Termina a série Lost

Há 5 anos… dia 23 de maio de 2010.

Termina a série Lost

POR GABRIELA ALMEIDA*

O Ministério dos Spoilers adverte: Caso você tenha vivido em uma caverna pelos últimos 10 anos, acordado de um coma recentemente ou brigado com a Net e nunca mais feito as pazes, este post não é para você. Ele contém o segundo maior spoiler de todos os tempos, depois de sabermos que Bruce Willis é um fantasma em “O Sexto Sentido”. Agora sim podemos prosseguir.

Como começar a discorrer sobre o final de Lost? Uma série que viciou milhões de telespectadores muito antes de Game Of Thrones, que foi alvo de diversas interpretações e era carregada de simbolismos. Talvez seja um jeito singelo de começar a descrever esse fenômeno que, há exatos cinco anos, chegava ao fim e que contou com uma direção magnífica de J.J Abrams, uma produção impecável e efeitos especiais aos montes.

A história conta sobre um grupo de passageiros de um avião, que sofre uma queda em uma ilha durante um vôo que fazia o percurso Sydney-Los Angeles. A partir daí, a trama vai tomando forma, enquanto os passageiros começam a enfrentar as dificuldades de sobreviver, racionar comida, construir abrigo e, principalmente, confiarem uns nos outros. Com o auxílio de flashbacks e flashforwards, técnica queridinha do cinema e televisão, a vida de cada uma das personagens vai sendo apresentada durante a trama, revelando seu passado e o motivo de terem pegado aquele determinado voo. Isso é de grande ajuda quando temos um número enorme de personagens para conhecer, além de desviar um pouco do cenário de ilha deserta o tempo todo, o que iria saturar os telespectadores.

Não bastassem as intempéries de se habitar uma ilha supostamente deserta, coisas estranhas começam a acontecer. Pessoas morrem do nada, barulhos do que parecem ser monstros gigantescos podem ser ouvidos pelos passageiros e uma intrigante fumaça preta teima em aparecer e desaparecer misteriosamente para alguns azarados. E já mencionei os ursos polares? Ah, os ursos polares eram a cereja do bolo no quesito inexplicável, já que estamos falando de uma ilha tropical. Eles surgiam quando menos se esperava, aterrorizando toda e qualquer pessoa em seu caminho. Havia também números, pessoas que já faleceram, botões que poderiam destruir a ilha, viagens no tempo e muitas, muitas pessoas tentando matar uns aos outros.

Porém, o que descobrimos, após uma série de epopeias no decorrer das seis temporadas, é que praticamente nada disso seria solucionado no episódio final. E somos contemplados com um último episódio que nos apresenta uma realidade nua e crua: todos estão mortos. É aí que o queixo do telespectador cai e que a essência da série realmente se revela, pois percebemos que Lost é uma série cujo tema central é a espiritualidade. Não me refiro à religião, pois durante a série não é apresentado nenhum símbolo religioso, citação a Deus ou figura de Jesus Cristo. Espiritualidade, pois a chave é entender que, assim como eles, todos nós temos uma missão. Todos nós temos lições a aprender nessa e em qualquer vida e, portanto, precisamos passar por provações contínuas para descobrirmos nosso real propósito. E é exatamente isso o que acontece com cada uma das personagens, conforme elas vão morrendo. O que está aberto a interpretações é se as mortes ocorrem na própria ilha ou antes disso, na queda do avião. Muitos acreditam que a ilha nada mais é do que um grande purgatório onde cada um é testado até se soltar e aceitar sua própria morte. Outros acreditam que a ilha realmente aconteceu e as mortes foram apenas uma consequência do que foi vivido lá e, para os que saíram, do mundo lá fora.

Apesar de muitos guardarem rancor dos autores por “enrolarem” durante seis anos, a genialidade por trás de um final tão pacífico e amoroso para uma série repleta de tensão, violência e mortes, é inegável. Afinal, é o que esperamos que aconteça conosco, não é mesmo? Chegar a um purgatório e encontrar as pessoas que estimamos mais durante a vida, com direito a perdão, paz e superação, inclusive a superação de que a série acabou.

Para os que não superaram até hoje e buscam respostas, existe o epílogo, abaixo…

* Gabriela Almeida é capricorniana da espécie mais teimosa que existe. Conselheira, apaixonada por boa música, Nova York e cheesecake, acredita no poder transformador do amor.

+MAIS:

IMDb

Wikipedia

screenrant.com

telegraph.co.uk

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