Um sonho chamado Cartola

Há 35 anos… dia 30 de novembro de 1980.

Um sonho chamado Cartola

“Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”.

Sim, pode até já ser um clichê. Mas Nelson Sargento acertou na mosca.

A passagem de Angenor de Oliveira pela Terra foi, de fato, uma quimera, uma saga, uma ilusão, uma fábula.

Um samba-enredo.

Já no final da melodia, pouco antes da dispersão, ele ordenou: “Quando for enterrado, quero que o Waldemiro toque o bumbo”.

Dito e feito. No dia 1º de dezembro de 1980, um dia após a partida, lá estava Waldemiro, junto da multidão, no cemitério do Caju. O ritmista que aprendeu a “encourar” o instrumento com ele, tocou seu bumbo. E foi acompanhado pelo coro de “As Rosas Não Falam”, enquanto o caixão descia, com as bandeiras da Mangueira e do Fluminense.

Cartola. Divino Cartola.

Primogênito de oito filhos de Sebastião e Aída, batizado Agenor, registrado Angenor.

Cartola, por causa do chapéu-coco que usava para proteger a cabeça e os cabelos, no ofício de pedreiro. Foi também tipógrafo, contínuo do Ministério da Indústria e Comércio e gráfico.

Mas o samba era o seu destino.

Conheceu o Morro da Mangueira aos 11, quando a família se mudou pra lá. Pouco depois, fundou o bloco dos Arrengueiros, junto de Carlos Cachaça, eterno amigo, parceiro de composições.

Pouco depois, os Arrengueiros virariam escola, a Estação Primeira de Mangueira. A verde e rosa.

Na década de 1930, a gravação de seu primeiro samba, “Que Infeliz Sorte”, na voz de Francisco Alves. Outras composições ganharam as rádios, em interpretações de Carmen Miranda, Aracy de Almeida, entre outros.

Em meados dos anos 1940, a morte da primeira mulher e uma doença o levaram à reclusão e ao ostracismo. Saiu do morro, foi pra Caxias, sumiu. Ninguém mais ouviu falar de Cartola. Achavam até que já tinha partido!

Mais de uma década depois, foi reencontrado por obra do acaso. O cronista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, o reconheceu em um bar de Ipanema. Na época, trabalhava como lavador de carros e vigia de garagem!

Foi o renascimento. Ou o nascimento! O Brasil, enfim, reverenciaria a sabedoria musical de um gênio.

Voltou a cantar, foi reinterpretado por uma nova safra de artistas, ficou, finalmente, conhecido. E devidamente reconhecido.

Em 1974, aos 65 anos, gravou seu primeiro disco, “Cartola”. Foi em 1974 também o término de um capítulo fantástico na vida dele: o restaurante Zicartola. Aberto em 1964, junto com Dona Zica, a mulher, outro símbolo da Mangueira, era frequentado por sambistas, músicos, artistas, jornalistas, entre outros. Foi um marco para a música e revelou novos nomes do samba, como Paulinho da Viola e Clementina de Jesus.

Cartola teve mais três discos de estúdio, em 1976, 1977 e 1979. Em 1982, Cartola Ao Vivo, seu único registro ao vivo, de um show de 1978, também foi lançado.

Viveria os anos finais da vida ao lado de Dona Zica, em uma modesta casa em Jacarepaguá.

Cartola.

Foi um sonho, mesmo.

Ou, como disse o amigo e parceiro Carlos Cachaça naquele 1º de dezembro: “… simplesmente, um homem em toda a grandeza da palavra, o que chamam de humano”.

Trailer do documentário “Cartola”, de 2008:

Fontes e +MAIS:

Wikipédia

Acervo Folha

– almanaque.folha.uol.com.br

– dicionariompb.com.br

– acervo.oglobo.globo.com

– revistadehistoria.com.br

– revistaforum.com.br

– namiradogroove.com.br

blogln.ning.com

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