Vinte e um são mortos em Vigário Geral

Há 20 anos … dia 29 de agosto de 1993.

29ago13

“Tanto a chacina da Candelária quanto a de Vigário Geral, ocorridas com a diferença de um mês, em 1993, representam um triste marco na violência dos anos 90. Os corpos das oito crianças enrolados em cobertor barato na porta da igreja e os 21 caixões estirados no chão da favela foram imagens que correram o mundo como anticartões-postais do Rio. Os episódios revelaram uma mazela da qual a polícia não se livrou até hoje, a sua banda podre assassina.”

A afirmação é do jornalista e escritor Zuenir Ventura, autor do livro Cidade Partida, que expõe a rotina de violência por que passam os moradores da Favela de Vigário Geral. Ventura falou sobre a Chacina de Vigário Geral em reportagem especial da edição do último dia 25 do jornal O Globo.

A matéria traz os personagens dessa trágica página da História do Brasil. Brasil que estava alegre naquele 29 de agosto de 1993. À tarde, a seleção brasileira havia goleado a Bolívia por 6 a 0, em Recife, e se enchia de confiança para encarar as duas últimas rodadas das eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, contra Venezuela e Uruguai.

No Rio de Janeiro, porém, a noite foi escura e sombria. Na favela da zona norte da cidade, policiais militares executaram 21 pessoas inocentes, em retaliação ao assassinato de quatro PMs por traficantes locais, no dia 28.

Vinte anos depois, dos 52 acusados pelo crime, sete foram condenados e, desse grupo, três foram absolvidos posteriormente, em outro julgamento. Um quarto PM foi morto em 2007, quando estava foragido da Justiça. Sobraram três, mas um teve a pena extinta em 2012, outro está em regime condicional e o único preso, Sirlei Alves Teixeira, permanece atrás das grades por causa de outros crimes.

Ruy Barbosa disse, certa vez, que “Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.”

Antes houvesse justiça tardia no Brasil…

Da tragédia à esperança. Depois da chacina, surgiu, em Vigário Geral, a ONG Afro Reggae, que hoje atua em outras cinco comunidades no Rio de Janeiro.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Assista o documentário “Lembrar Para Não Esquecer”, de Milton Alencar Jr.:

Fontes:

Reportagem especial jornal O Globo

Acervo Estadão

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2 comentários sobre “Vinte e um são mortos em Vigário Geral

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