Ajax é campeão da Liga dos Campeões

Há 20 anos… dia 24 de maio de 1995.

Ajax é campeão da Liga dos Campeões

POR PEDRO DE LUNA*

Ali, na noite de 24 de maio de 1995, não se tinha ainda a exata noção do que nascia para o futebol mundial e nem tampouco do que, de certa forma, começava a “morrer” no gramado do Ernst Happel Stadion, em Viena. Para entendermos que aquela final de Champions League entre Ajax e Milan era muito mais do que apenas uma partida decisiva da competição que ocorre anualmente na Europa, é preciso relembrar o contexto. O futebol holandês, desde a Era Cruyff nos anos 1970, vivia uma longa entressafra, cheia de fracassos e incertezas. O título da seleção comandada por Rinus Michels na Eurocopa de 1988, o troféu europeu do PSV Eindhoven no mesmo ano e a sequência de geniais campanhas do Milan comandado pelo trio Rijkaard-Gullit-Van Basten pareciam indicar que os bons ventos voltariam a soprar nos Países Baixos na década de 1990.

O próprio Ajax, sob a batuta do então novato treinador Louis Van Gaal, tinha dado indícios desse ressurgimento, com o título da Copa da UEFA de 1992. Aquela equipe era menos brilhante do que se tornaria o esquadrão dos Godenzonen, mas contava com a classe de Dennis Bergkamp, além da experiência de nomes como Danny Blind, Aron Winter e Wim Jonk, e a juventude de Frank de Boer. Era uma semente plantada, e o maior dos frutos certamente viria na temporada 1994-95.

Van Gaal se valeu da tradição e da excelência das categorias de base do Ajax para montar um timaço. Com sua obsessão por inovar taticamente, escalou a equipe com uma defesa em losango numa época em que predominavam zagas em linha, com 3, 4 ou até 5 defensores. Assim, à frente do goleiro Van der Sar, figuravam o lateral-direito Reiziger, o stopper Blind e o zagueiro pela esquerda Frank de Boer. À frente deles, o consagrado craque Frank Rijkaard, atuando como um líbero, vivendo a última temporada de sua carreira. O meio-campo era escoltado por uma dupla de jovens dínamos que fariam história no futebol italiano posteriormente: Edgaar Davids e Clarence Seedorf. A criatividade da equipe ficava também a cargo de outro craque de puro talento: o finlandês Jari Litmanen, um dos maiores heróis da história do Ajax. No ataque, a ponta-direita contava com o nigeriano Finidi George e a esquerda com Marc Overmars, um dos maiores velocistas de seu tempo. A camisa 9 era revezada entre Ronald de Boer, Nwankwo Kanu e o jovem e talentosíssimo Patrick Kluivert.

Na Eredivisie, a liga holandesa, o Ajax nadou de braçada e celebrou o bicampeonato invicto, com 27 vitórias e 7 empates. Chegou a permanecer 43 partidas ao longo da temporada sem ser batido, vivendo um momento de confiança extrema. Na campanha da Champions League, caiu no grupo do então bicampeão europeu Milan, do Casino Salzburg (AUT) e do AEK Atenas (GRE), e somou imponentes 14 pontos de 18 possíveis, com direito a duas vitórias por 2×0 sobre o Milan, dentro e fora de casa.

Nas quartas-de-final, os Joden encararam o traiçoeiro Hajduk Split. Na ida, um 0x0 em solo croata. Na volta, um tranquilo passeio em Amsterdã: 3×0 e a vaga carimbada para a semifinal, onde encarariam o poderoso Bayern de Munique, de Lothar Matthäus e Oliver Kahn. Na primeira partida, em Munique, a mesma receita: um 0x0 e a sensação de que em casa, o Ajax era imbatível e poderia liquidar a fatura. De fato, era. Tanto é que os avassaladores 5×2 aplicados pelo time de Van Gaal nos bávaros no jogo de volta na Holanda são apontados até hoje como a melhor e mais simbólica atuação daquela equipe. A vaga para a final na Áustria estava garantida, e o adversário seria o todo poderoso Milan, de Baresi, Maldini, Boban, Savicevic, Massaro e Fabio Capello, chegando à sua terceira final consecutiva. Para apimentar a disputa, havia a lembrança de que foi o Milan de Gigi Rivera e Giovanni Trapattoni quem impediu a primeira conquista europeia do Ajax de Johann Cruyff, na final de 1969, vencendo por acachapantes 4×1.

Mas em 1995 a história teria de ser diferente. Um duelo extremamente equilibrado, opondo a experiência do Milan, que encerrava uma era vencedora, e o vigor da juventude do Ajax, com seus jogadores buscando um lugar no panteão dos grandes do futebol. Uma defesa muito bem postada contra um ataque de movimentação frenética e grande velocidade nas trocas de passes.

Aos poucos, o Ajax foi se impondo, mas o gol não saía. Eis que, aos 24 minutos do segundo tempo, Van Gaal olha para o banco e chama Patrick Kluivert, de 18 anos de idade, a sensação da temporada. E aos 35 do segundo tempo, ele recebe numa rara brecha entre a retaguarda rossonera, domina de canhota e, de bico, de carrinho, toca por baixo de Sebastiano Rossi. Estava nas redes o tento que devolveria a glória a um clube que revolucionou o futebol. O Ajax era campeão europeu novamente. Nasciam de vez para o futebol nomes como Seedorf, Davids, os irmãos de Boer, Van der Sar, Overmars e Van Gaal.

Infelizmente, por outro lado, essa taça representou algo como o canto do cisne dos anos dourados da agremiação de Amsterdã, que ainda seria vice da Champions na temporada seguinte, mas sofreria um desmanche e veria suas chances de disputar títulos continentais em igualdade de condições serem reduzidas drasticamente com o aumento do abismo financeiro entre o sempre racional futebol holandês e os delírios de sheiks árabes e magnatas soviéticos, que dominaram o cenário europeu nas décadas seguintes.

* Pedro De Luna, 26, é publicitário e admirador de grandes mestres do futebol, como Van Gaal, Rinus Michels e, acima de tudo, Telê Santana.

O gol do título, de Kluivert:

A voadora de Van Gaal!:

+MAIS:

Wikipedia

trivela.uol.com.br

uefa.com

imortaisdofutebol.com

talksport.com

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