Eddie Vedder, 50 anos

23 de dezembro de 1964

Eddie Vedder, 50 anos

POR RODRIGO PIPPONZI*

Eddie Vedder, vocalista e líder da banda Pearl Jam, faz hoje 50 anos.

Sua história é digna de roteiro de cinema: abandonado cedo pelo pai, cresceu de forma turbulenta em San Diego, Califórnia, onde, ainda jovem, começou a trabalhar fazendo bicos de segurança e frentista. Apaixonado por música, cantava em bares da cidade. Até que, no início dos anos 1990, recebeu uma fita de uma jovem banda de Seattle que procurava por um vocalista. Na demo, três demos de músicas sem voz.

No auge de suas angústias, Eddie botou pra fora o que sentia. Em cima das melodias, gravou letras poderosas, sob sua inconfundível voz. E enviou a fita de volta à Seattle. Uma semana depois, negócio fechado: ele se mandou para a cidade no sudoeste americano e assim nasceu o Pearl Jam, uma das mais aclamadas bandas de rock de todos os tempos, com milhões de discos vendidos. Uma das músicas da demo é Alive, um dos grandes hits grunges da década de 1990, uma das mais famosas canções do Pearl Jam.

No filme “Pearl Jam Twenty”, Mike McCready, guitarrista da banda, conta que, ao receber a fita e escutar os vocais de Eddie, se perguntou: “Is this a real guy?”. Era possível aquela voz, aqueles versos poderosos, aquela intensidade existirem?

Conheci o Pearl Jam no auge da minha adolescência, aos 14 anos. E, por muito tempo, me perguntei o mesmo: Eddie Vedder é real?

Tive a chance de ir a mais de 10 shows dele, seja com o Pearl Jam, seja em turnês solo. Já viajei pelo Brasil e pelo mundo para vê-lo tocar. Sou fã de carteirinha, mesmo – membro do fã-clube há mais de 15 anos! E, até hoje, me fascino com a capacidade de inspirar que ele tem, de nunca me cansar de sua voz, suas letras, suas atitudes.

Ir a um show do Pearl Jam é uma experiência que traduz muito o quê seu vocalista é. A cada show uma setlist completamente diferente, sem roteiros prontos. Uma intensidade única no contato com o público. Uma preocupação de sempre se comunicar no idioma da plateia, de garantir que cada ser que ali está se sinta um convidado da banda. Ver Eddie tocar em seus shows solo, então, numa plateia intimista, violão e voz, é algo que extrapola o bom senso de qualquer roqueiro. O cara é um gênio!

Na vida pessoal, é extremamente reservado, até neurótico com a fama. Tem motivos para isso. Já teve o muro de sua casa derrubado pelo carro de um fã maluco. Em um show em 2000, em Roskilde, Dinamarca, presenciou tumulto que culminou em quase 10 mortes, apesar de seu esforço em evitar a tragédia. Experiências que o deixaram ciente da fama, e o fizeram embarcar talvez na sua mais poderosa virtude: a de saber o papel que tem na vida de milhares de fãs pelo mundo.

E é isso que transforma Eddie Vedder numa figura de carisma poucas vezes visto no mundo da música. Carisma que extrapola os palcos – ele encabeça organizações de apoio a inúmeras causas, promove shows beneficentes todo ano, empresta seu nome em prol do que acredita – por exemplo, ao criar, nos anos 1990, uma guerra contra a Ticketmaster pelo fim do monopólio sobre os preços e a venda de ingressos, o que deixaria os shows mais acessíveis. Uma questão que terminou nos tribunais e ganhou as manchetes nos EUA.

Pra mim, Eddie é uma figura folclórica. O autor da trilha sonora da minha vida. Cresci ao som de Pearl Jam. Casei com as músicas de Eddie Vedder sendo tocadas pela orquestra. Uma música dele tocava quando descobri que seria pai. Eddie é figura constante no som do meu carro, quase que como um ritual diário.

Em 2012, em Berlim, onde estava para assistir a um show do Pearl Jam, me hospedei no mesmo hotel da banda. Esperei horas no saguão e, finalmente, avistei Eddie Vedder. Cercado de seguranças, atrasado para sair para o show, acenei para ele e gritei que tinha vindo do Brasil para vê-lo. Eddie mudou sua rota, veio até mim, me estendeu a mão e me agradeceu por estar lá.

O ídolo agradecendo o fã. Naquele dia, pude confirmar: sim, Eddie Vedder é real. Mas é muito mais do que isso. É de outro planeta.

* Rodrigo Pipponzi, 34 anos, é empresário, esportista e, um dia, quer ter a sua banda cover do Pearl Jam.

“Is this a real guy?”, pergunta Mike McCready em “Pearl Jam Twenty”:

+MAIS:

– Wikipedia

– infograficos.oglobo.globo.com

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