Arnaldo Baptista e Sgt. Pepper’s

“Tô bem, levando a vida numas! Que nem os Beatles falam, ‘I’m doing things that weren’t important yesterday’! Fazendo coisas que ontem não eram importantes, né! Hoje eu falo sobre os Beatles, ontem falei sobre o Duprat. É uma piração! Vamo levando, pode crer”

Grande Arnaldo Baptista!

Mais uma vez, ele conversou com o efemérides! Feliz da vida, “levando numas”, está realizado e “acolhido”, como disse, com o relançamento de Lóki? e com o seu “Sarau o Benedito?”, que chega à Brasília no próximo final de semana, dias 2 e 3 de junho – informações aqui!

Por telefone, Arnaldo falou sobre os 50 anos de Sgt. Pepper’s e até relembrou com quem ouviu o disco pela primeira vez.

Espia os melhores trechos do papo com ele!

– Voltando um pouco antes de Sgt. Pepper’s, você lembra da primeira vez que ouviu Beatles? 

Lembro, sim. Tocava num conjunto chamado Wooden Faces, “Cara-de-Pau” em inglês, e o amigo que tocava guitarra, o Rafael, me mostrou os Beatles. Ele tinha pego numa loja Hi-Fi, na Rua Augusta, e mostrou pra mim. Foi interessante.

– Lembra que música que foi?

Acho que foi “I Want to Hold Your Hand”. Da época do “She Loves You”, etc.

– Você ouve Sgt. Pepper’s ainda?

Sim, ouço. Tenho ouvido algumas vezes, ultimamente.

– Você disse em uma entrevista que ouviu o disco a primeira vez com o Gil? Lembra disso?

Lembro, totalmente. Fui conhecer o Gil no Hotel Danúbio, em São Paulo, na Brigadeiro Luiz Antônio. Subi até o quarto dele, ele tava com a Nanna Caymmi, esposa dele na época, e mostrou uma fita com o LP. Eu achei uma coisa maravilhosa, o quanto eles alcançaram em relação a criatividade, poesia, filosofia e tal.

Eu achei uma coisa maravilhosa, o quanto eles alcançaram em relação a criatividade, poesia, filosofia e tal.

– E eram você três ou tinha mais alguém?

Não lembro, mas, talvez, o Guilherme Araújo, que era nosso empresário.

–  E o que…

(me interrompe…) Eu acho que o Tom Zé também tava lá! Talvez também o Duprat! Eu acho que foi nesse dia que a gente compôs “Dois Mil e Um”, não tenho certeza!

– Fantástico! E o que mais te marcou no disco?

Sim. Aqui no Brasil talvez não seja tão importante, porque é em inglês, né, mas o lado de filosofia da vida diária das pessoas em Londres, como uma menina que abandona a casa dos pais e eles não entendem, porque eles fizeram tudo e ela indo embora! Então, tem esse contraste de gerações, eles entram nesses detalhes muito profundos da Inglaterra daquela época. E foi muito bom. Fora isso, as aventuras que eles tiveram com música clássica, que deixou a gente embasbacado e com vontade de criar coisa parecida com o Rogério Duprat.

– Que música mais te impressionou quando você ouviu pela primeira vez?

Foi “Lucy in The Sky With Diamonds”. Essa música é muito bonita, no sentido de esclarecer o lado psicodélico. E da letra!

– E “A Day in the Life”?

Muito interessante! Eles escreveram bem o lado do dia-a-dia e é interessante perceber como a poesia entrava no cotidiano deles. Tem também “She’s Leaving Home”, muito boa também.

– E as músicas que ficaram fora, como “Strawberry Fields”?

Sim, a letra é fantástica, em que eles falam de um lugar que é só sonho, não tem nada que você se apegue, se prenda. Então, eu acho muito interessante. É o campo de morangos!

– E “Penny Lane”?

Maravilha! A gente fica embasbacado. Acho que tinha um jogo na Inglaterra com umas moedinhas que caíam que se chamava “penny lane” [também conhecido como “penny game” ou “the last penny”, “jogo do centavo” ou “o último centavo”] e tinha a rua, claro.

“As aventuras que eles tiveram com música clássica, que deixou a gente embasbacado e com vontade de criar coisa parecida com o Rogério Duprat.”

– O primeiro disco dos Mutantes foi no ano seguinte, em 1968. O que o Sgt. Pepper’s influenciou?

O principal foi o fato que a gente podia levar adiante o lado de orquestra, de circo, de chacrinha, porque os Beatles também tavam fazendo isso com sucesso. Não era só música, que nem os Rolling Stones, muito bom, “lenha”, mas tinha o lado poético, visual, psicodélico e colorido. E foi muito bonito!

– Quando foi a última vez que você ouviu o disco do começo ao fim?

Acho que foi ontem! Tava me preparando para a entrevista!

– Qual a sua música preferida?

Ah, continua “Lucy in the Sky With Diamonds”! A letra tem um lado poético, como se a gente tivesse fazendo parte do “carrinho” dos Beatles. Coloque-se num barco, onde uma pessoa de olhos de caleidoscópio fala com você e você responde. Isso é muito bonito e tem o lado psicodélico bem aparente.

– E o que mais você tem a dizer sobre o álbum?

Uma vez eu fui lá na Apple e nos estúdios dos Beatles e vi que eles eram tão diferentes um do outro, como pessoa, com os instrumentos, tudo. Eu achei bonito o fato deles coordenarem tudo isso num sentido único. Por exemplo, eu fiz agora, há pouco tempo, um “Clube dos Possuidores de Amplificadores Valvulados”, né? E eles fizeram o “Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta”! Uma coisa tão festiva! É bonito de ver!

– Quem você acha que foi mais importante para a criação do álbum?

Tenho impressão que foi o John Lennon.

– Por que?

Porque ele é o mais chacrinha dos Beatles! Ele bagunçou o coreto! O Paul era maravilhoso, o lado romântico, o George o lado indiano, de cítara e tal, o Ringo o lado feliz, mas o John era o chacrinha, mesmo!

– E o maestro George Martin?

Ah, eu vejo ele bem parecido com o Duprat! O Duprat eu falava uma coisa de música, tipo “as trombetas do filme ‘El Cid’” ou “as trompas do ‘Dez Mandamentos’ e ele colocava na música, na pauta, exatamente o que eu tinha falado. O George Martin creio que fez a mesma coisa com os Beatles. O que eles pediam, acontecia.

– Você acha que o Duprat, depois de ter ouvido o disco, colocou algumas coisas na música dos Mutantes?

Tenho impressão que influenciou bastante. Orquestra e tal. Com o tempo, a gente se colocava como os Beatles. Eles também usavam o lado orquestral, com instrumentos diferentes, tipo o melotron. Eu fui lá na Apple e conheci esse aparelho. No teclado, tinha som de violino, de vozes e de tudo. É interessante.

– Que é o começo de “Strawberry Fields”!

É verdade, pode crer! Lindo.

Dica! → Clica em cima do selo para ver todos os posts do especial Sgt. Pepper’s 50!

“Lucy in the Sky With Diamonds”, a preferida de Arnaldo!

+MAIS:

– Livro A Divina Comédia dos Mutantes, de Carlos Calado

– memoriasdaditadura.org.br

– oglobo.globo.com

– books.google.com.br

– jconline.ne10.uol.com.br

– luizamerico.com.br

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