Quatro morrem durante show dos Stones no Altamont Festival

Há 45 anos… dia 6 de dezembro de 1969.

Quatro morrem durante show dos Stones no Altamont Festival

Se o nome “Woodstock” remete ao florescimento de uma fase da cultura jovem, “Altamont” passou a significar o fim de tudo.

O fim de tudo. 

O jornalista Ralph J. Gleason foi um entre centenas a se utilizar dos trágicos acontecimentos na Califórnia, naquele 6 de dezembro de 1969, para sentenciar o fim de uma era. Impossível não fazer coro ao colega.

O movimento hippie chegara ao ápice em agosto, com os três dias de paz amor e música em Woodstock. Paz, amor e música mais sexo, drogas e rock’n’roll.

Altamont seria um novo Woodstock, dessa vez na Costa Oeste dos Estados Unidos. Mas happenings são happenings. Acontecem por conjunção astral, espiritual, espontânea, livre, misteriosa até. Tentar repeti-los é perigoso convite à frustração profunda. No caso do nosso festival, uma conjunção de fatores levou à tragédia.

No line-up estavam Santana, Jefferson Airplane, Crosby, Stills, Nash & Young e ainda Grateful Dead, banda à frente da organização, e os Rolling Stones, também responsáveis pela produção.

No jogo de 7 erros de Altamont, o local escolhido – na verdade, o único possível e o que restou na última hora -, sem dúvida, foi o primeiro. Um palco pequeno, colocado em uma espécie de vale, recebia a pressão de toda a multidão, uma “pequena” massa com mais de 300 mil pessoas!

O palco exposto levou os organizadores a cometerem outro erro, que se provaria o maior: chamaram os motoqueiros dos Hells Angels para isolar e proteger o tablado. Os Stones já haviam utilizado os Angels para segurança, como no famoso show do Hyde Park, poucos dias após a morte de Brian Jones, em 3 de julho. Grateful Dead e Jefferson Airplane também se valeram dos serviços dos motoqueiros.

O dia começou solar e pacífico e o show de Santana correu bem. Mas os ânimos começaram a mudar, tanto do lado do público quanto dos Angels. A cerveja gratuita foi deixando os motoqueiros bêbados, enquanto que a multidão ficava agitada e imprevisível. Pequenos tumultos pipocavam aqui e acolá.

Então, um dos Angels foi derrubado pela massa e o fio virou de vez. A resposta dos “seguranças” acabou na agressão a Marty Balin, do Jefferson Airplane. Quando o Grateful Dead soube do fato, decidiu não subir no palco, o que antecipou a apresentação dos Stones.

Assim, os britânicos encontraram um cenário caótico e beligerante. “Quando escureceu e entramos no palco, a atmosfera ficou lúgubre e sombria”, escreveu Keith Richards, em sua autobiografia Vida.

Visivelmente transtornado, Mick Jagger, que já havia sido agredido na chegada ao festival (!), tentou pedir calma a todos, principalmente aos aglomerados em frente ao palco. Não adiantou nada.

As brigas surgiram em “Sympathy for the Devil” (o diabo estava ali!) e fizeram os Stones parar de tocar para os Angels tentarem controlar a situação. A banda finalizou a música e emendou em “Under My Thumb”. Foi então que o pior aconteceu.

Alguns Angels se atracaram com Meredith Hunter, um jovem de 18 anos que estava causando, como se diz hoje. Por um momento, Hunter sumiu. Reapareceria minutos depois, armado de um revólver calibre 22!

Alan Passaro, dos Angels, notou a arma, sacou uma faca do bolso e foi pra cima de Hunter. Em uma ação rápida, tirou a pistola da mão do jovem, enquanto o esfaqueava violenta e freneticamente.

Hunter morreu ali, mais precisamente às 6h20 da manhã, depois de atendimento médico. Outras três pessoas morreram pisoteadas por causa do corre-corre e da confusão. Os Stones até terminaram o show e deixaram o local de helicóptero.

O fim de uma era acabaria registrado por completo no documentário Gimme Shelter (1970), dirigido por Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin. Inclusive a cena da morte de Hunter.

Os solares anos 1960 se despediam.

Trecho de Gimme Shelter com a morte de Hunter:

Fontes:

esquire.com (texto de Ralph J. Gleason)

Wikipedia

namiradogroove.com.br

rollingstone.com (reportagem da época, imperdível!)

history.com

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5 comentários sobre “Quatro morrem durante show dos Stones no Altamont Festival

  1. Fernando, encontrei seu blog por acaso procurando por essa história e… Fiquei maravilhado! O seu trabalho aqui é muito bom: instigante, interessante, bem escrito, bem-humorado, sem falar na ótima sacada de aproveitar os ganchos dos dias em busca de algo relevante do passado. Pra mim, que tenho fascínio pelo que vivi e principalmente pelo que não vivi, é um blog que sempre quis fazer… Ou ler! Estou viciado, lendo um artigo atrás do outro! Parabéns! Continue com o Efemérides! Pode deixar que vou espalhar por aí! Abraços!

  2. Poxa! Não conhecia sobre a história do festival, me deparei com um vídeo do Jefferson Airplane tocando lá e que termina em confusão e comecei a procurar mais sobre e achei esse artigo. Adoro essa época do rock’n roll, é interessante entender o contexto em que as bandas viviam e e trabalhavam. A ideia pura do sexo, drogas e rock’n roll talvez tenha sido sempre utópica, né…

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