John Lennon lança “Imagine” nos Estados Unidos

Há 45 anos… dia 11 de outubro de 1971.

John Lennon lança "Imagine" nos Estados Unidos

POR GUILHERME ALMEIDA*

De acordo com uma estimativa realizada por historiadores, tivemos apenas 230 anos de paz na Terra nos últimos 3.500 anos da História do mundo civilizado. Levando em consideração que nossos pensamentos, ações e palavras criam a realidade em que vivemos, podemos compreender o quão poderoso e necessário é o exercício de visualizarmos um mundo onde todos vivam em unidade. Esse é o legado da lendária canção “Imagine”, de John Lennon, que hoje completa 45 anos.

“Imagine” foi lançada no álbum homônimo, primeiro nos EUA, em 9 de setembro de 1971, e depois no Reino Unido, no dia 8 de outubro do mesmo ano. Em 11 de outubro, ou seja, 45 anos atrás, o single chegou às lojas nos Estados Unidos (a Terra da Rainha ganharia edição própria só em 1975).

John Lennon compôs a canção em uma única sentada ao piano, em sua casa em Tittenhurst Park Estate, Inglaterra. Yoko Ono o observou enquanto ele tocava a melodia e escrevia grande parte da letra. A música foi gravada no mesmo local, com a ajuda dos músicos Alan White, amigo de longa data, Klaus Voormann (músico e artista, o homem por trás da capa do álbum Revolver), Nicky Hopkins, e o produtor Phil Spector, que teve a sensibilidade de manter a faixa simples, preservando sua essência. A edição dos acréscimos finais ocorreu em Nova York, onde foi adicionado um sutil e apropriado arranjo de cordas dos membros da Filarmônica de Nova York.

No documentário “Gimme Some Truth: The Making of John Lennon’s ‘Imagine’”, é possível conferir com certa intimidade partes de processo de criação, tanto do álbum quanto da canção, assim como o impaciente perfeccionismo de John. Tem também a cena antológica dele e Miles Davis jogando basquete no quintal, no dia do 31º aniversário de John, em 9 de outubro de 1971. Aqui o trecho onde Lennon apresenta “Imagine” pela primeira vez para o pianista Nicky Hopkins:

Desde o primeiro momento em que ouviram, todos sabiam que a música era especial. Mas ninguém fazia ideia do impacto que teria sobre o mundo, tanto musical quanto politicamente. Desde então, a canção foi regravada por artistas de todos os gêneros, de Liza Minnelli a Stevie Wonder, de Neil Young a Lady Gaga, e apresentada em alguns dos maiores eventos em todo o mundo, como as Olimpíadas, véspera de ano novo, concertos pela paz, concertos contra a fome, além ocupar as posições mais elevadas nos principais rankings musicais do planeta.

Juntamente com “Instant Karma” e “Give Peace a Chance”, “Imagine” é uma das três músicas solo de Lennon no Rock and Roll Hall of Fame, todas consideradas canções que “moldaram o rock and roll”. A revista Rolling Stone colocou “Imagine” na 3ª posição da lista das 500 Melhores Músicas de Todos os Tempos.

Após a trágica morte de John, em dezembro de 1980, “Imagine” foi relançada na Inglaterra e bateu o #1 nas paradas por quatro semanas seguidas, substituindo justamente “Woman”, outra canção dele. Em uma estranha (e triste) coincidência, foi a primeira vez que um artista se revezou no topo das paradas britânicas desde 1963, quando os Beatles conseguiram a façanha rara, com “She Loves You” e “I Wanna Hold Your Hand”.

Ainda assim, poucas pessoas sabem que a inspiração original para John Lennon compor o que se tornaria, provavelmente, o maior hino pela paz na Terra, veio de um poema do livro Grapefruit, de Yoko Ono, hoje famoso como um dos primeiros exemplos de arte conceitual. A Capital Records chegou a reproduzir na capa traseira do LP original o poema intitulado “Cloud Piece”, cujo texto é:

“Imagine as nuvens gotejando, dê um espaço em seu jardim para as gotas entrarem.” 

Posteriormente, John admitiu que Yoko deveria levar os créditos da canção na mesma proporção que ele. “Grande parte – da letra e do conceito – vieram de Yoko, mas naquela época eu era um pouco mais egoísta, um tanto mais machista, e meio que omiti a contribuição dela, mas a ideia surgiu diretamente do Grapefruit.”

Quando indagado sobre o significado da música, na famosa entrevista para David Sheff, publicada na revista Playboy, Lennon disse que Dick Gregory tinha dado a Yoko e a ele um livro de preces cristãs que contribuiu como inspiração, conforme suas próprias palavras:

“O conceito da prece positiva… Se você puder Imaginar um mundo de paz, sem denominações ou religiões – não apenas religião, mas sem esse meu Deus-maior-do que-seu-Deus – então isso pode ser verdade… o Conselho Mundial de Igrejas me ligou uma vez e perguntou: ‘Podemos usar a letra de ‘Imagine’ e apenas trocar por ‘Imagine uma religião’?’ Aquilo mostrou que eles não tinham entendido mesmo. Isso abalaria todo o propósito da canção, a ideia completa.”

Lennon ainda descreveu o significado da música e explicou seu apelo comercial: “É antirreligiosa, antinacionalista, anticonvencional, anticapitalista, mas é aceita porque é adocicada … Agora eu compreendo o que se tem a fazer: transmitir sua mensagem política com um pouco de mel.” Certa vez, chegou a dizer para Paul McCartney que “Imagine” era “Working Class Hero” com açúcar para conservadores como o parceiro.

Hoje já podemos dizer que é impossível imaginar um mundo sem “Imagine”. E fico na dúvida se John imaginou o quão necessária ainda seria sua mensagem 45 anos depois.

* Guilherme Almeida é autor do blog Meu Mestre Coração e criador da Less, um projeto de design sustentável, que inclusive concebeu um pôster eco-friendly em homenagem aos 45 anos de “Imagine”.

“Imagine”:

+MAIS:

– Wikipedia

– Wikipédia

– songfacts.com

– rollingstone.com

– beatlesbible.com

– huffingtonpost.com

– billboard.com

– books.google.com.br

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