O assassinato de Emmett Till

Há 60 anos… dia 28 de agosto de 1955.

O assassinato de Emmett Till

“Tome cuidado, meu filho! Seja humilde a ponto de ficar de joelhos, se for preciso”.

Mamie Till Mobley estava ansiosa. A viagem do filho para a casa do tio-avô, no Mississipi, a preocupava. Nascido e crescido em Chicago, Emmett não sabia como as coisas funcionavam por lá. Mamie, ao contrário, sabia, e muito bem: brancos de um lado, negros do outro. E de preferência, bem quietos e submissos.

O recado era claro e cristalino: se necessário, abaixe a cabeça e cale a boca. Aos 14 anos, Emmett até já frequentara escolas segregadas, mas não tinha noção do nível de racismo e intolerância do Sul dos Estados Unidos. Além do mais, era um menino que gostava de brincar, de contar vantagem. Como muitos meninos de 14 anos…

Em 24 de agosto, Emmett contou vantagem pela última vez.

Enquanto brincava com primos e amigos em frente a uma loja na cidade de Money, disse que sua namorada lá em Chicago era branca. Todo mundo duvidou, em especial os colegas negros. Pediram, então, para ele chamar a mulher branca sentada no caixa da loja para sair.

Emmett entrou na loja, comprou um doce e se despediu: “Bye, baby!”. Não havia testemunhas por perto, mas o alvo da “cantada”, Carolyn Bryant, disse depois que o menino havia avançado sobre ela e assobiado.

Pronto. A confusão estava armada. Quatro dias depois, Roy Bryant, dono da loja e marido de Carolyn, ficou sabendo de tudo. Na manhã de 28 de agosto, Bryant e o meio-irmão, J. W. Milam, foram à casa do tio-avô de Emmett, Mose Wright. Queriam falar com o garoto e, mesmo após pedidos de Mose, arrastaram Emmett para dentro do carro.

Não farei a descrição das agressões a que Bryant e Milam submeteram o menino de 14 anos. Um ritual perverso que levou Emmett Till à morte.

Alguns dias depois, o corpo foi encontrado no Rio Tallahatchie. Uma imagem fortíssima. O rosto desfigurado, machucado, vazio. No retorno à Chicago, Mamie Till Mobley fez questão de deixar o caixão do filho aberto, para mostrar ao país todo a destruição da intolerância racial.

Emmett Till virou um mártir e até hoje é lembrado. O músico Jay Z e o ator Will Smith estão participando da produção de uma minissérie da HBO sobre ele. Whoopie Goldberg está realizando um filme sobre Emmett, chamado “Till”, baseado em um livro e uma peça de teatro.

Na época, Bob Dylan homenageou Emmett com a canção “The Death of Emmett Till”, também conhecida como “The Ballad of Emmett Till”. E o nosso poeta Vinicius de Moraes também deixou seu recado em “Blues para Emmet Louis Till”.

O brutal assassinato faria nascer com força o movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Em dezembro, um bravo e altivo ato da costureira Rosa Parks daria novo impulso à luta.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Em tempo: Bryant e Milam foram julgados e absolvidos por um júri totalmente branco, que alegou não ter sido possível identificar o corpo.

Documentário sobre o assassinato de Emmett Till:

Fontes e +MAIS:

Wikipedia

history.com

time.com

– emmetttillmurder.com

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