Incêndio no Edifício Joelma mata 191 pessoas

Há 40 anos… dia 1º de fevereiro de 1974.

1fev14

POR ROBERTO FIGUEIREDO MELLO*

JOELMA, DE TRISTE LEMBRANÇA.

São Paulo, 1º de fevereiro de 1974.

Menos de dois anos depois da tragédia do Andraus, de novo o horror.

Como naquele dia, eu trabalhava no centro de São Paulo, na Rua Dom José de Barros.

De novo as sirenes dos bombeiros e das ambulâncias, soando freneticamente.

Liguei o meu radinho, companheiro inseparável, que sempre tive comigo no escritório, na rádio Jovem Pan, que, justamente a partir do incêndio do Andraus, passou a se notabilizar por coberturas jornalísticas dos grandes eventos da cidade.

Eu me lembro que era o repórter Milton Parron, contando que o Edifício Joelma, na Praça da Bandeira, estava pegando fogo.

Saí do meu escritório com alguns colegas e meu irmão, que também trabalhava no centro, e andamos até a Rua Xavier de Toledo de onde se via o prédio.

De novo o povo estava em peso na rua, inicialmente curioso, em seguida aflito e emocionado.

O prédio envolto em labaredas descomunais da sua metade para cima, pois os andares baixos são destinados a garagens.

A cidade solidária, levando o leite pedido pelo rádio para suavizar os efeitos da intoxicação por fumaça; o povo escrevendo cartazes pedindo calma e tentando orientar os desesperados, que haviam pulado para fora das janelas e estavam agarrados ao parapeito do prédio.

Não conseguimos ficar por muito tempo vendo aquelas cenas, porque as pessoas estavam se atirando para a morte.

O fato mais trágico foi a lembrança ainda recente que muitas das vítimas tinham do Andraus, quando muitos se salvaram subindo para o heliponto.

No Joelma, havia uma laje muito fina e muitos morreram queimados lá em cima, para onde tinham ido na esperança do regate por helicóptero.

191 vítimas no Joelma e 16 no Andraus foi o preço pago para tornar o Código de Obras de São Paulo extremamente rigoroso, na questão da prevenção contra o fogo.

No final desse mesmo 1974, deixei de trabalhar no centro velho de São Paulo.

Voltei em 1998 e, desde então, estaciono o carro na garagem do Joelma.

Para os funcionários do estacionamento é um assunto muito remoto e um pouco lendário até.

Para mim, é a lembrança do evento mais terrível que eu presenciei ao vivo, nestes meus 65 anos.

*Roberto Figueiredo Mello é advogado e paulistano.

Veja imagens do incêndio do Edifício Joelma:

Fontes:

Acervo Estadão

Acervo Folha

Wikipédia

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