Povo vai à Praça da Sé pedir eleições diretas no Brasil

Há 30 anos… dia 25 de janeiro de 1984.

25jan14

“Ouviram do Ipiranga, às margens plácidas/De um povo heróico o brado retumbante”.

Nunca, antes, em sua história de 430 anos completados ontem, São Paulo viu algo igual – centenas de milhares de pessoas transbordando da praça da Sé para todos os lados, horas debaixo de chuva, num grito uníssono: ‘Eleições diretas para presidente!’

Nunca, antes, foram tão verdadeiros os primeiros versos do nosso Hino Nacional.

O brado engasgado na garganta durante vinte anos explodiu na praça da Sé. O pranto travado correu pelos rostos de gente muito vivida, os braços se ergueram, dando-se as mãos uns aos outros, toda gente cantando o Hino Nacional, no encerramento desta festa pelas eleições diretas – a maior manifestação pública a que o Brasil já assistiu.

Não à toa que Ricardo Kotscho é um dos maiores repórteres do jornalismo brasileiro. O trecho acima inicia o relato dele sobre o monumental comício das Diretas Já, há exatos 30 anos.

Hoje, 460º aniversário de São Paulo, podemos recordar aquela festa que pedia pela volta da democracia no Brasil.

Festa sem dono, com políticos de vários partidos, como o PMDB de Franco Montoro, Mário Covas, Orestes Quércia, Fernando Henrique Cardoso, o PT de Lula ou o PDT de Brizola.

Festa com artistas, músicos e personalidades, como Sócrates, Christiane Torloni, Mário Lago, Gianfrancesco Guarnieri, Fafá de Belém, Chico Buarque, Martinho da Vila, Juca Kfouri, entre muitos outros.

E festa com um “crooner” ímpar!

Foi o inigualável Osmar Santos a voz das Diretas Já. Ele quem esteve à frente de praticamente todos os comícios do movimento, iniciado ainda em 1983.

O irmão Oscar Ulisses se recorda daquele dia e de outros momentos das Diretas Já.

“Como todos, vibrava a cada discurso das pessoas que lotavam o palanque. O Osmar deu um show. Mas, acima de tudo, cada um de nós carregava uma esperança desmedida de pôr fim mesmo a uma ditadura que já agonizava. Votar para presidente da República tinha também esse significado. Fomos movidos pela emoção. Depois de Curitiba, primeiro comício das Diretas Já, e São Paulo, o Brasil viveu, intensa e pacificamente, o sonho de um novo tempo”, lembra, com emoção.

A ideia do movimento das Diretas foi lançada pelo então senador Teotônio Vilela, do PMDB de Alagoas, em meados de 1983, durante o programa Canal Livre, da Bandeirantes.

Antes do comício de Curitiba, em novembro de 1983, aconteceram duas manifestações populares, em Recife (março) e Goiânia (junho).

No entanto, foram os 300 mil em São Paulo que impulsionaram a luta pelo retorno da democracia no País.

Em 16 de abril, 1,5 milhão de pessoas tomariam novamente as ruas da capital paulista, no que se tornou a maior manifestação pelo voto direto no Brasil.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Veja a( polêmica) matéria do Jornal Nacional sobre o comício na Praça da Sé:

 

Fontes:

– Wikipédia

– Acervo Folha

– Acervo Estadão

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