A trégua de Natal durante a Primeira Guerra

Há 100 anos… dia 25 de dezembro de 1914. 

A trégua de Natal durante a Primeira Guerra

POR NETA MELLO*

Imagine uma tropa talibã sem armas ou homens-bomba brincando com crianças numa escola do Paquistão.

Imagine uma porta aberta no muro da Faixa de Gaza por onde passam palestinos e israelenses para cantar em árabe e hebraico.

Imagine uma favela em qualquer canto do Brasil em que moradores, traficantes e policiais dividem uma feijoada num domingo de samba.

Imaginou?

Coisa semelhante aconteceu no Natal de 1914, quando soldados alemães e britânicos interromperam a Grande Guerra ou 1a Guerra Mundial. A guerra que deu início ao século XX, segundo o historiador Eric Hosbawn.

Diferente das anteriores, as tropas dos dois lados eram equipadas de novas e poderosas armas: balões dirigíveis, navios de guerra, submarinos, aviões, tanques blindados, metralhadoras, granadas e armas químicas como gases venenosos. Em 1918, o mundo era outro. A Europa destruída contabilizava milhares de mortos.

Apesar de todo material bélico, os soldados da artilharia passavam a maior parte do tempo em trincheiras e saíam para combater como guerreiros medievais.

Entre as trincheiras, um enorme campo cheio de arames farpados e troncos queimados em meio a lama, uma verdadeira terra arrasada, a “terra de ninguém”. Ali ficavam os corpos dos mortos em combate. Apodrecidos, deixavam o ar insuportável. Irrespirável.

Numa “terra de ninguém” entre as atuais Bélgica e Alemanha, na noite de 24 de dezembro, soldados alemães saíram das trincheiras e começaram a cantar “Stille Nacht” ou “Noite Feliz”. Uma noite de inverno europeu, mas sem chuva ou neve. Seis meses haviam decorrido do início da guerra.

Do outro lado, britânicos ouviram a canção e esperaram em silêncio. Alguns gritaram “Feliz Natal!” para os alemães. Sem que nenhum tiro fosse disparado, soldados das duas tropas se encontraram, cantaram juntos, dividiram a comida e beberam para celebrar o Natal.

Nos dias seguintes, enterraram os mortos e ensaiaram uma partida de futebol.

Imagine. You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one. 

P.S.: Estados Unidos e Cuba rompem isolamento e reatam relações diplomáticas depois de 53 anos, uma trégua definitiva!

* Neta Mello, 60 anos, é historiadora e escritora. Tem quatro livros publicados e escreve no Blog da Neta

Documentário do History Channel sobre a trégua de Natal:

+MAIS:

– history.com

– Wikipedia

– Wikipédia

– iwm.org.uk

– revistadehistoria.com.br

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