César Guerra-Peixe, 100 anos

18 de março de 1914

18mar14

“Guerra-Peixe é o nosso Béla Bártok [compositor húngaro, considerado um dos maiores do século XX]. Ele levou a sério as missões de Mário de Andrade, que também foi um papa do nacionalismo musical. Ele desenvolveu uma pesquisa muito bem feita e sistematizada sobre a música brasileira e folclórica, principalmente do Nordeste”.

Uma das boas coisas que o blog proporciona é conhecer personagens.

Hoje, fiquei sabendo da história de César Guerra-Peixe, compositor brasileiro que completa 100 anos neste 18 de março. Efeméride sem o devido destaque, diga-se.

O G1 foi o único grande portal da mídia nacional a dar espaço ao centenário. A frase de abertura do post, do maestro Aluisio Didier, está na reportagem de Cristina Boeckel, em memória deste filho de portugueses nascido em Petrópolis, no Rio de Janeiro, considerado um dos nomes mais importantes da música brasileira no século passado.

Caçula de 10 irmãos, Guerra-Peixe foi precoce. Aos seis anos, já sabia tocar um pouco de violão. Aos sete, bandolim. Violino aos oito, piano aos nove… Com 11 anos de idade, inicia os estudos na Escola de Música Santa Cecília, em Petrópolis. Aos 15, já era professor-auxliar de violino na escola.

Em 1932, aos 18, entra em primeiro lugar no curso de violino do Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, hoje Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Um ano depois, começa a tocar violino em bailes e igrejas.

Muda-se para o Rio em 1934 e começa a frequentar a noite carioca, tocando em restaurantes, gafieiras e bailes, onde tem contato com a música popular. Forma-se em violino na UFRJ e já inicia o curso de Conjunto de Câmera na mesma universidade.

Em 1938, escreve os primeiros arranjos, gravados pela Odeon. Nesse ano, Guerra-Peixe se impressiona com as ideias de Mário de Andrade no livro “Ensaio sobre a música brasileira”. Passa a se interessar mais pela música popular e o violão. Tem aulas com Dilermando Reis.

Rege a orquestra para a trilha do filme “O dia é nosso” (1941), com música de Donga e David Nasser. No ano seguinte, começa a compor de verdade e ganha certa popularidade com a música “Fibra de Heroi”, conhecida como “Bandeira do Brasil”, que vira um hino durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1944, Guerra-Peixe mergulha no Dodecafonismo, em curso de dois anos e meio com o professor H. J. Koellreutter. Passa a se interessar ainda mais por música popular e no estudo das formas regionais, principalmente do nordeste do Brasil. Morando no Recife como arranjador da Rádio Jornal, se aprofunda nos ritmos nordestinos, como maracatu, xangô e banda de pífanos. Em 1955, publica “Maracatus do Recife”, fruto da imersão na música local.

Mora em São Paulo, onde trabalha para diversas rádios e, depois, canais de TV. Em 1970, faz o arranjo para a famosa “Pra Frente Brasil”, que virou hino da conquista do tricampeonato mundial da seleção brasileira, no México. Participa de outros famosos álbuns da MPB, como os Afro-sambas (1966), de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

Mais velho, Guerra-Peixe vira professor e arranjador, uma referência tanto de música erudita quanto popular. Ganha prêmios, homenagens, condecorações, títulos e medalhas.

Falece em 26 de novembro de 1993, deixando legado inestimável para a música brasileira.

Ouça “Tributo a Portinari” (1991), última composição de Guerra-Peixe:

Fontes:

Wikipédia

guerrapeixe.com

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