Morre a cantora Édith Piaf

Há 50 anos… dia 11 de outubro de 1963.

11out13

POR VALDOMIRO FERREIRA NETO*

Quem vai a Paris, vê fartas menções a Édith Piaf, que morreu em 11 de outubro de 1963, ainda muito jovem, com apenas 47 anos. Mais célebre cantora popular da história da França, uma das maiores de todos os tempos, está eternizada nos corações, souvenires e artistas de rua.

No Montmartre, bairro boêmio, vê-se uma senhorinha com um realejo que roda a imitar o piar do Pardal (daí o apelido de Môme Piaf – pequeno pardal, em francês) com canções lindas e sofridas como “Non, je ne regrette rien” e “La vie en Rose”. Sofrida foi sua vida, que parecia espalhar-se na sua inconfundível voz.

O mesmo visitante poderá ir ao talvez mais famoso cemitério do mundo, o Père-Lachaise, visitar o túmulo da cantora, que deixou os ouvidos locais e apaixonados órfãos de sua presença. Lá seu corpo descansa próximo ao de sumidades locais como os escritores Marcel Proust e Honorè de Balzac, o pianista Frédéric Chopin e o pintor Eugène Delacroix.

Piaf foi vítima de acúmulo de abandonos, morfina e drama. Após ser colocada de lado pelos pais, migrantes, viveu a infância com a avó, que trabalhava em um prostíbulo, teve tumultuados relacionamentos amorosos – um deles com campeão de boxe Marcel Cerdan, que morreu em acidente de avião e a deixou desolada – e estourou em rádios e palcos quando já tinha 35 anos. Tudo começou em um cabaré, onde foi descoberta por um cafetão, e culminou em apresentações nos Estados Unidos, com Piaf protagonista da música mundial.

Uma de suas canções mais conhecidas, a já citada “Non, je ne regrette rien” – em livre tradução, “Não, eu não me arrependo de nada” – foi composta por ela no fim da vida, quando já agonizava. Nos anos 1990, a brasileira Cassia Eller fez linda versão. Logo ela, que também teria uma morte precoce anos depois.

A morte do amante Cerdan, contam algumas versões, foi o início de sua ruína física – embora a caminhada de dificuldades nos primeiros anos de vida já deixassem rasgos e feridas interiores. Problemas físicos a teriam feito usar morfina indiscriminadamente. Ao amado, teria escrito “Hymne à l’amour”.

O pequeno porte contrastava com a potência vocal e a personalidade marcante. No filme “Piaf, um hino ao amor”, de 2007, com uma magistral Marion Cotillard interpretando a cantora, tem-se uma boa pedida dessa enorme-miúda francesa que encantou multidões e superou uma vida de tormentas.

Edith Piaf também ajudou artistas franceses a se lançarem no mundo da música, como Charles Aznavour.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Valdomiro Ferreira Neto, 35, é jornalista e atualmente trabalha como editor do diário esportivo LANCE!. Apaixonado também por música, cinema e literatura, expõe seus devaneios no blog Ideias Flutuantes.

Veja Édith Piaf cantando “La vie en Rose”:

Fontes:

– Livro Piaf – Uma vida, de Carolyn Burke

– Wikipédia

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