O genocídio de Srebrenica

Há 20 anos… dia 11 de julho de 1995.

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Do balcânicas, 11 de julho de 2011:

“Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos –

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.” 

Poema de Natal – Vinicius de Moraes

Srebrenica, mais uma vez, lembra para ser lembrada, chora e faz chorar e, claro, enterra seus mortos. Em mais um 11 de julho, o pequeno vilarejo ao leste da Bósnia-Herzegovina parou para o 16º aniversário do maior genocídio em solo europeu depois do holocausto: 8 mil vítimas, entre homens e meninos.

“Don’t forget” e “Never Again”. A exemplo dos judeus, as famílias e os amigos das vítimas não querem mais o horror. Mas há que se lembrar sempre. As novas gerações têm de saber o quê aconteceu em Srebrenica, em 1995.

Em 2011, 618 corpos foram enterrados na cerimônia no Memorial de Potocari. Todos os nomes foram anunciados nos alto-falantes, logo depois de discursos de autoridades presentes, homenagens e uma oração islâmica para lembrar das vítimas.

A prisão de Ratko Mladic, em maio deste ano, foi citada, claro. O general das forças bósnio-sérvias foi o comandante do massacre contra a população muçulmana de Srebrenica. Como um pequeno vilarejo, com gente simples, camponesa, pôde ter sofrido tamanha atrocidade?

As guerras são feitas por homens que se acham deuses, com seus planos mirabolantes e idéias loucas. Na prática, matam pessoas simples, que nada têm a ver com toda a loucura das mentes insanas. “Não importa quão necessária ou justificável seja uma guerra, ela será sempre um crime”, disse Hemingway.

Srebrenica enterrou seus mortos. Com choro, angústia, mas também esperança. Estampada nos sorrisos e beijos de meninos e meninas em suas mães. Nos abraços entre amigos, em reencontro em pleno Memorial, apinhado de gente.

Para muitas viúvas, o horror não terminou. Os corpos ainda não foram encontrados para serem enterrados. Um ritual que o homem cultiva desde a Pré-História. Escavações arqueológicas mostram que os homens do neolítico faziam rituais e cerimônias em homenagem aos mortos. Um rito de término, fechamento, necessário.

Até hoje, 5.137 corpos estão enterrados em Potocari. Ainda existem mais de 3.200 perdidos em algum local da região.

Não esqueceremos deste 11 de julho de 2011.

Jamais esqueceremos de Srebrenica.

(…)

Hoje, 11 de julho de 2015, Srebrenica lembrou os 20 anos do massacre.

Mais de 50 mil pessoas estiveram presentes em Potocari. Exatos 136 corpos foram enterrados na cerimônia e, ainda assim, são muitos por enterrar…

O ex-presidente americano Bill Clinton esteve lá e ousou discursar. A exemplo dos principais líderes mundiais da época, ele foi negligente e omisso com relação à dimensão e à gravidade da Guerra da Bósnia (1992-1995). Omissão como essa gerou Srebrenica. E tantas outras barbáries do triste conflito.

A cerimônia de 20 anos também teve momento tenso quando parte dos presentes agrediu o primeiro-ministro da Sérvia, Aleksandar Vucic. Atingido na cabeça por uma pedra que quebrou os seus óculos, acuado, ele teve de ir embora.

As feridas da Guerra da Bósnia e de Srebrenica estão abertas.

Vai levar um tempo para cicatrizarem…

Em tempo: as fotos do post são de autoria do amigo e irmão Diogo Lucato, talentoso fotógrafo e parceiro na viagem pela ex-Iugoslávia.

Os 20 anos de Srebrenica:

+MAIS:

– srebrenica.org.uk

– theguardian.com

– bbc.com

– g1.globo.com

– dw.com

– theatlantic.com

– edition.cnn.com

– nytimes.com

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