O golaço de Paul Gascoigne contra a Escócia em Wembley

Há 20 anos… dia 15 de junho de 1996.

O golaço de Paul Gascoigne contra a Escócia em Wembley

POR TOM WATT*

A história de como Paul Gascoigne mudou o futebol inglês para sempre durante a Copa do Mundo de 1990 fica pra outro dia. Seis anos depois, a Inglaterra sediou a Eurocopa e o segundo jogo da primeira fase viu o time de Terry Venables diante de seu mais antigo rival, a Escócia, em Wembley. As heroicas lágrimas de Gascoigne no Estádio delle Alpi contra a Alemanha Ocidental já tinham há muito sido esquecidas e sua inclusão na seleção inglesa na Euro’96 foi uma questão para fervoroso debate. Ao que parece, nós, ingleses, viramos as costas aos nossos antigos heróis. Após um mau desempenho dos jogadores ingleses em amistosos preparatórios na Ásia e uma performance abaixo da crítica contra a Suíça no jogo de abertura, Gazza foi amplamente identificado na mídia como sendo um líder, um símbolo de tudo o que havia de errado com a equipe.

Eu cobri o torneio pelo jornal The Observer e, antes do confronto contra a Escócia, recordo de ter me envolvido em um quente bate-boca – sob sol escaldante – com um comentarista da rádio BBC. Segundo ele, Gascoigne estava acabado, era um ninguém, sem nada a oferecer em nível internacional. Era bastante claro que a persona pública de Gascoigne – ‘Gazza’, motivo de risos, piadas e brincadeiras – que feria esse cara. Meu argumento de que aquele jogador ainda era o mais bem-dotado de sua geração e ponto-chave para quaisquer esperanças no progresso da Inglaterra entrava por um ouvido e saía pelo outro. Não fiz uma contagem à época, mas uma olhada nas manchetes dos jornais na manhã de 15 de junho de 1996 vai comprovar que eu era minoria em relação a esse assunto. Gazza ainda era o favorito entre os torcedores, mas já tinha sido descartado pelos entendidos.

Wembley estava fervendo por volta das 3 da tarde, o lugar apinhado de inebriados torcedores ingleses e escoceses sem camisa, todos curtindo o sol londrino. O duelo, para ser sincero, não fez jus à vibrante atmosfera. A Inglaterra jogou aos trancos e barrancos contra um time bem comum, mas muito brigador da Escócia. A única fluência se deu durante os 30 minutos em que Jamie Redknapp esteve em campo, saído do banco para depois deixar o jogo, machucado, a 5 minutos do fim. Durante esse período, a partida pegou fogo: Shearer marcou em forte cabeçada após cruzamento de Neville; a Escócia “ganhou” um pênalti duvidoso, em carrinho na bola de Adams em Durie; na corrida do capitão Gary McAllister em direção à bola, uma lufada leve de vento moveu a pelota da marca fatal; David Seaman mergulhou para a direita e defendeu com o cotovelo. Então, Gazza entrou em cena.

O jogo foi vencido em um instante. E a surrada reputação de Gaza foi rapidamente restaurada.

Poucos instantes após o pênalti perdido, a bola foi dominada por Darren Anderton, que a fez chegar até no caminho do encrenqueiro Gascoigne. A medida que a bola caiu do alto, no lado esquerdo da grande área, ele deu seu toque sutil e a levantou sobre a cabeça do zagueiro central, Colin Hendry, que escorregou enquanto tentava impedir a investida de Gascoigne. O meia inglês já tinha passado e, depois de chapelar Hendry com o pé esquerdo, agora fuzilava o goleiro Goram em lindo voleio de pé direito. O jogo foi vencido em um instante. E a surrada reputação de Gaza foi rapidamente restaurada.

A torcida inglesa comemorou descontroladamente, assim como Gascoigne e seus companheiros, que protagonizaram uma notória brincadeira de beber, em um delirante amontoado à beira do gramado. O jogo não tinha sido fantástico. O gol, no entanto, certamente tinha. E inspirou a arrancada para uma outra derrota em disputa de pênaltis – mais uma vez para a Alemanha, novamente em uma semifinal – 10 dias depois. Apesar de ter mudado algumas mentes naquela ensolarada tarde em Wembley – e, em seguida, ter sido o coração de uma das maiores performances da História de uma seleção inglesa, no implacável 4 a 1 sobre a Holanda, na noite de 18 de junho –, a Euro’96 acabou sendo o canto do cisne de Gazza. Ele nunca mais representaria seu país em uma grande competição novamente.

* Tom Watt é um ator, escritor e cineasta do Reino Unido, atualmente na França para ver a Inglaterra — entre outras seleções — na Euro 2016.

O pênalti perdido pela Escócia e o golaço de Gazza:

Terry Venables relembra aquele gol:

Fontes e +MAIS:

Wikipedia

uefa.com

– theguardian.com

– goal.com

– skysports.com

– fourfourtwo.com

– mirror.co.uk

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