Orlando Silva, 100 anos

3 de outubro de 1915

Orlando Silva, 100 anos

“Foi o maior cantor brasileiro de todos os tempos”.

Quando ouvia “Naná”, no alto falante da praça de Juazeiro, Bahia, o menino João sonhava ser Orlando Silva. Algum tempo depois, o tal menino e seu violão foram responsáveis pelo nascimento de uma revolução chamada Bossa Nova. E quando diziam que ele era o novo Orlando Silva, João ficava feliz.

João se imortalizou como João Gilberto, o gênio da Bossa Nova. Mas nunca perdeu a admiração e a adoração por Orlando Silva, o “Cantor das Multidões”, para ele, a maior de todas as vozes da História da música brasileira.

Pois hoje o maior de todos para João completa 100 anos. Um tanto esquecido, infelizmente. Porque foi, realmente, grande. Muito grande.

“De 1935 a 1942, Orlando Silva foi o maior cantor brasileiro. Talvez o maior do mundo”, garante o escritor e jornalista Ruy Castro, que relatou um pouco da fascinação de João Gilberto, além de outras passagens sobre o tenor carioca, em dois livros: Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova e A Onda que se Ergueu no Mar.

Nascido no Engenho de Dentro, na capital fluminense, filho de Balbina Garcia e José Celestino da Silva, Orlando Garcia da Silva cresceu ao lado de cinco irmãos. O pai, ferroviário e músico, chegou a tocar com Pixinguinha, e morreu quando Orlando tinha 3 anos.

Na infância, a timidez o impedia de cantar na escola. Em cima da amoreira, no entanto, soltava a voz e alegrava a vizinhança. Entregou marmitas, foi operário em fábrica de cerâmicas, aprendiz de cortador em fábrica de calçado, entregador de encomenda…

Nessa época, sofreu acidente quando descia do bonde que causou a amputação de dois dedos do pé esquerdo. Ficou dois meses no hospital, tomando morfina. Dizem que foi nesse período que se viciou na substância, uma das responsáveis por seu ocaso na música e por sua morte, em 1978.

O trágico acidente, no entanto, acabou o levando à música. Impressionado com a voz de Orlando, o cantor Bororó o apresentou para Francisco Alves, à época já muito famoso e dono de um programa na Rádio Cajuti. Em junho de 1934, Orlando estreou como cantor, interpretando a música “Mimi”, de Silvio Caldas.

Gravou disco no ano seguinte e explodiu em 1937, com “Lábios Que Beijei”, de J. Cascata e Leonel Azevedo.

“O estouro mesmo, onde o Brasil tomou conhecimento que já existia mais um cantor popular foi com “Lábios Que Beijei”, que saiu em março de 1937. Eu já vinha fazendo sucesso, mas não dessa envergadura”, relembrou, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio, em 1968.

Já era um dos principais nomes do time da RCA Victor, ao lado de Carmen Miranda, o próprio Francisco Alves e Silvio Caldas. Em 1938, gravou disco histórico, com “Carinhoso” e “Rosa”, de Pixinguinha, e arranjos do maestro Radamés Gnatalli, que já havia trabalhado em outros sucessos dele.

A queda do “Cantor das Multidões”, apelido dado pelo locutor Oduvaldo Cozzi, começou em 1942. Problemas na vida pessoal, o vício em morfina e no álcool, entre outras questões, minaram a trajetória de Orlando Silva. A voz se enfraqueceu e, em 1946, ele acabou demitido da Rádio Nacional e da gravadora Odeon.

Mesmo com um retorno no início da década seguinte, não tinha mais o mesmo prestígio de antes. Muito menos a voz de outrora. E havia também uma nova música, a tal da Bossa Nova, aquela do menino de Juazeiro, seu fã número 1 até hoje.

O grande ídolo de João Gilberto morreu aos 62 anos, vítima de um AVC.

Será, para sempre, o “Cantor das Multidões”.

Ouça sucessos de Orlando Silva:

Fontes:

Wikipédia

rollingstone.uol.com.br

ebc.com.br

dicionariompb.com.br

folha.uol.com.br

– revistapiaui.estadao.com.br

– radiobatuta.com.br

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2 comentários sobre “Orlando Silva, 100 anos

  1. Não consigo ouvir os cantores e cantora de antigamente; eu ouvia, poem hoje não estou conseguindo. Qual a orientação para eu poder continuar ouvindo?
    Muito obrigado.

  2. Tenho ouvido musicas, ms hoje fuji surpreendido a mudez, o qu é preciso fazer ara poder ouvir os cantores de doutrora?

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