Bob Marley & The Wailers lançam o álbum Live!

Há 40 anos… dia 5 de dezembro de 1975.

Bob Marley & The Wailers lançam o álbum Live!

POR GUILHERME ALMEIDA*

O apresentador londrino avisa: “essa será uma Trench Town experience!” Algo inusitado ao público de 40 anos atrás no Lyceum Theatre de Londres. Na sequência, anuncia e enfatiza a exclusividade do show: “diretamente de Trench Town, Jamaica: Bob Marley and The Wailers!” Mal sabiam, ele e público, que estavam prestes a assistir e protagonizar o que seria considerada uma das mais fervorosas performances já registradas na era da música pop.

Live! está listado entre os 50 melhores álbuns ao vivo de todos os tempos pela revista Rolling Stone, mais precisamente na 34ª posição. Mais uma prova de que o franzino Leão de Judá – que para ele, era o imperador da Etiópia, Haile Selassie, mas para mim, de forma simbólica, era ele próprio, com juba e tudo – possuía um potente rugido que ainda ecoa misticamente pelos ares de Gaia.

Um fato curioso é que nunca houve a intenção de se gravar nenhum dos dois shows realizados na capital britânica. Se hoje podemos viajar nas nuances da fumaça sonora que é Live!, devemos isso, em partes, a outra lenda da música: os Rolling Stones!

A turnê de Natty Dread teve seu início na América do Norte, onde Bob e os Wailers foram ovacionados por um público de quinze mil fãs no Central Park. Logo após cruzar o Atlântico, com dois shows esgotados no Lyceum de Londres, o veredicto foi nada menos que uma reportagem de capa no jornal Melody Maker (o mais antigo jornal sobre música já existente, publicado no Reino Unido, incorporado pelo concorrente NME, em 2000), anunciando Bob como “possivelmente, o maior astro a visitar estas costas desde os dias em que Dylan conquistara as salas de concerto da Grã-Bretanha”.

E foi justamente por testemunhar a apoteótica performance do primeiro show que Chris Blackwell, fundador da Island Records (gravadora jamaicana que lançou praticamente todos os álbuns do Bob, até este fundar a Tuff Gong Records), garantiu que o estúdio móvel dos Rolling Stones estivesse estacionado em frente ao local para a gravação do segundo show.

O resultado é um verdadeiro spliff prensado em vinil! “Trench Town Rock”, a única inédita no álbum, libera a primeira baforada na brisa que permeia suas sete faixas. As demais são originalmente dos álbuns Natty Dread (1974) e Burnin’ (1973). A mistura entre letras políticas rebeldes como as de “Burnin’ and Looting”, “Them Belly Full (But We Hungry)” e “Get Up, Stand Up”, os grooves proferidos pela guitarra do recém integrante dos Wailers, Al Anderson, o walking bass de Aston ‘Family Man’ Barret e o incomparável coro das I-Threes, garantiu uma fluida troca de energia entre o público londrino e Bob, um artista que ganhava vida como poucos no palco enquanto parecia canalizar mensagens de algum plano superior.

“Lively Up Yourself” e “I Shot the Sheriff” levantam o público com a ajuda dos teclados de Tyrone Downie. Mas é na lendária versão de sete minutos de “No Woman No Cry” que a conexão entre banda e público atinge seu ápice. Tão lendária que é essa a versão escolhida para o álbum póstumo Legend. Acabou por se tornar a versão mais famosa, a definitiva.

Em 2001, “Kinky Reggae” foi adicionada como faixa bônus no lançamento da versão remasterizada do álbum.

Natty Dread foi o primeiro álbum de Marley como “Bob Marley and The Wailers” (em vez de apenas “The Wailers”) e foi o primeiro sem os companheiros da formação original, Peter Tosh e Bunny Wailer. Também foi o primeiro com as I-Threes, trio de cantoras que incluía a esposa de Bob, Rita Marley.

A conquista do público europeu seria fundamental, não apenas na trajetória do rude boy (como são conhecidos os delinquentes juvenis na Jamaica) que saíra dos guetos de Kingston rumo ao título vitalício de Rei do Reggae, como também para a difusão desse estilo musical ao redor do globo.

Apesar da breve passagem por aqui – Bob morreu aos 36 anos e teria 70 este ano -, sua música ainda carrega o poder da revolução entre as novas gerações. Já em sua primeira gravação, o jovem Robert Nesta Marley mostrava a que viera. As palavras de “Judge Not”, composta pelo garoto de 16 anos, se farão necessárias ainda por um bom tempo.

Mas essa história fica para outro dia… Porque todo dia é histórico.

*Guilherme Almeida é um buscador espiritual e usa a música como principal meio de conexão com seu mestre coração.

Ouça Live!:

Fontes e +MAIS:

Wikipedia

– allmusic.com

– rollingstone.com

– dailyreview.com.au

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