Rolling Stones lançam “Satisfaction”

Há 50 anos… dia 6 de junho de 1965.

Rolling Stones lançam “(I Can't Get No) Satisfaction”

Antes do sonho, o sono 

POR WALTERSON SARDENBERG Sº* 

Até hoje Keith Richards jura que compôs “(I Can’t Get No) Satisfaction” dormindo em seu apartamento londrino de Carlton Hill. Levara o violão e um gravador Philips para a cama. Ao acordar, voltou a fita e descobriu: lá estavam 30 minutos com o esboço da canção — e outros 40 minutos com o seu próprio ronco. Outros acasos acabaram marcando “Satisfaction”, por muitos considerado o maior riff do rock.

A letra, com sua brutal conotação sexual, foi composta por Mick Jagger à beira da piscina do hotel em que a banda se hospedara na cidade americana de Clearwater, na Flórida, em 6 de maio de 1965. Quatro dias depois, os Rolling Stones voltavam ao diminuto estúdio da Chess, em Chicago, onde estiveram no ano anterior e onde haviam gravado alguns de seus ídolos, com destaque para Muddy Waters e Howlin’ Wolf. Hoje, no endereço (2120, Michigan Ave.), funciona a Willie Dixon’s Blues Heaven Foundation, em honra ao grande compositor e baixista, falecido em 1992.

A banda gravou quatro faixas na ocasião, entre elas uma versão acústica de “Satisfaction”. Nem Jagger, nem Richards encontraram, digamos, satisfação no registro da faixa. Dois dias depois, voltaram a tocar “Satisfaction”, desta vez nos estúdios da RCA, em Los Angeles. Charlie Watts, o baterista, ficou particularmente excitado. Não com “Satisfaction. Mas por adentrar o espaço mitológico em que o baterista Louis Bellson gravara “Take the ‘A’ Train” para o disco Ellington Uptown, de Duke Ellington, lançado em 1952. Este número jazzístico, por sinal, seria utilizado, em sua versão original, na abertura da excursão de 1981 dos Stones, tocado antes de a banda entrar no palco, como está registrado no disco ao vivo Still Life.

Mas voltemos ao ano de 1965. Keith Richards andava escutando um bocado de soul e imaginava o riff de “Satisfaction” tocado por um naipe de metais — da mesma maneira como faria o cantor Otis Redding na sua cover do mesmo ano, produzida pelo grande Steve Cropper. Na falta dos instrumentos de sopro, o guitarrista recorreu a um pedal de distorção, o Maestro Fuzz Tone FZ-1, fabricado pela Gibson/Norlin. O fuzz não era uma novidade. Três anos antes, um pedal similar, embora mais rústico, o Fuzz Rite, da Mosrite, havia sido utilizado pelo grupo The Ventures, na instrumental “The 2000 Pound Bee”. Mas foi “Satisfaction”, sem dúvida, que popularizou este efeito sonoro da guitarra distorcida.

O fuzz se tornaria uma tônica do rock da segunda metade dos anos 1960. Ele aparece, por exemplo, em “American Woman”, do Guess Who; “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin; “Revolution”, dos Beatles; “Purple Haze”, do Jimi Hendrix Experience e uma infinidade de músicas. No Brasil, ficou marcante em “Você Não Serve Para Mim”, música composta por Renato Barros (do Renato e seus Blue Caps) e gravada por Roberto Carlos, com o próprio Renato na magistral guitarra. Vale lembrar também da versão dos Mutantes para “Minha Menina”, de Jorge Ben, com Sérgio Dias esmerilhando.

Keith Richards, porém, mais uma vez não ficou satisfeito com a gravação de “Satisfaction” nos estúdios da RCA, embora Andrew Loog Oldham, então empresário dos Stones, tenha achado o máximo. Para o guitarrista, ainda era um esboço, embora tenha contado com a participação de Jack Nietzsche no piano e na meia-lua. Sua ideia continuava a mesma: utilizar metais no riff. Por isso, tomou um baita susto ao ouvir a canção no rádio. Sentiu-se traído por Oldham. O compacto saiu primeiro nos Estados Unidos, em 6 de junho de 1965 — e só em 20 de agosto, na Inglaterra. A explicação: a Decca britânica estava na bocada para lançar o primeiro disco ao vivo do grupo, Got Live If You Want It!.

Em 10 de julho de 1965, pouco mais de um mês depois de ter chegado às lojas, “Satisfaction” alcançou o primeiro lugar no ranking da Billboard. Suplantara “I Can’t Help Myself”, com os Four Tops, e “Mr. Tambourine Man”, com os Byrds. Em outubro, a parada de sucessos seria comandada por outra composição feita dormindo. Sim, “Yesterday”, de Paul McCartney. O sonho, como tinha de ser, começou durante o sono.

* Walterson Sardenberg Sº é jornalista desde 1978. Nasceu em um dia histórico: 6 de julho de 1957, em que Paul McCartney e John Lennon de conheceram.

“(I Can’t Get No) Satisfaction”, de 1965:

Keith Richards toca versão acústica:

Fontes e +MAIS:

– Wikipedia

– songfacts.com

– ultimateclassicrock.com

– theconversation.com

– dangerousminds.net

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