Augusto José Ramón Pinochet Ugarte

Há 10 anos… dia 10 de dezembro de 2006.

Augusto José Ramón Pinochet Ugarte

POR NETA MELLO*

Conhecer o deserto do Atacama, no Chile, é uma experiência única. Paisagens inimagináveis. Exuberância de cores, texturas, pores do sol e estrelas. Milhares de estrelas no céu mais limpo do planeta. O Atacama esconde mistérios estudados por centenas de cientistas. Esconde também minúsculos fragmentos de 26 prisioneiros torturados e executados pelo governo militar comandado por Augusto Pinochet Ugarte, no dia 19 de outubro de 1973.

Há quem ainda defenda as ditaduras na América Latina. Penso que não há como defender nenhum governo que tira a liberdade de expressão, prende, tortura e mata. Seja ele de direita ou de esquerda.

Na estrada que leva os viajantes do aeroporto da cidade de Calama até San Pedro de Atacama, há o Memorial de Calama, que relembra um grupo de militantes contrários à ditadura militar no Chile.

A figura de Augusto Pinochet ainda divide opiniões no país e no mundo.

O tirânico ditador chileno morreu no dia 10 de dezembro de 2006, no Hospital Militar de Santiago do Chile, após infarto do miocárdio e edema pulmonar.

Pinochet não teve um funeral de chefe de Estado, apenas com honras militares. A presidente Bachelet, cujo pai foi torturado e morto pelo regime militar, sequer compareceu ao velório. Foi representada pela ministra da Defesa. A própria presidente Bachelet fora presa, torturada e obrigada a se exilar do país, como centenas de militantes contrários ao regime. Foram anos traumáticos para o povo chileno.

Após o golpe militar de 11 de setembro de 1973, patrocinado pela CIA, a morte do presidente eleito Salvador Allende e de mais de 3 mil pessoas e cerca de 38 mil vítimas de tortura, o general Pinochet ficou no poder até 1990. Em 1988, foi realizado um plebiscito em que o povo chileno votou contra o regime militar. Eleições foram convocadas e a esquerda saiu vitoriosa. Ele ainda conseguiu se proclamar senador vitalício do Chile. Fez mudanças na economia do país, sem dúvida, modernizou a indústria chilena, mas a que preço?

Morando em Londres, Pinochet foi processado pelos crimes da ditadura militar e por atos de corrupção, mas se livrou das acusações pela “saúde frágil e idade avançada”.

O Memorial de Calama nos remete a visitas a outros memoriais pelo mundo. Como os de Berlim e de campos de concentração nazistas que lembram o holocausto, ou os da antiga Iugoslávia, que procuram mostrar o que foram a guerras na Bósnia e na Croácia nos anos 1990. Para que as atrocidades não se repitam.

Na região de Calama, foram mortos e enterrados os 26 prisioneiros a mando de Pinochet, que se gabava de controlar o país sem deixar que nada nem ninguém escapasse. A Caravana da Morte passou pelo Atacama e em outras províncias. Depois, para não deixar rastros, os corpos foram exumados e esquartejados, e os pedaços novamente enterrados.

Ali, mães e mulheres dos desaparecidos usam pás para cavar a terra do deserto e tentar encontrar fragmentos de ossos. Procuram pequenos fragmentos de seus entes queridos, na esperança de que exames de DNA comprovem a identidade de cada um. Dedicam a vida nessa escavação.

A estranha sensação que lá senti, ao ver as fotos e flores depositadas em pequenos montes de pedras, deve ser infinitamente menor que os fragmentos que mães e mulheres procuram há anos. Por um segundo, procurei me colocar no lugar de uma delas para sentir que nunca mais abraçaria um filho ou o marido desaparecido nas areias do Atacama.

Augusto Pinochet morreu há dez anos, mas a chaga que provocou no Chile nunca se fechará.

* Neta Mello, 61 anos, é historiadora e escritora. Tem cinco livros publicados e escreve no Blog da Neta.

Cerimônia no Memorial de Calama:

Jornal Nacional com a morte de Pinochet:

+MAIS:

– Wikipédia

– Wikipedia

– Acervo Estadão

– Acervo Folha

– nytimes.com

– theguardian.com

– economist.com

– ft.com

– bbc.co.uk

– observatoriodaimprensa.com.br

– vozciudadananoticias.com

– revistacult.uol.com.br

– appoa.com.br

– g1.globo.com

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