Dom Quixote é publicado em Madri

Há 410 anos… dia 16 de janeiro de 1605.

Dom Quixote é publicado em Madri

POR NETA MELLO*

“De como D. Quixote adoeceu, e do testamento que fez, e da sua morte. Como as coisas humanas não são eternas e vão sempre em declinação desde o princípio até ao seu último fim, especialmente as vidas dos homens; e como a de D. Quixote não tivesse privilégio do céu para deixar de seguir o seu termo e acabamento, quando ele menos o esperava; porque, ou fosse pela melancolia que lhe causara o ver-se vencido, ou pela disposição do céu, que assim o ordenava, veio-lhe uma febre, que o teve seis dias de cama, sendo visitado muitas vezes pelo cura, pelo bacharel e pelo barbeiro, seus amigos, sem se lhe tirar da cabeceira o seu bom escudeiro Sancho Pança…”

O parágrafo acima é o último do livro O engenhoso nobre Dom Quixote de La Mancha ou apenas Dom Quixote. O autor, Miguel de Cervantes y Saavedra, teve o nome eternizado após sua publicação, há mais de 400 anos. 

Editado em duas partes – a primeira em 1605 e a segunda em 1615 -, é considerado um dos mais famosos romances do mundo. Com certeza, o maior em língua espanhola.

O mundo do século 17, pelo menos o mundo ocidental que estudamos, havia se expandido para as Américas, explorado oceanos, escravizado índios e negros, conhecido produtos e culturas orientais. Um mundo voltado para fora que marcou o que chamamos de Idade Moderna. Mera divisão para se estudar História.

Cervantes olhou para trás ao criar seu personagem. Debruçou-se sobre a Idade Média, suas cantigas de amor e romances de cavalaria. Seu personagem é uma sátira aos bravos cavaleiros medievais. Um leitor compulsivo de histórias do gênero que se traveste de cavaleiro, escolhe um escudeiro fiel, Sancho Pança, e se apaixona por uma linda donzela, Dulcinéia. Sem esquecer seu cavalo, Rocinante, suas armaduras enferrujadas, espada, escudo e cruéis inimigos pela região espanhola de La Mancha. Satiriza ainda a Igreja Católica e o clero.

Quixote inventou exércitos próprios, miragem de um enorme rebanho que improvisava levado das imaginativas da sua loucura nunca vista… 

…Matando os gigantes, matemos o orgulho; combatamos a inveja, com a generosidade; a ira, com a placidez de um ânimo tranquilo; a gula e o sono, com as curtas refeições e as longas vigílias; a luxúria e a lascívia, com a lealdade que guardamos às que fizermos senhoras dos nossos pensamentos; a preguiça, com o andar por todas as partes do mundo, procurando as ocasiões que nos possam fazer e nos façam, além de cristãos, gloriosos cavaleiros…” 

Miguel de Cervantes morreu num dia de São Jorge, 23 de abril, mesmo dia da morte de outro grande da literatura, William Shakespeare. Na Espanha e em alguns países da Europa, a data celebra o Dia do Livro. Com Dom Quixote e seus moinhos de vento.

* Neta Mello, 60 anos, é historiadora e escritora. Tem quatro livros publicados e escreve no Blog da Neta.

Documentário do History Channel sobre Dom Quixote:

+MAIS:

lpm-blog.com.br

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