O Dia D, uma longa história

Há 70 anos… dia 6 de junho de 1944.

O Dia D, uma longa história

POR NETA MELLO*

As cenas iniciais do filme Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg  (1998), duram 27 minutos. São uma reconstituição do desembarque das tropas aliadas no litoral da Normandia, França. O dia 6 de junho de 1944 ficou conhecido como o dia D. Setenta anos se passaram. Poucos estão vivos para lembrar.

O mundo vivia em plena Segunda Guerra Mundial. A Alemanha liderada por Adolph Hitler invadiu a Polônia em setembro de 1939. Foi o início do maior conflito do século XX.

Alemanha, Japão e Itália eram as forças do Eixo. Inglaterra, França (no início), Polônia, União Soviética e EUA (depois de dezembro de 1941) formavam os Aliados.

Em sua louca obsessão, Hitler planejou o extermínio de todos os judeus. Criou campos de concentração em que mais de 6 milhões de pessoas foram mortas em câmaras de gás, depois enterradas em valas enormes ou incineradas.

Após a invasão da Polônia, no dia 3 de setembro, Inglaterra e França declaram guerra  à Alemanha. Em 1940, os alemães invadiram o norte da França depois de já ter conquistado Polônia, Noruega, Dinamarca e parte da Holanda e Bélgica.

Paris, capital francesa, foi controlada pelos alemães. A cidade era a joia de Hitler. Ele passou com suas tropas pelo Arco do Triunfo, onde mandou hastear a suástica, bandeira nazista, uma demonstração de seu poder para o mundo.

Parte dos franceses cedeu à pressão nazista e se aliou aos alemães. Formou-se a República de Vichy, sob o comando do general francês Philippe Pétain. Com seu consentimento, cerca de 75 mil judeus franceses, mais de 13 mil de Paris, foram presos por soldados também franceses e entregues aos alemães. Foram deportados em trens para campos de concentração. Sobreviveram 2500. “Um crime cometido na França, pela França”, segundo o atual presidente francês François Hollande.

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Muita gente fugiu de Paris para formar a Resistência Francesa, entre eles intelectuais e comunistas comandados pelo general Charles de Gaulle, que instalou seu gabinete em Londres.

Por ter um exército forte e bem montado, a Inglaterra virou alvo de fortes ataques nazistas, principalmente aéreos. Bombardeios diários destruíram parte de Londres e mataram milhares de pessoas no que ficou conhecido como Batalha da Inglaterra.

Em 1941, Hitler invadiu a União Soviética rompendo um pacto de não-agressão. A Alemanha passou a lutar em duas frentes na Europa, além das batalhas na África. Alemães e italianos foram expulsos do norte da África pelos britânicos entre 1942 e 1943. Também em 1943, com a ajuda dos partigiani italianos, tropas aliadas entram na Itália. Em 1944, com ajuda do inverno rigoroso, os nazistas se retiraram da União Soviética.

O grande esforço britânico passou a contar com a ajuda dos Estados Unidos em dezembro de 1941, quando a base americana de Pearl Harbour foi bombardeada por aviões japoneses. Os EUA entraram na guerra ao lado dos aliados. É o começo do fim da guerra.

O Dia D foi planejado em todos os detalhes por militares americanos, como o general Eisenhower e pelo primeiro-ministro britânico, um dos grandes nomes da 2a Guerra, Winston Churchill. Famoso por sua frase ao assumir o cargo: “Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor. Temos perante nós uma dura provação, longos meses de luta e sofrimento.” Se numa guerra há herois, Churchill foi o maior desta.

Chamada de maior operação anfíbia da História, contou com cerca de 160 mil tropas aliadas da marinha mercante e naval por 80 quilômetros da costa da Normandia. As diversas praias receberam alguns nomes de estados norte-americanos: Omaha, Utah, Juno e Sword para despistar escutas alemãs. Além disso, criaram uma falsa invasão no Canal da Mancha para confundir os nazistas. Mais de  5 mil navios participaram da operação, que teve ainda uma ação de paraquedistas. Na madrugada, eles saltaram na Normandia para ajudar a invasão por mar.

As cenas que marcaram o Dia D são as da praia de Omaha. Os alemães haviam instalado bunkers e colocado centenas de obstáculos na areia para impedir o desembarque. Foi um morticínio. Mais de 2 mil mortos aliados sob o fogo de forte artilharia de metralhadoras MG42 e armas anti-navais alemãs. Os aliados conseguiram entrar pela lateral esquerda da praia bombardeando os bunkers nazistas.

Foi a retomada da França, mas não o fim da guerra.

Mas essa história fica para outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Neta Mello, 59 anos, é historiadora e escritora. Tem quatro livros publicados e escreve no Blog da Neta.

Veja o documentário “Heróis do Dia D”:

+MAIS:

  • Vários filmes que mostram o desembarque aliado na praia de Omaha, como “O Resgate do Soldado Ryan” (“Saving Private Ryan”) e “O Mais Longo dos Dias” (“The Longest Day”), além de livros como O Dia D – 6 de Junho de 1944, de Stephen E. Ambrose. Vale assistir à série “Band of Brothers” (“Irmãos de Guerra”), co-produzida por Tom Hanks e Steven Spielberg.
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