancela final da Copa JH

O que começa mal, termina mal, assevera o dito popular.

A famigerada Copa João Havelange nasceu da maior virada de mesa do futebol brasileiro. Uma tenebrosa transação de nossa História, com tristes personagens, como o pobre Sandro Hiroshi. Sem esquecer, óbvio, de Gama, Fluminense, Bahia, Juventude e América-MG, resgatados do rebaixamento direto para a disputa do esquisito e esdrúxulo torneio de quatro módulos e 116 participantes.

Bem, depois de cinco meses de disputa, a Copa JH reuniu o pequeno São Caetano e o tradicional Vasco da Gama na decisão. Após o 1 a 1 no Palestra Itália – gols de César e Romário -, no dia 27 de dezembro, o empate sem gols na partida de volta daria a taça ao cruzmaltino.

Estádio São Januário, Rio de Janeiro, 30 de dezembro de 2000. Nas arquibancadas da Colina Histórica, parecia haver mais gente que o recomendável.

Sob sol radiante e calor típico do verão carioca, Vasco e São Caetano iniciaram a disputa, ao trilar do árbitro Oscar Roberto Godoi.

Aos 23 minutos, a saída do lesionado Romário provocou burburinho e bate-boca entre facções da torcida do time carioca. E então, o pior: a avalanche humana que despencou em desabalada carreira pôs parte do alambrado abaixo. Caos.

Em instantes, um cenário tenebroso. Centenas de pessoas estateladas na relva de São Januário. Homens, crianças, mulheres e idosos em desespero, desencontrados, em choque. O calor canicular dava ao painel ares de inferno dantesco.

O diabo? Bem, o diabo atendia pelo nome de Eurico Miranda. Sem nenhum escrúpulo, o nefasto cartolão deu seu show de desumanidade. “Quem manda aqui sou eu”, bradava aos quatro ventos o suarento e truculento presidente do Vasco.

Diante das câmeras, não teve pruridos de querer tirar os feridos de qualquer jeito de campo, a fim de reiniciar o duelo. E quem tinha clima para jogo de futebol? “Se você pode andar, cai fora. Se não pode andar, fica aí”, dizia Eurico, para torcedores ao chão.

Não contente, ameaçou jornalistas, criticou dirigentes do São Caetano, tentou intimidar o árbitro, mandou e desmandou. Só parou quando teve ordem superior. Partiu do governador Anthony Garotinho a sentença de que o jogo fosse cancelado, decreto acatado prontamente pelo coronel da polícia militar. Eurico teve de engolir, não sem umas porradas verbais em Garotinho, a quem chamou de “frouxo” e “incompetente”.

Após o cancelamento do jogo, o ridículo dirigente do Vasco ainda teve tempo para o grand finale: mandou os jogadores darem a volta olímpica, com uma taça improvisada. De plástico. Proclamou-se campeão. Vale ressaltar que alguns cruzmaltinos, como Juninho e Juninho Pernambucano, se posicionaram contrários ao teatro.

“A Copa JH teve a presença firme de Eurico Miranda em seu nascimento e epílogo”, escreveu brilhantemente a Folha, sobre aquele triste dia para o futebol brasileiro.

No último jogo oficial do milênio em Terra Brasilis, gol da Alemanha…

Em tempo: o Vasco acabou vencendo o jogo final por 3 a 1, em confronto realizado no Maracanã, e se sagrou campeão da esquecível João Havelange. Eurico ressuscitou e está novamente à frente do clube, que disputará a Série B do Campeonato Brasileiro em 2016.

Matéria do Globo Esporte sobre o jogo:

Transmissão da Rádio Bandeirantes, de SP:

Fontes e +MAIS:

Acervo Estadão

Acervo Folha

Wikipédia

– folha.uol.com.br

– impedimento.org

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