O bombardeio de Guernica

Há 80 anos… dia 26 de abril de 1937.

Hoje, Aleppo.

Ontem, Guernica.

Recentemente, a ONU expressou preocupação com a destruição na cidade síria, mergulhada na tragédia da guerra civil que impera há mais de cinco anos no país. A devastação em alguns bairros é tal que as Nações Unidas a apelidaram “Guernica do século XXI”.

Guernica.

Oito décadas atrás, o vilarejo no País Basco, ao Norte da Espanha, com então 5 mil habitantes, foi alvo de um avassalador ataque da Luftwaffe, a força área nazista. Guernica se tornou o símbolo da Guerra Civil Espanhola. Um tétrico laboratório para os homens de Hitler testarem seu poder de fogo.

“Guernica, cidade com 5.000 habitantes, foi literalmente arrasada ao chão. As crateras de bombas podem ser vistas nas ruas. Simplesmente maravilhoso”.

No diário pessoal, a sádica e explícita satisfação do comandante da Legião Condor, Wolfram von Richthofen, responsável por liderar a Operação Rügen, ação com apoio dos nacionalistas de Francisco Franco, claro, mas também dos fascistas de Mussolini, representados pelo Corpo Truppe Volontarie.

Foi a primeira vez que uma cidade do Velho Continente sem nenhum posto militar e somente com população civil sofreu ataque. Por isso, também, o símbolo, que sobrevive até hoje. Havia mais de emblema ali, como lembra Marcelo Coelho na Folha.

“Durante séculos, era como que um centro espiritual e político para os habitantes da região. Os reis da Espanha eram tradicionalmente obrigados a renovar, debaixo do carvalho sagrado da cidade, o juramento de que respeitariam as leis e os costumes locais”, escreve em sua coluna de hoje.

Coelho fala também sobre o lançamento de A Árvore de Gernika no Brasil. O livro, lançado em 1938, compila a série de reportagens de G.L. Steer, correspondente do Times londrino à época da guerra.

As matérias de Steer foram imprescindíveis para desmentir a farsa inventada pelos franquistas. Logo que surgiram as primeiras notícias sobre o bombardeio e o massacre, o alto comando de Franco alegou que a “população comunista” de Guernica era a responsável pela destruição da cidade.

“Visitando o lugar um dia depois do bombardeio, Steer pegou com as próprias mãos as cápsulas de bombas incendiárias fabricadas na Alemanha”, reforça Coelho.

Uma farsa antes da era da pós-verdade, o eufemismo dos mentirosos, como escreve Mário Magalhães em seu blog.

“O 26 de abril de 1937 em Guernica é para sempre.

Ecoa na covardia em curso na Síria destroçada pelo genocídio e onde é difícil identificar o mocinho.

Inspira mentirosos históricos, protegidos por eufemismos como ‘pós-verdade’ _ o franquismo fraudou fatos e inventou cascatas, buscando se dissociar do ato infame.

E, para quem não congelou o coração, estimula os gritos por ‘nunca mais’”.

Nunca mais.

Alguns meses depois, Picasso imortalizaria em quadro o genocídio nazista-fascista-franquista.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Em tempo: não deixe de clicar nos links abaixo, em especial o do El País espanhol, com uma série de reportagens sensacionais sobre os 80 anos de Guernica. Imperdível.

Imagens e relatos do bombardeio:

Documentário sobre Guernica:

Fontes e +MAIS:

– Wikipedia

– Wikipédia

– elpais.com

– washingtonpost.com

– spiegel.de

– pbs.org

– clarin.com

– historycollection.co

– amnesty.org.uk

– blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br

– folha.uol.com.br

– cultura.estadao.com.br

– trivela.uol.com.br

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Um comentário sobre “O bombardeio de Guernica

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